Cecília Meireles: 110 anos de vida, 47 anos do adeus

By 9 de novembro de 2011 Dicas One Comment

Boa tarde a todos.

Hoje vamos homenagear uma dos mais belos talentos da literatura brasileira. Cecília Meireles nasceu em 07 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Órfã de pai e mãe foi criada por sua avó materna, D. Jacinta Garcia Benevides. Desde pequena conviveu com dramas pessoais, sendo a única sobrevivente de quatro irmãos e tendo que enfrentar o suicídio de seu primeiro marido, o pintor português Fernando Correia Dias, com quem se casou aos 21 anos. Com ele, teve suas “Três Marias”: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada (confira o livro ao lado). Depois do suicídio de Dias, em 1935, Cecília casou-se novamente com o engenheiro Heitor da Silveira Grilo (1940).

Cecília teve duas grandes paixões durante a vida: a educação e a poesia. Sem abdicar da educação primária, em que se especializou, deu aulas de literatura em universidade do Rio de Janeiro e do Texas. Gostava muito de viajar e tinha carinho especial por Portugal e pela Índia, lugares que visitou muito durante a vida.

Há exatos 47 anos, Cecilia Meireles falecia, vítima de um câncer, dois dias após seu aniversário de 63 anos. Até hoje as obras de Cecília são referências pela linguagem fluida e de grande força. Além disso, propôs a certeza do transitório e a reinvenção da vida.

 

Vamos conhecer um pouco mais?


Os primeiros contatos de Cecília com a literatura aconteceram cedo. Em 1910, na Escola Estácio de Sá, ela conclui os primeiros estudos e recebe de Olavo Bilac, uma medalha de ouro pela conclusão do curso com “distinção e louvor”. Em 1917, Cecília Meireles começa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do Rio de Janeiro.

Aos 18 anos, em 1919, ela publica seu primeiro livro de poesias, Espectros. Seguiram-se “Nunca mais… e Poema dos Poemas”, em 1923, e “Baladas para El-Rei, em 1925. Mas, foi outro livro que deu destaque a Cecília Meireles. Criança meu amor, publicado em 1923, é prosa poética que se tornou leitura obrigatória nas escolas primárias da época pela linguagem essencial para a formação dos pequenos.

No fim da década de 1920, Cecília Meireles publicou em Portugal o ensaio O espírito virtuoso, em que fez uma defesa vigorosa do simbolismo e da supremacia do particular sobre os ideais coletivos. Suas crônicas sobre a educação defendem uma postura humanista, distante dos valores pragmáticos do século XX.

A autora também teve uma participação importante na imprensa brasileira. Além de escrever diversas crônicas, durante um ano, ela assinou uma página diária sobre os problemas da educação no Rio de Janeiro da década de30, no Diário de Notícias. Colaborou também no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico. Em 1935, passou a lecionar literatura luso-brasileira e técnica e crítica literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ).

Em 1951, aos 50 anos, Cecília Meireles se aposentou das suas funções da Educação, mas jamais deixou de estar ligada ao ensino. Desta forma, começou a fazer campanhas em programas culturais e ministrou uma série de conferências sobre a poesia e a literatura brasileira nas escolas. Por conta de seu trabalho foi inúmeras vezes premiadas.

 

“A noção e o sentimento de transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade” 

Para facilitar os estudos literários, Cecília Meireles é considerada uma escritora modernista da segunda geração. De fato, o era. Mas sua obra teve forte influência do simbolismo, principalmente em relação à temática que valoriza a intuição e a sensibilidade e vê a emoção como a melhor maneira de interpretar o mundo.  Por conta desses elementos, alguns estudiosos a posicionam como neossimbolista, porém o misticismo de Cecília não se volta para o mundo. A escritora navega a uma região abstrata, contada pela visão do silêncio e do nada.

As formas da poesia de Cecília são reconhecidas por sua simplicidade e abordam temas cotidianos como o amor, o tempo, a vida e a fugacidade das coisas. Além disso,há grandes elementos da natureza, valorizando principalmente as belezas brasileiras – característica tipicamente modernista.

Cecília Meireles surpreendeu seus leitores quando, em 1953, publicou o Romanceiro da Inconfidência, poema épico em que relata a história de Minas, desde a colonização até a Inconfidência Mineira, no século XVIII. Mesmo a temática política, porém, lhe serve de motivo para uma densa reflexão filosófica.

 

Saiba mais

Confira o documentário produzido pela TV Brasil sobre a vida e a obra de Cecília Meireles. O material pode ser utilizado em sala de aula ou até mesmo como indicação de complemento para os alunos.

 

A música Canteiros, do cantor Fagner é baseada no poema homônimo de Cecília Meireles. A letra foi por muito tempo censurada pelo governo ditatorial brasileiro:

 

No Portal Moderna Digital, os professores podem conferir um material complementar sobre as características da segunda geração do Modernismo, a qual Cecília Meireles fazia parte.

 

 

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