15 anos sem Darcy Ribeiro

Boa tarde a todos!

 

 

A frase acima é de Darcy Ribeiro, um grande antropólogo e sociólogo brasileiro, que nos deixou em 17 de fevereiro de 1997. A citação foi feita perto de sua morte, causada por um câncer, em seu livro de memórias e diz muito sobre a personalidade de Darcy Ribeiro: um homem que dedicou a vida para tentar entender a evolução dos brasileiros como sociedade.

Graduado em Ciências Sociais em 1946, Darcy Ribeiro nasceu em 26 de outubro de 1922, em Montes Claros (MG) e iniciou sua carreira com estudos sobre a etnografia brasileira, focando seu olhar para a situação dos indígenas do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia. Com base em seus trabalhos fundou o Museu do Índio e seus projetos e observações foram de grande valia para a Unesco e a Organização Internacional do Trabalho e para a criação de novas políticas protecionistas, como o Parque Indígena do Xingu.

Pós-graduado em Antropologia e professor de Etnologia na Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro trabalhou também no Ministério da Educação e da Cultura e teve importante participação em defesa da escola pública – primária e superior -, fundando inclusive a Universidade de Brasília.

Foi ministro da Educação no governo de Jânio Quadros e chefe da Casa Civil no governo de João Goulart. Com o golpe militar de 1964, teve seus direitos políticos cassados e foi exilado. Passou a defender a reforma universitária em países da América Latina como Uruguai, Chile e Peru. Nesse período, redigiu grande parte de suas obras mais famosas: os estudos antropológicos da “Antropologia da Civilização”, em seis volumes (o último, “O Povo Brasileiro”, ele publicaria em 1995).

 

A volta ao Brasil 

Ao retornar ao Brasil, em 1976, Darcy Ribeiro passa a dedicar seu trabalho à educação pública. Em 1980, com a anistia, reinicia sua carreira política no Brasil, ocupando cargos como vice-governador do Rio de Janeiro e senador, pelo mesmo estado. Sempre focando seus projetos de lei em favor da educação pública.

Como Secretário da Cultura e Coordenador do Programa Especial de Educação foi responsável por implantar 500 CIEPs – grandes escolas de turno completo com 1000 vagas para crianças e adolescentes. Criou, então, a Biblioteca Pública Estadual, a Casa França-Brasil, a Casa Laura Alvim, o Centro Infantil de Cultura de Ipanema e o Sambódromo, em que colocou 200 salas de aula para fazê-lo funcionar também como uma enorme escola primária.

O nome de Darcy Ribeiro também aparece no planejamento da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytcazes, no Rio de Janeiro. A ideia do projeto era criar uma universidade voltada para o terceiro milênio e que investisse em tecnologia e educação.

Durante a Conferência Mundial do Meio Ambiente – ECO 92 – realizada no Rio de Janeiro, em 1992, implantou o Parque Floresta da Pedra Branca, numa área de 12000 hectares, para se tornar a maior floresta urbana do mundo.

Academia Brasileira das Letras

Em 1992, Darcy ribeiro foi eleito para ocupar a cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de suas obras antropológicas e pelos romances “Maíra”, “O Mulo”, “Utopia Selvagem” e “Migo”. Também teve grande influência na construção do Memorial da América Latina, em São Paulo, que teve como arquiteto Oscar Niemeyer.

 

Fundação Darcy Ribeiro

Quando descobriu a gravidade da doença que o acometia, Darcy Ribeiro decidiu criar a Fundação Darcy Ribeiro, que teria sede em sua casa em Copacabana, no Rio de Janeiro. A entidade abriu suas portas em janeiro de 1996 e tinha como principal objetivo manter a obra de Darcy Ribeiro viva, além de ajudar na constituição e realização de projetos educacionais e culturais. Um de seus últimos projetos lançado publicamente, foi o Projeto Caboclo, destinado ao povo da floresta amazônica

 

 

Saiba mais

Se você quiser conhecer um pouco mais do material elaborado por Darcy Ribeiro, vale a pena conferir o documentário O Povo Brasileiro, baseado em sua obra homônima e que conta a formação do nosso povo, levando em contas nossas origens africanas e europeias

 

 

 

 

 

 

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