O adeus de Cora Coralina

By 10 de abril de 2012 Dicas No Comments
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Boa tarde, amigos!

Hoje, vamos falar de um das principais poetisas e contistas brasileiras que faleceu em 10 de abril de 1985, há exatos 27 anos.

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, popularmente conhecida por seu pseudônimo, Cora Coralina, nasceu em 20 de agosto de 1889, em Goiás. Vinda de uma família tradicional e doceira de profissão, Cora Coralina cresceu alheia a modismos literários e sua poesia conta a vida simples do sertanejo brasileiro, especialmente nas históricas ruas do estado de Goiás.

A jovem Ana foi criada às margens do rio Vermelho, em uma casa comprada por sua família durante o século XIX e que teria sido uma das primeiras construções da antiga Vila Boa de Goiás. Estudou apenas até a quarta série com uma das principais professoras da cidade.

A autora faleceu em 10 de abril de 1985, aos 95 anos, em Goiânia. Atualmente, sua casa é um museu que guarda grande parte de sua vida e de sua trajetória.

Que tal conhecermos um pouco mais de sua história?

 

Trajetória literária

Seus primeiros textos foram escritos aos 14 anos. Em 1903, ela passa a publicá-los em jornais de sua cidade e imediações – nessa época, ainda utiliza seu nome de batismo. Em 1907, ao lado de outras poetisas de Goiás, ela inaugura o semanário “A Rosa” em que divulga seus poemas e pequenos contos.  O pseudônimo, Cora Coralina, foi visto pela primeira vez em 1910, quando o conto “Tragédia na Roça” foi publicado no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”.

Em 1911, ela se casa com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem teve seis filhos. Os dois fogem para o interior do estado de São Paulo e começam a construir sua vida por lá. Em 1924, a família muda-se para a capital paulistana e ela passa a conviver com grandes nomes da nossa literatura. Conta-se que sua obra já era conhecida por aqui e que ela teria sido convidada para participar da Semana de Arte Moderna. Todavia, seu marido não permitiu que ela fizesse parte do movimento.

Quando completou 50 anos, em 1939, Cora Coralina passa a encarar a vida de frente e isso se reflete na sua obra. Essa fase foi definida por ela como “a perda do medo” e assumiu de vez o nome Cora Coralina, não só como poetisa, mas como pessoa também.  Após a morte do marido em 1934, passou a vender livros na editora José Olimpio. A editora seria a responsável pela publicação do seu primeiro livro, em 1965, “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”.

Seu segundo livro lançado foi “Meu Livro de Cordel”, pela editora Goiana. O grande público começaria a conhecê-la melhor em 1980, quando o magnânimo Carlos Drummond de Andrade escreve uma carta a Cora Coralina, enaltecendo o seu trabalho e reforçando sua grande admiração pelo trabalho da escritora. Graças a “recomendação” de Drummond, Cora Coralina recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG e foi eleita intelectual do ano, em 1983, com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores.

Em 31 de janeiro de 1999, sua principal obra, “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”, foi consagrada como uma das mais importantes obras do século XX. O feito tornou Cora Coralina uma autora canônica e imortal para a literatura brasileira.

 

A temática de Cora Coralina

A maior inspiração de Cora Coralina foi a vida. Em seus poemas, ela contava parte do folclore goiano e narrava o dia a dia das pessoas do campo do Centro-Oeste brasileiro. Aliás, até hoje, Cora Coralina é considerada a melhor poetisa da região. Munida de palavras poderosas e grande senso emocional, as obras de Cora eram gramaticalmente simples, mas carregadas de mensagens de vida e luta.

Sua temática abrange o entendimento do que é o mundo que ela via e presenciava. Em seus textos, Cora Coralina buscava respostas ao cotidiano do interior de Goiás e, mais tarde, do interior paulista. Questões que afligiam à vida rural dos brasileiros.

 

 

Saiba mais

Confira mais sobre Cora Coralina neste documentário:

Quem quiser conhecer mais, pode fazer uma visita virtual ao Museu Casa de Cora Coralina:

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