Monteiro Lobato: o escritor da infância

By 18 de abril de 2012 Dicas One Comment
Monteiro Lobato

Boa tarde, amigos!

O dia 18 de abril é muito especial. Nesse dia, em 1882, chegou ao mundo um dos maiores escritores da nossa literatura: Monteiro Lobato. Filho do fazendeiro José Bento Marcondes Lobato e de dona Olímpia Augusta Monteiro Lobato, o escritor Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, cidade no interior de São Paulo, e sua obra superou paradigmas, marcando seu nome para sempre como o inventor e maior ícone da literatura infanto-juvenil brasileira.

Por conta de toda a sua obra, na data de hoje, comemoramos o Dia Nacional do Livro Infantil e celebramos a importância da leitura para a formação de nossas crianças. Ler abre as portas do fantástico mundo da imaginação e desperta nas crianças o gosto pela criatividade. Atualmente, nomes como Ziraldo, Pedro Bandeira, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Eva Furnari são queridos pelos pequeninos por fazerem histórias caprichadas especialmente para eles.

O que vocês acham de conhecermos um pouco mais sobre a obra de Monteiro Lobato?

Um escritor versátil

Formado em Direito, Monteiro Lobato foi promotor público, fazendeiro e empresário. Mas sua grande paixão foi o mundo das letras. A assinatura de Monteiro Lobato está presente em diversos contos, ensaios, livros, reportagens e traduções. Sua versatilidade era uma das características marcantes, assim como o seu engajamento e ceticismo.

Assim que se formou em Direito, passou a exercer a promotoria pública em Areias, cidade da região do Vale do Paraíba. Sua vida teria a primeira reviravolta em 1911, quando herda a fazenda de seu avô. Assim, passa a se dedicar à coordenação da produção agrícola de suas terras. Aliás, dessa experiência, viria muitas inspirações.

Em 1914, cansado das constantes queimadas que suas terras estavam sofrendo pelos caboclos, ele escreve uma carta de indignação ao jornal O Estado de S. Paulo intitulada “Velha Praga”. O jornal reconhece a qualidade da carta e publica a carta em sua área editorial. A repercussão foi tanta que Monteiro Lobato foi convidado a escrever mais artigos. Era o início de uma incrível jornada literária e política.

Monteiro Lobato e Cia.

Com o sucesso de seus artigos e contos, que abordavam diversos temas, Monteiro Lobato tem outra reviravolta. Ele vende sua fazenda e publica seu primeiro livro “Urupês”, que reúne vários textos escritos para o jornal. Em 1918, Lobato adquire a Revista do Brasil, que seria um dos mais importantes veículos para a causa nacionalista da imprensa da época.

Em 1918, Monteiro Lobato percebe algo revolucionário para sua época. O Brasil não tinha nenhuma editora e todos os materiais tinham que ser impressos em Lisboa ou em Paris. Decidido a mudar isso, ele funda a primeira editora brasileira, a “Monteiro Lobato e Cia.”, que mais tarde se tornaria Companhia Editora Nacional (1925).

 

 

O engajamento literário

Antes de qualquer coisa, é importante saber que Monteiro Lobato considerava-se um cético. Normalmente causava polêmicas por conta de seus ideais e não seguia padrões que não acreditasse. Dava sua opinião abertamente e quando podia criticava situações ou obras que não considerasse relevantes. Isso fez com que ao longo da vida tivesse uma coleção de inimigos.

Na literatura, Monteiro Lobato é considerado um pré-Modernista. Seu estilo narrativo e sua temática são próximos aos grandes ícones modernistas, dando bastante importância ao homem brasileiro e a nossa cultura. Em 1917, quando Anita Malfatti apresentou suas obras futuristas em uma exposição, ressaltando a influência das vanguardas europeias. Indignado, Monteiro Lobato publica o artigo “Paranoia ou Mistificação”, no qual critica Anita por se deixar seduzir por culturas, formas e ideias extravagantes de “Picasso e Cia”. Na carta, ele ressalta o talento de Anita e a considera uma grande artista quando cumpre vigores estéticos e “leis” de proporção, simetria etc.

Mais tarde, em 1926, ele também faria duras críticas a Oswald de Andrade. Mario de Andrade sai em defesa do amigo e publica um artigo no jornal “A Manhã” decretando a morte de Monteiro Lobato. A situação só seria resolvida na década de 30, quando os três fizeram as pazes publicamente.

Confusões à parte, Lobato começa  a publicar seus primeiros livros: “Urupês”, “Cidades Mortas” e “Negrinha”. Nessas publicações, é possível verificar o engajamento nacionalista de  Monteiro Lobato. As obras trazem contos com temáticas bastante chocantes para a época, como a violência contra os negros, imigrantes e mulheres, o crescimento sem controle das cidades, o trabalho infantil e a degradação da simplicidade do homem do campo. Foi nessa época que Jeca Tatu, um dos seus maiores personagens, foi apresentado aos leitores. Jeca Tatu foi imortalizado no cinema por Amácio Mazzaropi,  conterrâneo de Monteiro Lobato.

“Talento não pede passagem, impõe-se ao mundo”

(Monteiro Lobato)

Monteiro Lobato foi um modernista marginal: sua ligação com os participantes do movimento de 1922 se deu menos no campo das ideias e mais nas lutas concretas. Todavia sua obra traz importantes trações de regionalismo e denúncia da realidade brasileira. O próprio Sítio do Pica-pau Amarelo traz à tona a vida do campo e o personagem de Jeca Tatu revela as dificuldade do homem brasileiro do campo: miséria, a falta de acesso à cultura e a marginalização social.

Aproximou-se do Partido Comunista Brasileiros, mas não se filiou a ele. Não aceitou uma vaga na Academia Brasileira de Letras nem um posto no governo Vargas. Foi um entusiasmado autor de cartas: sua longa correspondência com Godofredo Rangel está reunida em A barca de Gleyre.

 

Monteiro Lobato e a Literatura infantil

Monteiro Lobato inventou a moderna literatura infanto-juvenil brasileira e foi seu autor mais importante. Seus personagens ficaram imortalizados na memória de muitas gerações brasileiras e até hoje encantam as crianças. Quem nunca se apaixonou pela esperta boneca Emília com seus ironias e brincadeiras, ou com as peripécias de Narizinho e Pedrinho desvendando os mistérios do sítio de sua avó, a querida Dona Benta; ou ainda, quem nunca quis comer um dos deliciosos quitutes da Tia Anastácia ou fazer uma viagem cultura ao lado do inteligentíssimo Visconde de Sabugosa? Quem nunca quis enfrentar as loucuras da Cuca, encontrar o Saci Pererê ou simplesmente pedir as dicas do Marquês de Rabicó?

O segredo do sucesso de Monteiro Lobato com os pequeninos está em seus 26 títulos publicados, destinados às crianças. As narrativas traçam um delicioso retrato da vida no interior brasileiro e mesclam imaginação e fantasia com a observação minuciosa do homem do campo. Além disso, há pedagogia em suas narrativas, principalmente com lições de moral, o que, no entanto, não lhes tira o encanto e a simplicidade.

Escreveu ainda outras incríveis obras infantis, como: A Menina do Nariz Arrebitado, O Saci, Fábulas do Marquês de Rabicó, Aventuras do Príncipe, Noivado de Narizinho, O Pó de Pirlimpimpim, Reinações de Narizinho, As Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática, Memórias da Emília, O Poço do Visconde, O Pica-Pau Amarelo e A Chave do Tamanho.

“O grande erro dessa casta de homens é confundir corrupção com evolução. Condenam as formas novas de vida, que se vão determinando em conseqüência do natural progresso humano, em nome das formas revelhas. Logicamente, para eles, o homem é a corrupção do macaco; o automóvel é a corrupção do carro de boi; o telefone é a corrupção do moço de recados”

(Monteiro Lobato).

O engajamento político

Entre 1927 e 1931, Monteiro Lobato foi viver novas aventuras em Nova Iorque. Em terras norte-americanas, o escritor foi adido comercial e enfrentou sérios problemas. Ao escrever o livro “O Presidente Negro e o Choque de Raças”, que narra a história de um homem negro que se candidata à Presidência dos EUA, é duramente criticado.

De volta ao Brasil e com novas ideias, Monteiro Lobato escreve o livro “O escândalo do petróleo” que apóia a valorização das riquezas naturais brasileiras e incentiva a produção de petróleo por aqui. Para isso, o escritor defendia que o governo entregasse à iniciativa privada a extração de petróleo em solo brasileiro. Essa luta por causa do petróleo fez com que Monteiro Lobato criasse uma rixa com o presidente Getúlio Vargas, fosse preso duas vezes, ficasse pobre, doente e desgostoso.

Para Lobato, a literatura foi sempre um instrumento de transformação do mundo. O governo Vargas recolheu O escândalo do petróleo, balanço de sua participação na política.

O grande gênio Monteiro Lobato nos deixou em 04 de julho de 1948, às 4 horas da madrugada, após sofrer um derrame. Todavia, sua vida se perpetua em cada um de seus personagens, imortalizados em diversas mídias: televisão, cinema, livros, jornais, revistas etc.

Saiba mais

Atualmente, a cidade natal de Monteiro Lobato, Taubaté, abriga o Sítio do Pica-pau Amarelo. Um dos museus culturais da obra e da vida de Monteiro Lobato, onde as crianças ficam mais perto das fantasias de Emília, Narizinho e Pedrinho:

Quem quiser conhecer mais sobre a vida de Monteiro Lobato, vale a pena conferir o programa especial do Globo Repórter em homenagem ao centenário de seu nascimento:

Vale a pena conhecer também os sites da Editora Moderna dedicados à literatura infantil:

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