Batalha dos Guararapes: adeus aos holandeses

By 19 de abril de 2012 Dicas No Comments
batalha dos guararapes - imagem destacada

Boa tarde, amigos modernos.

Em 19 de abril de 1648, os habitantes de Pernambuco enfrentavam uma ferrenha batalha contra a dominação holandesa. O confronto, ocorrido na cidade de Guararapes, foi o primeiro conflito pela dominação das terras pernambucanas entre tropas luso-brasileiras e holandesas. As tropas luso-brasileiras, em número bastante inferior, tinham à frente o comandante Francisco Barreto de Menezes. Já os holandeses, eram comandados por Siegmund von Schkoppe

Apesar da vitória portuguesa, a batalha seria reavivada no ano seguinte e aconteceria um novo confronto, que expulsaria os holandeses da região novamente.

Que tal entendermos um pouco mais sobre as motivações do confronto?

As causas do conflito

Entre o final do século XVI e o início do século XVII, os holandeses sofreram com o domínio espanhol em seus territórios. Como estratégia de defesa e dominação, os holandeses partem para as terras da África e da América a fim de manter o monopólio do tráfico negreiro. No caso do Brasil, a Holanda tinha um interesse especial nas produtivas lavouras de açúcar da região Nordeste.

Painel Batalha dos Guararapes, feito em cerâmicas por Francisco Brennand

Para tentar dominar a região, os holandeses vêm em peso para o Brasil e invade os territórios de Portugal. Os colonizadores portugueses, obviamente, não gostaram nem um pouco da investida e trataram de defender a sua hegemonia no território brasileiro.

Eis que os fazendeiros da região descobrem que os holandeses pretendiam conquistar a região do Cabo, em Pernambuco, indo pelo Recife. Todavia, eles precisariam atravessar a Estrada da Batalha, onde ficava o Monte dos Guararapes.  Assim, os portugueses, chamados de Patriotas, preparam uma emboscada. Mais de dois mil combatentes se anteciparam e montaram guarda no Monte dos Guararapes, em 19 de abril de 1648.

 

A vitoriosa estratégia do confronto

Os holandeses tinham forte vantagem sobre as tropas luso-brasileiras. Seus combatentes eram equipados com munição e armamentos de guerra sofisticados para a época. Os nordestinos, por sua vez, lutavam descalços, sem camisa, com facões e pequenas espadas em mãos.  Mas então, por que os luso-brasileiros conseguiram vencer a batalha dos Guararapes.

O principal fator, sem dúvida, foi o conhecimento da topografia da região. A Batalha dos Guararapes, em suas duas edições, reuniu um exército improvisado e formado por portugueses, mazombos (descendentes de portugueses nascidos no Brasil), índios e negros. Dessa forma, o líder português Francisco Barreto Menezes, comandante dos Patriotas, elaborou uma estratégia.

O comandante ordenou que o indígena potiguar Felipe Camarão defendesse o flanco direito com sua tribo, em uma área repleta de matagal. No lado esquerdo, colocou o ex-escravo Henrique Dias com seu agrupamento negro na região do Morro do Oitizeiro. O centro, próximo ao córrego da batalha, estava guarnecido pelo terço dos brancos sob comando de Fernandes Vieira, senhor de engenho português que comandou a infantaria. Na retaguarda, ficava na espreita o terço branco sob as ordens de André Vidal de Negreiros, que facilitava a migração da população sertaneja do Nordeste.

Armada a emboscada, Antônio Dias Cardoso ficou responsável por entrar em contato com os holandeses pela Estrada da Batalha, com mais de 200 homens. Ao confrontá-los, Cardoso atraiu-os até o Boqueirão para chegar próximo ao reforço dos Patriotas. Sem saber do que os esperava, os holandeses iniciaram o ataque lançando um regimento pelo flanco esquerdo. Quando o regimento central avançou, deparou-se com uma quantidade de insurgentes inesperada, batendo de frente contra os terços de Fernandes Vieira e Vidal de Negreiros. O flanco esquerdo foi completamente derrotado pelos índios de Felipe Camarão.

Após a chegada de reforços da Holanda, os historiadores estimam que o exército holandês em Guararapes tivesse entre 4500 e 6000 homens. Já os brasileiros não passavam de 2500. Como então eles conseguiram uma vitória acachapante, que resultou em algo entre 500 e 900 mortes dos holandeses, incluindo dezenas de oficiais? A principal causa da vitória dos luso-brasileiros foi a decisão dos oficiais de lutar ao estilo local, atraindo os holandeses para o combate corpo-a-corpo em meio a passagens estreitas na mata, onde eram vítimas fáceis de emboscadas.

A Batalha dos Guararapes, óleo sobre tela por Victor Meirelles de Lima

Além da estratégia de guerrilha, os exércitos formados no Brasil tinham muito mais razões para a luta que apenas as econômicas. “As dívidas à Companhia das Índias Ocidentais foram um fator importante para a rebelião, mas elas não seriam suficientes para motivar o ardor dos pernambucanos”, afirma Dantas da Silva. “Não podemos esquecer que se tratava também de uma guerra religiosa, já que o que estava em jogo era a disputa entre os católicos da terra contra os protestantes invasores”, diz o pesquisador, que discorda da tese de que houve liberdade religiosa em Pernambuco durante o governo holandês. “Havia, no máximo, alguma tolerância religiosa.”

O resultado foi trágico para os holandeses. Estima-se que a batalha terminou com mais de 500 baixas (entre mortos e desaparecidos) e 500 feridos. Do lado do exército formado no Brasil, o número de baixas foi estimado em 80 mortes e 400 feridos. Como o exército holandês tinha quase o triplo de homens dos soldados locais, sua derrota foi ainda mais humilhante.

Fontes: Aventuras na História e Portal História Brasileira

Saiba mais

Quem quiser saber mais sobre as invasões holandesas e francesas em terras brasileiras, vale a pena conferir o post que a gente fez, clicando aqui.

 Batalha dos Guararapes (1979)

O filme chamou a atenção por ser uma das produções mais caras já produzidas no país. O elenco era formado por grandes nomes como Jardel Filho, Tamara Taxman, José Wilker e Rennée de Vielmond. Confira a reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, que conta a história da produção:

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