Paulo Freire: o patrono da Educação

Por 2 de maio de 2012 Dicas 3 Comentários
Paulo Freire - Imagem destacada


Boa tarde, pessoal.

No último dia 16 de abril, o Diário Oficial da União publicou a lei que nomeou o educador Paulo Freire como patrono da educação brasileira. O projeto de lei foi aprovado no início de março pela comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, em decisão terminativa, por unanimidade e sancionado pela presidente Dilma Rousseff.

Mas afinal de contas, quem foi Paulo Freire?

Caricatura Paulo Freire - desenhada por Deva Bhakta

Paulo Reglus Neves Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, em Recife, Pernambuco. Considerado um dos maiores pensadores da história da pedagogia no mundo, Paulo Freire teve uma infância humilde e foi alfabetizado pela sua mãe, aprendendo a escrever com pequenos galhos de árvore no quintal de sua casa.

Formado em Direito na Faculdade de Direito do Recife, Paulo Freire casou-se com Elza Maia Costa Oliveira, uma professora primária, com quem teve cinco filhos. De seu casamento veio também a paixão pela educação. Em 1947, ele passa a dirigir o departamento de educação e cultura do Sesi. Dessa experiência, veio o contato com a alfabetização de adultos que seria um dos temas favoritos de suas pesquisas.

Em 1958, já com experiências acumuladas na educação, Freire participa de um congresso educacional na cidade do Rio de Janeiro e apresenta um trabalho importante sobre educação e princípios de alfabetização. De acordo com suas idéias, a alfabetização de adultos deve estar diretamente relacionada ao cotidiano do trabalhador. Desta forma, o adulto deve conhecer sua realidade para poder inserir-se de forma crítica e atuante na vida social e política.

Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante!

(Paulo Freire)

Paulo Freire

Em 1964, durante o governo de João Goulart, Paulo Freire assumiu a coordenação do Programa Nacional de Alfabetização. Quando os militares assumiram o poder no mesmo ano, o método de ensino proposto por Paulo Freire foi considerado uma ameaça à ordem e o educador acabou sendo exilado. Em sua estadia no Chile e na Suíça, Paulo Freire continuou os trabalhos na área educacional e ampliou sua visão sobre formas de ensino. Em 1969, ele publica sua obra-prima, Pedagogia do Oprimido, em que descreve sua proposta para a alfabetização de adultos. Paulo Freire retornaria ao Brasil somente em 1979, com a Lei da Anistia.

Paulo Freire faleceu em 02 de maio de 1997, em São Paulo, com o status de grande filósofo e educador, reconhecido mundialmente por suas obras. Ao todo, Freire ganhou 41 títulos de Doutor HONORIS CAUSA de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford.

 

Pedagogia Crítica

Paulo Freire dedicou sua vida a estudos sobre pedagogia e formas de ensinar. Ele foi o responsável pela criação do termo “Pedagogia Crítica”, que fundamenta a prática didática nos conceitos de aprendizagem significativa. De acordo com Freire, o verdadeiro caminho para a educação é a conscientização do aluno. Desta forma, o estudante deve se tornar apto a traçar seu próprio caminho para a assimilação do objeto de análise, desenvolvendo visão crítica das situações.

Se a educação sozinha não pode tranformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.

(Paulo Freire)

A principal pesquisa de Paulo Freire, presente na obra Pedagogia do Oprimido, propõe que os alunos menos favorecidos se apoiem em valores da educação para mudar a sua história. Freire condena o ensino oferecido pelas chamadas “escolas burguesas”, em que o professor age como quem deposita conhecimento em um aluno receptivo, sem ideias. Assim, a escola torna os alunos alienados e os impede de desenvolver grandes capacidades de resoluções de problemas, por exemplo. A proposta de Freire é baseada nos questionamentos e nos debates na sala de aula. A educação precisa inquietar os alunos e não, torná-los parte do sistema.

 

 

Alunos e professores: aprendizado conjunto

Outra característica importante das ideias de Paulo Freire é o papel designado aos professores e aos alunos. De acordo com o educador, ensinar não era transmitir conhecimentos, era incentivar a produção de novos saberes. O professor exerce a função de manter a ordem e proporcionar os caminhos para a construção dos conteúdos. Além disso, ele deixava bem claro que o professor é fundamental para o processo educacional, visto que ninguém aprende sozinho.

Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.

(Paulo Freire)

Freire valorizava as experiências pessoais de cada aluno na sua formação. Assim, a sala de aula é um ambiente de aprendizado de duas vias: o estudante aprende com o professor e o professor aprende com o estudante. Para que o modelo funcionar, é preciso que ambas as partes estejam comprometidas em escutar e expressar suas opiniões. Assim, a educação não pode ser considerada individual e sim, coletiva.

 

Saiba mais

Toda a obra do educador está disponível no Biblioteca Digital Paulo Freire:

3 Comentários

Comentário

Seu e-mail não será publicado