A América Latina e as diversidades culturais

Por 4 de junho de 2012 Dicas 15 Comentários
Diversidade Cultural na América Latina - imagem destacada

Boa tarde, pessoal.

A globalização tornou o mundo menos distante. Sem dúvida, podemos dizer que estamos próximos de pessoas além de nossas fronteiras e ficamos sabendo de guerra, crises políticas ou eventos esportivos em tempo real, sem sair do conforto do nosso sofá, não é mesmo? Mas, quando falamos em cultura, é preciso tomar certo cuidado com o que passamos aos nossos alunos na sala de aula.

Hoje, vamos falar um pouco mais sobre a diversidade cultural na América Latina; suas semelhanças, diferenças e contextos históricos que precisam ser entendidos para que os alunos não cometam o erro de achar que todos os países são iguais. Quando falamos sobre a diversidade cultural na América Latina, é preciso reforçar, por exemplo, a intensidade particular de cada país, tendo em vista, os impactos no pensamento, o discurso e as políticas econômicas neoliberais que prometeram o bem-estar para a população.

 

A cultura na América Latina

A América Latina tem tido sua dose de debates em torno da temática cultural. Desde o século XIX, as questões culturais estiveram estreitamente vinculadas à percepção de cada indivíduo sobre as nações dessa região. Por outro lado, há um consenso crescente a respeito dos impactos desiguais que os acordos de integração e as políticas comerciais entre os países da região tiveram sobre as classes e os grupos sociais.

A América Latina é composta por culturas, etnias e povos diferentes entre si e com características próprias. Assim, é importante acabar com as pré-concepções e construir com os alunos uma breve abordagem sobre cada país, evidenciando que os principais aspectos da diversidade cultural e da integração latino-americana precisam ser pensados e discutidos de acordo com as políticas sociais, econômicas e culturais de cada país.

A diversidade cultural, como um direito fundamental da humanidade, se choca frontalmente com as políticas do chamado “livre comércio”. Esse cenário promove, em uma de tantas conseqüências negativas, a homogeneização da cultura, ou seja, torna todas as regiões muito parecidas.  Paralelo a isso, temos o conceito de projeto de nação, em que se tentou construir o Estado a partir do século XIX, em contradição à diversidade étnica e cultural das sociedades latino-americanas compostas por povos variados que não acabaram de se fundir ao conjunto nacional de “pensadores” do século XIX.

Dessa forma, o professor precisa incentivar os alunos a entender as diferenças entre as políticas públicas paliçadas na Guatemala, no Brasil, na Argetina e no Chile. Dessa forma, ele desenvolve a capacidade de entender o contexto econômico e o porquê das medidas tomadas para reduzir os impactos combinados da pobreza e da exclusão social.

 

Buenos Aires: culturalmente rica

Vamos pegar como exemplo Buenos Aires, cidade de maior importância cultural da Argentina e da América Latina. É inegável que existem similaridades entre a capital hermana com outras cidades do Rio da Prata, que remetem à cultura e à arquitetura de cidades europeias. A cidade tem um espectro cultural muito amplo devido à diversidade de quem a habitou ao longo de sua história.

O desenvolvimento cultural se aprecia na grande quantidade de museus, teatros e bibliotecas que se pode encontrar na cidade. O governo da cidade administra dez museus que abarcam diferentes temáticas: desde as artes plásticas (Museu de Artes Plásticas Eduardo Sívori), passando pela história (Museu Histórico de Buenos Aires Cornelio de Saavedra), até chegar ao cinema (Museu do Cinema Pablo Ducrós Hicken). Existem muitos museus dependentes do governo Nacional (como o Museu da Casa Rosada) ou de fundações (como o Museu de Arte latino-Americano de Buenos Aires). Da cidade, dependem 26 bibliotecas públicas que contam com 317.583 exemplares. Além disso, existem muitas bibliotecas dos diferentes Poderes da Nação, assim como das diferentes universidades que se encontra na capital.

Todos esses números se refletem no número de leitores do país, por exemplo. Para se ter uma ideia, na Argentina, a média de leitura espontânea é de 5,8 livros habitante/ano. A média do Brasil é de 4,7, com o adendo de que grande parte desses leitores é composta por estudantes que leem obras indicadas por professores.

No fim das contas, conclui-se que quanto mais a globalização avança, mais se recoloca a questão da tradição, da nação e da região. À medida que o mundo fica menor, torna-se cada vez mais difícil se identificar com categorias tão genéricas como Europa, mundo, etc. É natural, portanto, que a questão das diferenças se recoloque e que haja um intenso processo de construção de identidades e que os atores sociais procurem objetos de identificação mais próximos. Somos todos cidadãos do mundo na medida em que pertencemos à espécie humana, mas necessitamos de marcos de referência que estejam mais próximos de nós (http://www.bocc.ubi.pt/pag/jacks-nilda-midia-nativa.pdf, acesso em: 05 nov. 2007)

Escrito por Lauci Cavalett, coordenadora pedagógica de PNLD da Editora Moderna.

 Saiba mais

Quem tiver interesse em conhecer mais sobre a cultura da América Latina, vale a pena conhecer o Memorial da América Latina. Com quase 85 mil m² de área construída, o Memorial da América Latina foi concebido para ser um espaço de integração e informação dos países latinoamericanos, de suas raízes e culturas, e acolhe, também, a sede do Parlamento Latino-Americano – Parlatino.

A dica é conferir o acervo recolhido pelo casal de fotógrafos e especialistas em arte popular Jacques e Maureen Bisilliat, em 1988, a pedido de Darcy Ribeiro. Conta com 4.000 peças de arte popular do Brasil, México, Peru, Equador, Guatemala, Bolívia, Paraguai, Chile e Uruguai. São trajes típicos, máscaras, estandartes, instrumentos musicais, objetos de adorno e de uso cotidiano, entre outros.

Confira outras atrações aqui

 

Memorial da América Latina
Local: Espaços Culturais
Endereço: Rua Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda
Fone: (0xx11) 3823-9611
Horário: Das 9h às 18h

Entrada Gratuita
Estacionamento:
R$ 10 (conveniado)


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