Congresso de Viena: o fim da Era Napoleônica

Bom dia, amigos modernos.

Caricatura de Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte foi um símbolo do expansionismo na França. O pequeno italiano de 1,67m revolucionou a política do final do século XVIII, tornando-se Imperador da França, uma das maiores potências europeias de sua época. Isso tudo após a Revolução Francesa, maior revolução popular e política da história da humanidade.

A política napoleônica era baseada na invasão e ocupação de territórios através de batalhas militares. O desejo pelo poder e pelo domínio da Europa acabou sendo a cruz de Napoleão que assistiu às suas tropas sendo dizimadas por mobilizações das monarquias absolutistas da Europa, principalmente Áustria, Rússia, Prússia e Inglaterra. Com a expurgação dos ideais napoleônicos, as antigas monarquias precisavam reformular o mapa europeu.

Assim, em 18 de setembro de 1814 teve início o Congresso de Viena com o objetivo de restabelecer a paz e a estabilidade política na Europa, além de redesenhar as fronteiras do continente. O encontro contou com representantes dos países vencedores e durou até 09 de junho de 1815, nove dias antes da última derrota napoleônica na histórica Batalha de Waterloo.

As punições francesas

Participar de uma guerra é muito mais complicado do que se imagina. Não apenas pela perda de contingentes, mas pelos custos envolvidos. É de conhecimento comum que muitos países tiveram suas economias arruinadas pelos confrontos armados. Isso aconteceu com a Itália, Alemanha, Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, e também com a França durante as guerras napoleônicas.

Durante o Congresso de Viena, os países vencedores também estabeleceram as indenizações de guerra que seriam pagas pelos derrotados. Obviamente, a França foi duramente prejudicada pelas decisões do Congresso. Em primeiro lugar, teve que pagar uma indenização de 700 milhões de francos por danos. Além disso, o território francês voltaria a ter os mesmos limites territoriais da época de Napoleão e ficou estabelecida a formação de um governo conservador, dominado pelo clero e pela nobreza. Ou seja, o absolutismo voltaria a ser a forma de governo na França.

Representantes do Congresso de Viena: Klemens Wenzel Von Metternich (Príncipe da Áustria), Karl August Von Hardenberg (Príncipe da Prússia), o chanceler Wilhelm Von Humboldt, Charles Maurice de Talleyrand Périgord (França)

A Prússia e a Áustria receberam territórios da Alemanha e da Itália, dominando a região dos Bálcãs e do Norte da Itália. A Rússia conseguiu hegemonia na Finlândia, na Polônia e na Bessarábia. A Holanda ficou com a Bélgica para evitar avanços franceses. Os ingleses ficaram com pontos estratégicos de acesso às Antilhas e à Índia pelo Mediterrâneo.  O Antigo Sacro Império Germânico foi trocado pela Confederação Germânica, que contava com diversos reinados chefiados pela Áustria.

 

Divisão territorial Congresso de Viena

Criação do Instrumento de Ação

Os exércitos absolutistas criaram uma frente político-militar denominada Santa Aliança. Essa instituição tinha plenos poderes para atuar sobre quaisquer confrontos que afetassem os governos europeus. Uma das atuações importantes da Santa Aliança dizia respeito ao poder de intervenção nas independências da América.

Vale lembrar que a Inglaterra não fez parte da Santa Aliança por conta da intervenção nas colônias. Para o governo inglês pré-Revolução Industrial era muito importante manter relações comerciais com os territórios americanos emancipados para conquista de mercado consumidor de suas mercadorias.

O acordo estabelecia a total cooperação bélica e militar entre as nações que tivessem sua hegemonia política ameaçada. O problema encontrado pela Santa Aliança foi uma das consequências da Revolução Francesa, que espalhou em toda a Europa as ideias de liberdade, igualdade e fraternidade. Com isso, o Absolutismo já não era aceito pelos europeus e fizeram emergir ideais liberais e socialistas que culminaram com a decadência das monarquias europeias durante o século XIX.

Doutrina Monroe: “A América para os americanos”

Em 1823, os Estados Unidos instauraram a Doutrina Monroe, que dava aos países americanos a autonomia para tomar decisões políticas relativas ao seu território. Assim, sob surgiu o lema “América para os americanos”, que serviu como forte oposição ao ideais conservadores da Santa Aliança, iniciando uma relação de forte influência política sobre o continente.

Por fim, uma nova onda de revoluções liberais na Europa representou um duro golpe no pacto restaurador, uma vez que abriram as portas da independência política de países subjugados por outras potências (tal como ocorreu entre Grécia e Turquia em 1828), e substituíram o absolutismo por parlamentos constitucionais. Na França, por exemplo, a Revolução Liberal de 1830 marcou o fim da dinastia dos Bourbon, com a ascensão de Luis Felipe de Orleans, que ficaria conhecido como o “rei dos banqueiros”, marcando o início de uma monarquia liberal e burguesa.

Fonte: Retratos da História

Saiba mais

Para complementar os estudos sobre a era napoleônica e sobre o Congresso de Viena, nós indicamos o documentário do History Channel Construindo um Império – Napoleão.  

Para quem quiser saber mais sobre a vida e a importância de Napoleão na história da França e da humanidade, vale a pena ler o livro do autor Paul Johnson, Napoleão, publicado pela editora Objetiva:

NAPOLEÃO

Sinopse: Poucas pessoas causaram maior impacto na História do que Napoleão Bonaparte. Embora tenha exercido o poder somente durante uma década e meia, seu impacto sobre o futuro durou até o final do século XX, quase 200 anos após sua morte. Na verdade, sua influência talvez não tenha ainda desaparecido.

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