Boa tarde a todos.
Hoje vamos homenagear uma dos mais belos talentos da literatura brasileira. Cecília Meireles nasceu em 07 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Órfã de pai e mãe foi criada por sua avó materna, D. Jacinta Garcia Benevides. Desde pequena conviveu com dramas pessoais, sendo a única sobrevivente de quatro irmãos e tendo que enfrentar o suicídio de seu primeiro marido, o pintor português Fernando Correia Dias, com quem se casou aos 21 anos. Com ele, teve suas “Três Marias”: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada (confira o livro ao lado). Depois do suicídio de Dias, em 1935, Cecília casou-se novamente com o engenheiro Heitor da Silveira Grilo (1940).
Cecília teve duas grandes paixões durante a vida: a educação e a poesia. Sem abdicar da educação primária, em que se especializou, deu aulas de literatura em universidade do Rio de Janeiro e do Texas. Gostava muito de viajar e tinha carinho especial por Portugal e pela Índia, lugares que visitou muito durante a vida.
Há exatos 47 anos, Cecilia Meireles falecia, vítima de um câncer, dois dias após seu aniversário de 63 anos. Até hoje as obras de Cecília são referências pela linguagem fluida e de grande força. Além disso, propôs a certeza do transitório e a reinvenção da vida.
Vamos conhecer um pouco mais?
Os primeiros contatos de Cecília com a literatura aconteceram cedo. Em 1910, na Escola Estácio de Sá, ela conclui os primeiros estudos e recebe de Olavo Bilac, uma medalha de ouro pela conclusão do curso com “distinção e louvor”. Em 1917, Cecília Meireles começa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do Rio de Janeiro.
Aos 18 anos, em 1919, ela publica seu primeiro livro de poesias, Espectros. Seguiram-se “Nunca mais… e Poema dos Poemas”, em 1923, e “Baladas para El-Rei, em 1925. Mas, foi outro livro que deu destaque a Cecília Meireles. Criança meu amor, publicado em 1923, é prosa poética que se tornou leitura obrigatória nas escolas primárias da época pela linguagem essencial para a formação dos pequenos.
No fim da década de 1920, Cecília Meireles publicou em Portugal o ensaio O espírito virtuoso, em que fez uma defesa vigorosa do simbolismo e da supremacia do particular sobre os ideais coletivos. Suas crônicas sobre a educação defendem uma postura humanista, distante dos valores pragmáticos do século XX.
A autora também teve uma participação importante na imprensa brasileira. Além de escrever diversas crônicas, durante um ano, ela assinou uma página diária sobre os problemas da educação no Rio de Janeiro da década de30, no Diário de Notícias. Colaborou também no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico. Em 1935, passou a lecionar literatura luso-brasileira e técnica e crítica literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ).
Em 1951, aos 50 anos, Cecília Meireles se aposentou das suas funções da Educação, mas jamais deixou de estar ligada ao ensino. Desta forma, começou a fazer campanhas em programas culturais e ministrou uma série de conferências sobre a poesia e a literatura brasileira nas escolas. Por conta de seu trabalho foi inúmeras vezes premiadas.
“A noção e o sentimento de transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade”
Para facilitar os estudos literários, Cecília Meireles é considerada uma escritora modernista da segunda geração. De fato, o era. Mas sua obra teve forte influência do simbolismo, principalmente em relação à temática que valoriza a intuição e a sensibilidade e vê a emoção como a melhor maneira de interpretar o mundo. Por conta desses elementos, alguns estudiosos a posicionam como neossimbolista, porém o misticismo de Cecília não se volta para o mundo. A escritora navega a uma região abstrata, contada pela visão do silêncio e do nada.
As formas da poesia de Cecília são reconhecidas por sua simplicidade e abordam temas cotidianos como o amor, o tempo, a vida e a fugacidade das coisas. Além disso,há grandes elementos da natureza, valorizando principalmente as belezas brasileiras – característica tipicamente modernista.
Cecília Meireles surpreendeu seus leitores quando, em 1953, publicou o Romanceiro da Inconfidência, poema épico em que relata a história de Minas, desde a colonização até a Inconfidência Mineira, no século XVIII. Mesmo a temática política, porém, lhe serve de motivo para uma densa reflexão filosófica.
Saiba mais
Confira o documentário produzido pela TV Brasil sobre a vida e a obra de Cecília Meireles. O material pode ser utilizado em sala de aula ou até mesmo como indicação de complemento para os alunos.
A música Canteiros, do cantor Fagner é baseada no poema homônimo de Cecília Meireles. A letra foi por muito tempo censurada pelo governo ditatorial brasileiro:
No Portal Moderna Digital, os professores podem conferir um material complementar sobre as características da segunda geração do Modernismo, a qual Cecília Meireles fazia parte.
Boa tarde, pessoal!
Hoje vamos homenagear um dos maiores cantores e poetas da história do Brasil, que completaria 98 anos hoje. Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913. Advogado por formação, não exerceu a função por muito tempo. Preferiu seguir carreira política e se tornou um diplomata de sucesso.
Estudou Língua e Literatura Inglesa na Universidade de Oxford por um ano e voltou ao Brasil em 1939, por conta da Segunda Guerra Mundial. Nessa época, começa a se envolver com Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mario de Andrade, Cecília Meireles e Oswald de Andrade, nomes importantes do cenário literário do século XX.
Como compositor, fez parcerias com Carlos Lyra, Pixinguinha, Baden Powell, Antonio Carlos Jobim, João Gilberto e, Toquinho, sua dupla mais famosa. A partir da década de 1970, fez diversas composições musicais que o imortalizariam como o “poeta do amor maior”. Ao todo, Vinicius de Moraes foi casado nove vezes e, constantemente, apaixonado, viveu, na prática, o verso “que seja infinito enquanto dure” em tudo o que fez.
A vida poética
Dentro da Literatura, Vinicius de Moraes está inserido na segunda geração do Modernismo. A obra poética do autor teve início com a publicação de O caminho para a distância (1933), que ainda mantinha a influência simbolista de outrora.
Ao longo de sua carreira, Vinicius de Moraes abordou diversos temas. Mas, sem dúvida, seus versos sobre o amor ficaram mundialmente famosos. Em diversos poemas, o autor traz à tona diversas antíteses como a conquista do amor e a conseqüente perda deste. Isso pode ser facilmente observado em “Soneto da Separação”.
Soneto de Separação
Vinicius de Moraes
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Outra característica marcante de sua obra é a preferência pela estética camoniana, ou seja, com sonetos de métricas e rimas perfeitas. Das inúmeras obras de Vinicius de Moraes, vale destacar Novos poemas (1938), Poemas, sonetos e baladas (1946), Pátria minha (1949) e a peça de teatro Orfeu da Conceição (1956).
A vida musical
Os versos de Vincius de Moraes foram imortalizados por diversos intérpretes. Apesar de ter cantado suas canções, a parceria mais importante de Vinicius de Moraes, na música, foi com Tom Jobin. Desse maravilhoso dueto nasceram clássicos imortais como Chega de Saudade, Eu sei que vou te amar e Garota de Ipanema. Tom Jobin também foi o responsável por musicalizar a peça de teatro Orfeu da Conceição, escrita por Vinicius em 1956.
Outra grande parceria foi com Toquinho, com quem viria a cantar até sua morte, em 1980. Daí, nasceram e grandes sucessos infantis, como Aquarela, O Pato Pateta e A Corujinha.
A versatilidade de formas e estilos de Vinicius de Moraes mostravam o seu grande talento para encantar as pessoas. Durante toda a vida, definiu-se como “um labirinto em busca de uma saída e morreu, sentindo “saudades da vida”
Saiba mais
O diretor Miguel Faria Jr. elaborou uma excelente coletânea de depoimentos de amigos de Vinicius de Moraes, imagens raras do poeta e interpretações de vários de seus poemas e músicas, que conquistaram um grande espaço na cultura brasileira no documentário Vinicius.
Vinícius - 2005 (Brasil)
Direção: Miguel Faria Jr.
Duração: 110 min
Gênero: Documentário
Sinopse: A realização de um pocket show em homenagem a Vinícius de Moraes por dois atores é o início da reconstrução da carreira do cantor e compositor. Nascido em 1913 no Rio de Janeiro, Vinícius de Moraes testemunhou e foi personagem de uma série de transformações na cidade, tendo criado para si um dos percursos mais relevantes da cultura brasileira no século XX.
Vale a pena conferir também o material interativo que a Editora Moderna preparou sobre o Modernismo. O vídeo está disponível no site da Moderna Digital.
Modernismo – 2ª fase
Quem quiser conhecer a vida e a obra completa de Vinicius de Moraes, pode acessar o site dedicado ao autor:
Bom dia, pessoal.
Há 125 anos, em 01 de setembro de 1886, nascia em Capivari, interior de São Paulo,
Tarsila do Amaral, uma das mais influentes pintoras da arte modernista no Brasil. Vinda de boa família, Tarsila sempre teve interesse em pintura e artes plásticas e, aos 16 anos, pinta o seu primeiro quadro, intitulado Sagrado Coração de Jesus.
Foi aos 31 anos que a Tarsila começa a aprender técnicas de pintura com o pintor, professor e decorador, Pedro Alexandrino Borges, e, posteriormente com George Fischer Elphons. Quando completa 34 anos, Tarsila vai para Paris estudar na Academia Julian, uma das mais importantes instituições de arte da Europa. Lá, ela aprende mais sobre o cubismo e sobre técnicas de pinturas que estavam revolucionando o continente e teve contato direto com artistas como Fernand Léger, André Lhote e Albert Gleisse. Desta forma, apresenta suas primeiras obras cubistas durante o Salão Oficial dos Artistas da França, em 1922.
No mesmo ano, Tarsila do Amaral volta ao Brasil e forma o “Grupo dos Cinco”, com Anita Malfatii, Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. Os cinco juntos iriam introduzir as ideias modernistas no Brasil durante a Semana da Arte Moderna de 1922. Aqui, vale lembrar que Tarsila do Amaral volta em definitivo para o Brasil, em 1924.
Foi casada com Oswald de Andrade durante quatro anos (1926 e 1930) e também trabalhou como colunista nos Diários Associados (grupo de mídia que envolvia jornais, rádios, revistas). Faleceu em 17 de janeiro de 1973, aos 89 anos, em São Paulo.
Características de suas obras
Uma dos aspectos mais marcantes da obra de Tarsila do Amaral era a relação com a identidade brasileira. Em seus quadros, ela procura destacar a brasilidade e enaltecer a pátria-mãe. Assim sendo, é fácil notar a presença de elementos fortes como as cores vivas e os nomes sempre associados com a cultura indígena ou com referência à história brasileira.
Tarsila viajava muito pelo Brasil, buscando inspirações em diversas culturas, nas arquiteturas das cidades ou nas paisagens naturais e, constantemente, unia a tradição às teorias e práticas cubistas. Isso pode ser observado, por exemplo, nos movimentos Pau-Brasil e Antropofágico, em que ela estabelece um paralelo entre a arquitetura barroca das cidades e a técnica cubista, com formas geométricas.
Em suma, Tarsila propunha que os artistas brasileiros (de todas as áreas) conhecessem bem a arte feita na Europa, mas que deveriam aplicá-la dentro da estética brasileira, inspirada nos modelos europeus.
Tarsila do Amaral também inovou ao abordar em seus quadros temas sociais e cotidianos.
Em 1963, ela ganha uma sala especial na Bienal de São Paulo dedicada a contar a sua obra. Entre as obras desta fase, podemos citar as mais conhecidas: Operários (1933) e “Segunda Classe”.
Saiba mais
Durante as comemorações dos 450 anos da cidade de São Paulo, em 2004, a Rede Globo produziu a minissérie Um Só Coração, que contava os bastidores da vida artística da cidade nas proximidades da Semana da Arte Moderna de 22.
A minissérie presta homenagem aos principais modernistas do Brasil e ajuda a compreender como foi o contexto histórico do movimento modernista no nosso país. A atriz Eliane Giardini interpreta Tarsila do Amaral, abaixo você pode conferir algumas cenas da pintora:
Quem quiser conhecer mais sobre as obras e a vida de Tarsila do Amaral, pode adquirir o livro “Tarsila do Amaral”, da coleção Grandes Mestres das Artes no Brasil, publicado pela Editora Moderna:
Tarsila do Amaral

Coleção Mestres das Artes no Brasil
Autor: Ângela Braga, Lígia Rego
Faixa etária: A partir de 08 anos
Tema transversal: Pluralidade Cultural
Número de páginas: 32
Visite também o site oficial da pintora










