UNIDADE 3 ANTIGUIDADE CLÁSSICA

CAPÍTULO 9 IMPÉRIO E CULTURA ROMANA

Os romanos realizaram trocas culturais com diversos povos – como gregos e egípcios – e também difundiram elementos de sua cultura por meio da arte, do direito, da língua e da religião.

O latim era a língua falada pelos romanos. Essa língua influenciou a formação de diversos idiomas, incluindo o português. A língua portuguesa teve origem em uma província romana chamada Lusitânia, que corresponde à região atual de Portugal e Espanha.

Ícone. Atividade oral.

responda oralmente

para começar

Por que você acha que Roma é conhecida como “cidade eterna”?

Fotografia. Vista da fachada de um panteão, com colunas frontais, um teto triangular e escritas no topo, na horizontal. À frente, pessoas transitam.
Fachada do Panteão, em Roma, Itália. Fotografia de 2021. O edifício do Panteão romano foi encomendado durante o governo de Otávio Augusto e era um templo dedicado a todos os deuses.
Orientações e sugestões didáticas

Habilidades da Bê êne cê cê

  • ê éfe zero seis agá ih um três
  • ê éfe zero seis agá ih um quatro
  • ê éfe zero seis agá ih um cinco
  • ê éfe zero seis agá ih um seis
  • ê éfe zero seis agá ih um sete

Objetivos do capítulo

Os objetivos a seguir se justificam no capítulo em razão de seu tema, o império e a cultura na Roma antiga, e de assuntos correlatos, como o apogeu e a crise do Império Romano, a construção de obras colossais como o Coliseu e os aquedutos, palácios, templos e monumentos, a difusão da língua do império, o latim, que deu origem a várias outras línguas, incluindo o português, o desenvolvimento do Direito e a oficialização do cristianismo como religião do império.

  • Compreender o conceito de “império” no mundo antigo, com base na análise da sociedade romana.
  • Conhecer os principais aspectos do Império Romano, de sua instauração ao seu declínio.
  • Conhecer produções culturais romanas, com destaque para a arquitetura, o Direito, a língua e a religião.
  • Refletir sobre as influências da cultura romana nas sociedades ocidentais.

Para começar

Resposta pessoal, em parte. A expressão “cidade eterna” aplicada a Roma refere-se, por exemplo, ao longo período de assentamento populacional nessa cidade. Além disso, a expressão remete à perenidade da influência cultural romana. Essa influência pode ser demonstrada, por exemplo, pelo uso de línguas latinas (português, espanhol, francês, italiano e romeno) no mundo contemporâneo.

Fotografia. Vista de um teatro ao ar livre em ruínas. Ao centro há um palco com vários artistas, e ao redor, uma plateia de pessoas sentadas em níveis diferentes de altura. Ao fundo, dois andares de colunas cilíndricas.
Abertura de festival teatral da cidade de Mérida, Espanha, nas ruínas de um teatro romano construído no século um. Fotografia de 2021.
Fotografia. Um homem sentado sobre um banco, com o olhar voltado para telas na parede. Nas telas estão expostas, repetidas vezes, as palavras “Não”, em vermelho, e “vence”, em branco.
Exposição no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, São Paulo. Fotografia de 2022. A língua portuguesa derivou-se do latim e atualmente é falada por mais de 282 milhões de pessoas nos cinco continentes.
Orientações e sugestões didáticas

Alerta ao professor

A abertura de capítulo, bem como o boxe “Para começar”, favorece o desenvolvimento das competências cê gê um, cê gê dois, cê gê três, cê ê cê agá cinco, cê ê agá um e cê ê agá cinco.

Império

Após a morte de Júlio César e de uma série de disputas políticas, seu sobrinho Otávio tornou-se governante de Roma. Ao assumir o governo, Otávio acumulou poderes e títulos, como o de augusto (“divino” ou “sagrado”) e o de comandante supremo das forças militares. Ele diminuiu o poder do Senado e passou a nomear pessoas de sua confiança para os cargos mais importantes.

De acordo com alguns historiadores, o governo de Otávio Augusto marca, em termos práticos, o início do ­Império ­Romano, que durou de 27 antes de Cristo até 476 e atingiu sua maior ­extensão territorial no século dois Em latim, a palavra ­imperium significa “comando”, “autoridade suprema”.

O império é uma fórma de governo monárquico na qual um poder centralizado controla um amplo território e uma numerosa população. Nessa fórma de governo, o impe­rador era a autoridade máxima, atuando como chefe militar, ­administrativo e religioso. Com o acúmulo de poderes, para evitar rebeliões, o imperador precisava dialogar e manter um bom relacionamento com diversos grupos sociais.

Domínio romano (séculos I a.C.-II d.C.)

Mapa. Domínio romano (séculos um antes de Cristo a dois depois de Cristo). Destaque para áreas da Europa, África e Ásia dominada pelos romanos. Em verde, áreas compreendendo Conquistas feitas durante a República, abrangendo Lusitânia, Hispânia, Aquitânia, Gália, Bélgica, Cisalpina, Itália, Ilíria, Epiro, Macedônia, Acaia, Frígia, Lídia, Bitínia, Paflagônia, Judeia, Cilícia, Capadócia Cirenaica e Tripolitânia. Em vermelho, áreas compreendendo Conquistas feitas até o fim do século dois, incluindo Bretanha, Récia, Helvécia, Panônia, Dalmácia, Mésia, Trácia, Dácia, Armênia, Ponto, Galácia, Lícia, Mesopotâmia, Síria, Império Parto, Babilônia, Egito e Mauritânia. Destacadas por um quadrado preto, as cidades importantes: Roma, Atenas, Ctesifon, Alexandria e Cartago. Destacadas por um círculo preto, cidades: Gades, Olisipo (Lisboa), Málaca, Valência, Sagunto, Toledo, Narbona, Massília (Marselha), Gênova, Milão, Lyon, Lutécia (Paris), Trèves, Aquileia, Ravena, Pisa, Ancona, Nápoles, Tarento, Crotona, Messina, Régio, Agrigento, Siracusa, Corinto, Esparta, Tessalônica, Bizâncio, Sinope, Heracleia, Nicomédia, Pérgamo, Éfeso, Salamina, Selêucia, Tarso, Antioquia, Trípoli, Damasco, Tiro, Cesareia, Jerusalém, Gaza, Pelúsio, Apolônia, Berenice, Trípoli, Hadrumeto e Útica, na área em verde; Londres, Niceia, Trento, Aquíneo (Budapeste), Ólbia, Odessa, Apolônia, Teodósia, Cesareia, Icônio, Palmira, Mênfis e Tíngis, na área em vermelho. No canto inferior direito, rosa dos ventos e escala de 0 a 350 quilômetros.
Fontes: ATLAS da história do mundo. São Paulo: Folha de São Paulo/Times Books, 1985. página 88-89; KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. Atlas histórico mundial: de los orígenes a la Revolución Francesa. Madri: Istmo, 1982. página 102.

Clique no play e acompanhe as informações do vídeo.

Ícone. Ponto seguido de dois arcos inclinados à direita indicando o boxe Dica: internet.

dica internet

O Coliseu

Disponível em: https://oeds.link/M9pzXQ. Acesso em: 6 março 2022.

O site oficial do Coliseu oferece passeios virtuais a vários sítios históricos de Roma, como o Panteão, o Fórum, entre outros.

Ícone. Livro aberto indicando o boxe Dica: livro.

dica livro

ROSS, Stewart. Roma antiga. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2007.

Ilustrações, painéis e textos apresentam aspectos da vida e dos costumes do Império Romano.

Orientações e sugestões didáticas

Texto de aprofundamento

O texto a seguir trata da implementação de uma nova ordem que garantiria a construção de uma unidade no Império Romano.

Uma nova ordem

“Um aspecto importante no que se refere à construção de uma unidade do império está vinculado à posição do imperador. Nunca se tratou de um cargo legalmente regulado, mas que delimitava uma unidade político-institucional, para além do aspecto de unidade identitária. Essa posição se manteve pouco clara do ponto de vista institucional e dependia da construção de um consenso político em torno de um indivíduo que detinha a posição mais alta nas hierarquias compósitas do império. Para manter esse consenso, cada imperador se esforçou para gerar uma distribuição de benefícios e construir uma imagem de que nada acontecia no império sem sua anuência. Mais do que apenas uma referência simbólica, o imperador era o polo para onde convergiam os diversos grupos que se constituíam no interior do império, seja qual fosse o viés de suas identidades.

Os primeiros cem anos do império foram de adaptações institucionais. Roma, a capital, continuou a ser o centro do poder, mas agora de um poder imperial. Muitas das instituições da velha pólis foram mantidas, embora reformuladas. reticências

A plebe de Roma, que chegava a quase um milhão de habitantes, perdeu seu poder legislativo e foi acolhida na clientela de Augusto, que garantiu o abastecimento de trigo, gratuito ou mais barato. Os imperadores reforçaram uma antiga política de distribuição de dinheiro e de promoção de festividades – que culminariam nos grandes centros de diversão da plebe (o circo), onde se realizavam corridas de cavalo, o teatro e, mais tarde, nos anos 70 Depois de Cristo, o grande anfiteatro do Coliseu.

Houve um reordenamento progressivo das províncias, com o estabelecimento de impostos mais precisos – tanto sobre as cidades como sobre o comércio nos portos [...]. Nos seus dois primeiros séculos, o império funcionava, ainda, como uma aliança de cidades: algumas eram livres, outras aliadas, outras colônias, outras ainda eram municípios, que recebiam sua ordenação a partir de Roma. Só aos poucos, nos séculos seguintes, seus estatutos foram uniformizados. reticências

A principal base política de sustentação do império sempre foram as cidades. reticências. Era através das cidades que o poder se exercia, que a paz se mantinha e que os impostos eram cobrados, através de uma aliança entre suas elites e o imperador. Muitos historiadores consideram, hoje, o império uma aliança conservadora das elites urbanas com o poder imperial. O império suprimiu, como os antigos reinos helenísticos não haviam conseguido, qualquer possibilidade de revolta local, que era rapidamente anulada.”

GUARINELLO, N. L. História antiga. São Paulo: Contexto, 2013. página 141-143.

Alerta ao professor

O texto “Império”, incluindo seus subitens, favorece o desenvolvimento das competências cê gê um, cê ê cê agá cinco, cê ê cê agá sete, cê ê agá um, cê ê agá quatro e cê ê agá cinco, bem como contribui para o desenvolvimento das habilidades ê éfe zero seis agá ih um três, ê éfe zero seis agá ih um cinco, ê éfe zero seis agá ih um seis e ê éfe zero seis agá ih um sete ao conceituar “império” na Roma antiga, apresentar dinâmicas comerciais no Mediterrâneo, caracterizar fórmas de abastecimento e organização social no Império Romano e, por conseguinte, aspectos sobre a escravidão e o trabalho livre no mundo romano antigo.

Pax Romana

O governo de Otávio deu início a um período chamado de Pax Romana (Paz Romana), que durou mais de dois séculos. Esse longo período foi marcado por certa estabilidade política e prosperidade. Foram construídas grandes obras, como edifícios, aquedutos, estradas, portos e anfiteatros.

Durante o século dois, o Império Romano atingiu seu tamanho máximo: cêrca de 4 milhões de quilômetros quadrados, onde alguns calculam que viviam mais ou menos 70 milhões de pessoas. Dessa população, aproximadamente um terço era formado por pessoas escravizadas.

Os custos para sustentar o Império Romano, porém, eram elevados. Para manter a administração pública, a fôrça militar e o luxo da elite, muitos impostos eram cobrados de seus habitantes. Isso gerava revoltas.

Com o fim das conquistas militares, o exército procurou garantir a obediência das províncias ao governo central. Embora ocorressem revoltas contra o poder imperial, as rebeliões eram rapidamente contidas pelas fôrças militares de Roma.

Desenvolvimento econômico

Durante os dois primeiros séculos do império, a economia romana teve grande desenvolvimento. Observemos suas principais atividades:

  • exploravam-se ouro e prata na Espanha, na Dácia (atuais Romênia e Moldávia) e na Bretanha (atual Reino Unido);
  • traziam-se cavalos, alimentos e tecidos da Gália (que corres­pondia principalmente à atual França);
  • produziam-se grandes quantidades de trigo no Egito;
  • negociavam-se algodão, especiarias e pedras preciosas da Índia.

Diversos outros produtos vinham da Arábia e da China. Havia um comércio ativo com o norte da África. O destino da maioria desses produtos era Roma, de onde eram distribuídos para as demais províncias do império.

Várias causas estimularam o desenvolvimento da economia romana, especialmente o comércio. Entre elas, destacaram-se a existência de uma moeda comum (o denário), a aplicação do Direito romano e a construção de estradas, pontes e portos ligando diversas regiões do império.

Moeda. Frente de uma moeda metálica redonda, com a imagem de um homem visto de perfil.
Frente de moeda romana, o denário, com a figura do imperador Otávio Augusto, século um.
Moeda. Verso de uma moeda metálica redonda, com a imagem de um animal de quatro patas e um longo rabo traseiro.
Verso do denário, século um.
Ícone. Atividade oral.

responda oralmente

para pensar

Você já viajou para lugares distantes de sua casa? Para onde?

Orientações e sugestões didáticas

Alerta ao professor

O boxe “Para pensar” contribui para o desenvolvimento das competências cê gê oito e cê ê cê agá sete.

Para pensar

Resposta pessoal. O objetivo da atividade é aproximar os assuntos estudados das vivências pessoais dos estudantes. É possível indagar o estudante sobre o que ele aprendeu em sua viagem e que vias de transporte utilizou. Comente que, na época do Império Romano, os meios de transporte e comunicação eram mais restritos do que na atualidade. No entanto, esses meios são fundamentais para a realização de trocas culturais e econômicas, tanto na Roma antiga quanto hoje.

OUTRAS HISTÓRIAS

Pão e circo

Roma foi uma das maiores cidades do mundo antigo. No séculodois, tinha mais de 1 milhão de habitantes, boa parte deles sem trabalho contínuo.

Havia tensão social pelas ruas, pois o desemprego e a falta de ­alimentos atingiam grandes proporções. Para controlar a situação, as autoridades distribuíam alguma comida e promoviam espetáculos. Eram tantos espetáculos e festas que o calendário chegou a ter mais de cem feriados por ano.

O poeta latino Juvenal, que viveu em Roma entre os séculos ume dois, criticou os romanos dessa época por não quererem mais do que “pão e circo”.

A elite de Roma, no entanto, não foi capaz de garantir comida e lazer a todas as pessoas pobres. Nas ruas, nas praças, nas oficinas, nos mercados ou nas tabernas, os próprios plebeus buscavam meios para sobreviver e se divertir.

Pintura. Homens sobre espécie de carroças de duas rodas, puxadas por cavalos, chamadas bigas, em uma arena. Eles seguram cordas e laços com as mãos. Ao redor, pessoas em arquibancadas, em ambos os lados da arena, em uma grande construção com muros altos dispostos de forma circular.
A corrida de bigas, pintura de Alexander von Wagner, cêrca de 1882. As disputas de bigas aconteciam em um espaço chamado Circo Máximo, local de livre acesso a toda a população, incluindo mulheres e plebeus.
Fotografia. Vista de ruínas de grande construção em pedra, com aberturas em forma de arcos. Ao redor há árvores e um campo gramado extenso.
Ruínas do Circo Máximo, em Roma, Itália. Fotografia de 2019.

Responda no caderno

Atividades

  1. Com que objetivo a política do “pão e circo” foi criada pelas autoridades na Roma antiga?
  2. Que tipo de espetáculo divertia os romanos nessa época?
Orientações e sugestões didáticas

Alerta ao professor

O boxe “Outras histórias” intitulado “Pão e circo” favorece o desenvolvimento das competências cê gê um, cê gê quatro, cê ê agá cinco e cê ê agá seteponto

Outras histórias

  1. O objetivo da política do “pão e circo” era controlar a grande população romana que vivia pelas ruas e a tensão social do período, pois o desemprego e a falta de alimentos atingiam elevadas proporções. Para isso, as autoridades distribuíam alimentos (pão) e promoviam espetáculos públicos (circo). Em latim, circus se refere a um local circular destinado à apresentação de espetáculos.
  2. É possível dizer que a população romana se divertia de várias maneiras. Durante o império, sobretudo, havia espetáculos públicos, como combates de gladiadores, corridas de bigas e apresentações de ginastas e equilibristas. Além disso, comente com os estudantes que os mais ricos se divertiam fazendo banquetes e festas.

Crise do império

A partir do século III, o Império Romano entrou em crise e passou por transformações que levaram à sua divisão. Com seu imenso território, o império tinha muitas despesas. Era preciso sustentar funcionários administrativos e soldados em diversas províncias. Para isso, o governo aumentava os impostos e emitia mais moedas. Assim, os preços subiam e o dinheiro perdia valor, no processo conhecido como inflação.

Para enfrentar as dificuldades, os latifundiários criaram o colonato. Nesse sistema, o camponês, chamado colono, cultivava um pedaço de terra e entregava ao proprietário parte da colheita. Alguns colonos eram ex-escravizados libertos e camponeses livres empobrecidos que tinham perdido suas terras. Nessa época, a insegurança das cidades e a busca por alimentos fizeram muita gente migrar para o campo.

A crise agravou-se quando os romanos tiveram de enfrentar a pressão ­militar de povos estrangeiros. Esses povos – hunos, germanos, celtas, eslavos –, ­denominados bárbaros pelos romanos, tinham outras culturas, outros modos de ser e de viver e não falavam o latim.

Os efeitos da crise foram maiores na parte ocidental do império. Percebendo isso, o imperador Constantino decidiu mudar a capital do Império Romano para a parte oriental em 330. Assim, ele mandou remodelar a cidade de Bizâncio (na atual Turquia), que passou a ser chamada Constantinopla.

Anos mais tarde, em 395, o Império Romano foi dividido em duas grandes partes: o Império do Ocidente, com séde em Roma, e o Império do Oriente, com séde em Constantinopla.

Com o aumento dos ataques externos, ocorreu a queda do Império ­Romano do Ocidente em 476. Já o Império Romano do Oriente transformou-se e sobre­viveu até 1453, quando os turcos conquis­taram Constantinopla.

Divisão do Império Romano (final do século IV)

Mapa. Divisão do Império Romano (final do século quatro). Destaque para partes da Europa, da Ásia e da África banhadas pelos mares Mediterrâneo, Jônico, Egeu, Negro, Adriático e Tirreno. Em roxo, Império Romano do Ocidente, compreendendo a maior parte das porções europeia e africana e o território ao norte da porção asiática do antigo Império Romano, incluindo as cidades importantes de Roma e Cartago e, de oeste para leste, as cidades de Tíngis, Cartago Nova (Cartagena), Londres, Lutécia (Paris), Gênova, Trípoli e Nápoles. Em laranja, Império Romano do Oriente, compreendendo uma pequena porção da Europa e da África e a maior parte do território asiático do antigo Império Romano, incluindo a cidade importante de Alexandria e, de oeste para leste, as cidades de Esparta, Constantinopla, Jerusalém, Damasco e Trípoli. No canto inferior direito, rosa dos ventos e escala de 0 a 460 quilômetros.
Fonte: KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. Atlas histórico mundial: de los orígenes a la Revolución Francesa. Madri: Istmo, 1982.página 104.

Responda no caderno

Ícone. Lupa indicando o boxe Observando o mapa.

observando o mapa

Quais cidades destacadas no mapa estão localizadas mais a leste (Império Romano do Oriente)? E mais a oeste (Império Romano do Ocidente)?

Orientações e sugestões didáticas

Alerta ao professor

O texto “Crise do império” favorece o desenvolvimento da habilidade ê éfe zero seis agá ih um quatro, ao abordar o contato dos romanos com povos estrangeiros, denominados “bárbaros”. Já o boxe “Observando o mapa” contribui para o desenvolvimento da competência cê ê cê agá seteponto

Observando o mapa

As cidades em destaque no mapa que estão localizadas mais a leste são Trípoli, Damasco e Jerusalém. E, mais a oeste, estão localizadas Tíngis, Londres e Cartago Nova.

Atividade complementar

1. Pesquise em um dicionário os significados atuais da palavra ”bárbaro”.

Resposta: Após os resultados levantados pelos estudantes, comente as ambiguidades da palavra “bárbaro” e a bipolaridade entre “civilizado” e “bárbaro”. Explique, por exemplo, que a pessoa ou grupo social que se autointitula “civilizado” constrói sua identidade em relação a quem considera “bárbaro”. Mais do que uma relação de oposição, trata-se de uma relação de complementariedade, porque o “civilizado” precisa do “bárbaro” para definir sua própria identidade.

2. Você já usou a palavra “bárbaro”? Com qual significado?

Resposta: Resposta pessoal. Solicite aos estudantes que deem exemplos de frases em que aparece a palavra “bárbaro” e, depois, identifiquem o sentido que a palavra apresenta na frase. Comente que a palavra “bárbaro” era usada pelos romanos para designar os povos que viviam fóra das fronteiras do Império Romano e não falavam o latim. Além dos romanos, os gregos usavam a mesma palavra para se referir a todos os que não faziam parte de seu mundo (Hélade), ou seja, que não falavam a língua grega nem compartilhavam seus costumes. Assim, a palavra “bárbaro” era usada por esses povos com um sentido etnocêntrico.

Arquitetura romana

A arquitetura romana destacou-se como a arte capaz de combinar o útil com o belo. Os romanos construíram, por exemplo, anfiteatros, termas, aquedutos, templos, palácios e monumentos.

Com as conquistas militares, as construções tornaram-se mais elaboradas, demonstrando a riqueza da sociedade romana. A arquitetura adquiriu um aspecto grandioso com a introdução de elementos como as abóbadas, as cúpulas e as colunas de origens gregas. Além disso, essas construções foram decoradas com diversas esculturas.

Coliseu e as lutas de gladiadores

O Anfiteatro Flávio, mais conhecido como Coliseu, foi construído entre os anos de 72 e 80. As obras começaram por ordem do imperador Flávio Vespasiano e terminaram durante o governo de seu filho e sucessor Tito.

Essa obra monumental tinha uma estrutura elíptica de 188 metros de comprimento, 155 metros de largura e 57 ­metros de altura. Assim, o Coliseu tornou-se o maior anfiteatro romano, com capacidade para cêrca de 50 mil pessoas.

Nas arenas do Coliseu, ocorriam diversos eventos, como apresentações teatrais e lutas de gladiadores. Em geral, os ­gladiadores eram pessoas escravizadas ou prisioneiros que lutavam entre si ou com animais ferozes para entreter o ­público. As lutas ocorreram no Coliseu até 404, quando o impe­rador Flávio Honório proibiu esse tipo de entretenimento.

Imagem: Fotografia. Vista aérea de construção circular em ruínas. Há arquibancadas altas ao redor do centro. Na parte inferior há pessoas.
Vista aérea do Coliseu de Roma. Fotografia de 2020.
Titulo do Infografico

Texto do Infografico

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    Ícone. Atividade oral.

    responda oralmente

    para pensar

    Em sua avaliação, que construção atual lembra o Coliseu? Reflita e comente com os colegas.

    Ícone. Livro aberto indicando o boxe Dica: livro.

    dica livro

    ANDE, Edna. Roma: arte na Idade Antiga. São Paulo: Callis, 2011.

    A obra faz um panorama sobre a arte produzida na Roma antiga.

    Orientações e sugestões didáticas

    Alerta ao professor

    O texto “Arquitetura romana”, incluindo seus subitens, favorece o desenvolvimento das competências cê gê um, cê gê dois, cê gê três e cê ê agá umponto Já o boxe “Para pensar” contribui para o desenvolvimento das competências cê gê dois, cê ê cê agá cinco e cê ê agá trêsponto

    Para pensar

    Resposta pessoal. O estudante pode mencionar os estádios de futebol, as arenas de boxe, de ême ême á (sigla em inglês de Mixed Martial Arts – “Artes Marciais Mistas”), ou outras construções onde o espetáculo principal acontece na parte central e o público ocupa o entorno. Os estádios de futebol também costumam ser a céu aberto, mais um aspecto de semelhança com a arquitetura do Coliseu romano.

    Termas, aquedutos e arcos do triunfo

    As termas eram lugares para banhos, práticas esportivas e culturais. Elas eram encontradas em todas as grandes cidades romanas. Só na Roma do século quatro havia cêrca de mil termas. As termas contavam com fornos para fornecimento de água quente, morna e fria, salas de massagem e de ginástica, além de quadras de esportes. Nesses locais, havia também bibliotecas, salas de música e salões para conversar.

    Aqueduto é uma construção que conduz água de uma fonte até um reservatório na cidade. Os aquedutos começaram a ser construídos nos domínios romanos a partir do século quatro antes de Cristo Os romanos achavam tão importante ter acesso à água fresca que havia mais de 400 quilômetros de aquedutos só em Roma, fornecendocêrcade 300 milhões de litros de água por dia aos moradores da cidade.

    Os arcos do triunfo são um tipo de monumento decorativo em formato de arco construído em locais públicos. Geralmente, tinham como objetivo homenagear gover­nantes ou militares que sobressaíam em guerras. Esses homens e seus comandados costumavam desfilar pelas ruas de Roma e passar sob o arco, exibindo consigo as riquezas e os prisioneiros de guerra, que acabariam sendo escravizados.

    Direito

    O desenvolvimento do Direito foi uma das principais características culturais da Roma antiga. Os romanos criaram um conjunto de leis que foram aplicadas em seus vastos domínios e se referiam a muitos aspectos da vida social.

    Desde o primeiro código escrito (a Lei das Doze Tábuas, do século cinco antes de Cristo), as leis se ampliaram e passaram por muitas modificações. Em 212, por meio de um edito do imperador Caracala, foi concedida a cidadania romana a todos os habitantes livres das províncias do Império Romano. Esse ato contribuiu para consolidar a unidade jurídica do império.

    Mas nem tudo o que estava escrito nas leis era devidamente cumprido na prática social. Existia muita desigualdade na vida cotidiana, e isso se refletia na aplicação das leis. Por exemplo, um cidadão pobre que processasse um cidadão poderoso teria muita dificuldade em ganhar o processo.

    Atualmente, os cursos de Direito ensinam alguns princípios jurídicos romanos. Por isso, é comum advogados, promotores públicos e juízes citarem certas frases em latim. Um princípio jurídico romano conhecido até hoje diz “a cada um o que é seu”. Esse princípio traz a ideia de que devemos conhecer nossos direitos e respeitar os direitos dos outros.

    Ícone. Atividade oral.

    responda oralmente

    para pensar

    Por que é importante conhecer seus direitos e respeitar os direitos dos outros? Você acha que, no dia a dia, as pessoas costumam se respeitar? Debata o assunto e exponha seus argumentos para os colegas.

    Orientações e sugestões didáticas

    Texto de aprofundamento

    Leia a seguir um texto sobre os arcos na arquitetura romana escrito pelo historiador da arte Ernst Gombrich.

    O uso de arcos na arquitetura romana

    “A mais importante característica da arquitetura romana é reticências o uso de arcos. Essa invenção teve reduzida ou nenhuma importância nas edificações gregas, embora possivelmente não fosse desconhecida dos arquitetos gregos. Construir um arco com pedras separadas em fórma de cunha é uma dificílima façanha de engenharia. Uma vez dominada essa arte, o construtor pode utilizá-la para projetos cada vez mais ousados. Pode multiplicar os pilares de uma ponte ou de um aqueduto, ou até fazer uso desse recurso para construir um teto abobadado. Os romanos tornaram-se grandes especialistas na arte da construção de abóbadas, graças a diversos expedientes de natureza técnica. O mais maravilhoso dos seus edifícios é o Panteão, um templo dedicado a todos os deuses. É o único templo da Antiguidade Clássica que sempre se conservou como local de culto – sendo convertido em igreja no início da era cristã. Por essa razão, nunca se permitiu que se desfizesse em ruínas.”

    GOMBRICH, Ernst. A história da arte. Rio de Janeiro: éle tê cê, 1999. página119-121.

    Alerta ao professor

    O texto “Direito” favorece o desenvolvimento das competências cê gê um, cê gê três e cê ê agá umponto Já o boxe “Para pensar” contribui para o desenvolvimento das competências cê gê um, cê gê dois, cê gê quatro, cê gê sete, cê gê nove, cê ê cê agá um, cê ê cê agá dois, cê ê cê agá seis, cê ê agá um e cê ê agá trêsponto

    Para pensar

    Resposta pessoal, em parte. A atividade trabalha o tema contemporâneo transversal Educação em direitos humanos, ao estimular a reflexão dos estudantes sobre nossos direitos e também sobre o nosso dever de respeitar os direitos dos outros. Refletir sobre direitos e deveres é fundamental para a convivência em sociedade. Sugerimos ao professor acessar o projeto da Unesco: Ensinar respeito por todos: guia de implementação, 2018. Disponível em: https://oeds.link/uudjhO. Acesso em: 5 maio 2022.

    Latim: a língua do império

    Roma foi fundada em uma região chamada Lácio (ou Latium) e seus habitantes falavam latim. Essa era a língua oficial do Império Romano.

    Com a expansão do império, o latim foi bastante difundido e, aos poucos, misturou-se com as línguas faladas nas províncias conquistadas. Dessa mistura, originaram-se várias línguas, como italiano, português, espanhol, catalão, francês e romeno. Em função de sua origem comum, essas línguas são chamadas de românicas ou neolatinas.

    As línguas neolatinas guardam semelhanças entre si. A seguir, observe as semelhanças nas traduções da frase em latim “Ars longa, vita brevis”, do médico grego Hipócrates:

    • português: “A arte é longa, a vida é curta”;
    • italiano: lártê lunga, la vita ê bréve;
    • espanhol: êl árte es lárgo, la vída ês côrta;
    • catalão: “L'art és llarg, la vida és curta”;
    • francês: lár ê lõn, la ví ê curt;
    • romeno: “Arta este lungă, viaţa este scurtă”.

    O português é a língua mais falada no hemisfério sul, contando com aproximadamente 282 milhões de falantes. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa cê pê éle pê estabeleceu a data de 5 de maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

    Línguas neolatinas no mundo atual

    Mapa. Línguas neolatinas no mundo atual. Planisfério político, com alguns países em destaque. Em vermelho, países que falam espanhol: Espanha, na Europa; México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Cuba, Jamaica, República Dominicana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Paraguai, Argentina e Uruguai, na América. Em verde claro, países que falam português: Portugal, na Europa; Brasil, na América; Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Angola e Moçambique, na África; Timor-Leste e a região administrativa de Macau, na Ásia. Em laranja, países que falam francês: França, Bélgica, Luxemburgo e parte da Suíça, na Europa; Canadá, Haiti e Guiana Francesa, na América; Senegal, Guiné, Costa do Marfim, Mali, Burkina Fasso, Togo, Benin, Níger, Chade, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Congo, Gabão, Burundi, Ruanda, Comores, Madagascar, Seychelles, na África; Polinésia Francesa, na Oceania. Em roxo, países que falam Catalão: parte de Espanha e Andorra, na Europa. Em verde escuro, países que falam italiano: Itália e parte da Suíça, na Europa. Em amarelo, países que falam Romeno: Romênia, Moldávia e parcelas da Sérvia e de Montenegro, na Europa. No canto inferior direito, rosa dos ventos e escala de 0 a 2.400 km.
    Fontes: CALDINI, Vera; ÍSOLA, Leda. Atlas geográfico Saraiva. São Paulo: Saraiva, 2013; í bê gê É Países. Disponível em: https://oeds.link/JmrwFF. Acesso em: 5 janeiro2021.
    Orientações e sugestões didáticas

    Texto de aprofundamento

    O texto a seguir aborda aspectos sobre o latim e a sua influência cultural no Ocidente.

    Latim

    A língua latina forjou uma continuidade cultural, que dura mais ou menos três mil anos. Ela constituiu-se como a fonte de um grandioso patrimônio espiritual e cultural, pelo qual o Ocidente se distingue na sua tradição antiga e cristã. reticências

    Primeiramente, a língua latina foi o dialeto da cidade de Roma (sermo urbanus). Ela permaneceu língua culta de toda a Europa, durante muito tempo, depois que deixou de ser falada. Foi veículo da cultura e das relações diplomáticas entre as nações europeias. Tornou-se a língua universal da Igreja Católica: na liturgia e nos documentos oficiais. Na Botânica, na Zoologia, na Medicina, no Direito, na Teologia e na Filosofia encontram-se não só uma terminologia de identidade científica em língua latina, mas, também, um amplo cultivo do latim.

    reticências com o esfacelamento do Império Romano, o latim, que era falado em seu vasto território, passou a se desenvolver, independentemente, em cada região. Sem ter mais o poder centralizador e vivificador de Roma, veio a desaparecer, principalmente, no Oriente, mas, no Ocidente, transformou-se em outras línguas novas. Deste modo, na realidade, o próprio latim continuado – com as alterações impostas pelo tempo e pelas circunstâncias locais –,transforma-se no que se denomina atualmente de línguas românicas ou neolatinas, cujas principais são o português, o espanhol, o francês, o provençal, o italiano e o romeno.”

    SANTOS, Gilson Magno dos. A cultura latina na contemporaneidade. In: décimo primeiro Semana de Mobilização Científica – Semoc. Agenda 21: compromisso com a vida. Salvador, 2008. página 1. Disponível em: https://oeds.link/l0sVgw. Acesso em: 5 maio 2022.

    Vida religiosa

    Os romanos eram politeístas, isto é, adoravam muitos deuses. Ao entrarem em contato com a Grécia, eles incorporaram as divindades gregas em sua cultura, as quais receberam nomes latinos. Observe o quadro a seguir.

    Nome grego

    Nome latino

    Zeus – deus do céu e senhor do Olimpo

    Júpiter

    Hera – esposa (e irmã) de Zeus

    Juno

    Atena – deusa da inteligência

    Minerva

    Ares – deus da guerra

    Marte

    Afrodite – deusa do amor e da beleza

    Vênus

    Apolo – deus da razão

    Apolo

    Ártemis – deusa da Lua, da caça e da fecundidade

    Diana

    Hermes – deus do comércio e da comunicação

    Mercúrio

    Escultura. Homem de cabelos encaracolados e curtos, desnudo, vestindo uma capa nas costas e sobre o ombro e uma faixa sobre seu peito.
    Apolo, escultura romana do século dois, cópia da obra original do escultor grego Leocares.
    Escultura. Mulher de cabelos encaracolados e presos, vestindo uma túnica, com um cesto com flechas nas costas. Ao seu lado, um cervo com galhadas de chifres na cabeça.
    Diana, escultura romana do séculodois, cópia de original grego produzido no séculoquatro antes de Cristo

    A vida religiosa romana tinha um aspecto prático. ­Diversos cultos eram realizados para agradar aos deuses e para receber seus favores em assuntos do cotidiano – como agricultura, saúde, caça, vitória em guerras e sorte na navegação.

    A religião era considerada uma das bases do Estado e um importante instrumento político. Assim, o Senado tinha como função, entre outras atividades, zelar pelas tradições religiosas.

    Além das cerimônias públicas organizadas pelo Estado, os romanos também cultuavam seus antepassados. Os deuses que protegiam as famílias eram chamados de Lares.

    Ao longo do tempo, a vida religiosa em Roma passou por inúmeras transformações. Uma delas ocorreu durante o império. Foi em uma província romana que surgiu o cristianismo.

    Orientações e sugestões didáticas

    Texto de aprofundamento

    Leia a seguir um texto elaborado pelos autores desta coleção com base no livro O tempo passa, de Sônia Irene Silva do Carmo (São Paulo: sêmp/SEE-São Paulo, 1989).

    Os nomes dos dias da semana e dos meses

    Após os romanos tornarem-se cristãos, o primeiro dia, domingo, foi dedicado a Deus – dies dominica, ou seja, dia do Senhor; o segundo dia, dedicado à Lua (Lunae dies); o terceiro, a Marte (Martii dies); o quarto, a Mercúrio (Mercurii dies); o quinto, a Júpiter (Jovis dies); o sexto, a Vênus (Veneris dies); e o sétimo, a Saturno (Saturni dies). No Brasil, apenas sábado e domingo revelam a origem, mas, em línguas latinas como o espanhol, é possível perceber a semelhança em todos os outros dias da semana: lunes, martes, miércoles, jueves, viernes.

    Os nomes dos meses também têm origem romana. Inicialmente, o ano era dividido pelos romanos em dez meses, sendo março o primeiro, em homenagem a Marte, deus da guerra. Abril vem de aprillis, espuma do mar de onde teria vindo a deusa Vênus. Maio é homenagem a Maia, outra deusa romana. Junho é em homenagem a Juno, deusa protetora da moeda e do comércio. Julho e agosto homenageiam os imperadores Júlio César e Otávio Augusto, respectivamente. Setembro, outubro, novembro e dezembro receberam seus nomes por serem o sétimo, oitavo, nono e décimo meses. Posteriormente, foram acrescentados janeiro e fevereiro: homenagem a Janus, deus que protegia as portas e entradas de Roma, e a Februa, festas de purificação que ocorriam nesse período.

    Texto elaborado pelos autores.

    Alerta ao professor

    O texto “Vida religiosa”, incluindo seus subitens, favorece o desenvolvimento das competências cê gê um, cê gê três, cê ê cê agá cinco, cê ê agá um e cê ê agá cincoponto

    O judaísmo e o cristianismo

    O Império Romano conquistou vários territórios na Europa, na África, na Ásia e no Oriente Médio. Nessas regiões, os romanos estabeleceram províncias. Numa delas, localizada no Oriente Médio, na região da Palestina, desenvolveu-se parte da história do povo hebreu.

    Para estudar o povo hebreu, os historiadores utilizam fontes como vestígios arque­ológicos e livros religiosos, com destaque para a Torá, que corresponde aos cinco primeiros livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).

    De acordo com a narrativa religiosa, Moisés conduziu os hebreus até a região da ­Palestina. Durante esse caminho, Moisés recebeu de Deus (Iavé) os dez mandamentos. Assim, firmou-se a crença desse povo em um deus único e se desenvolveu o judaísmo (religião dos hebreus). No entanto, antes dos hebreus, outros povos da Antiguidade já acreditavam na existência de um só Deus.

    Com base na crença em um Deus único e supremo (monoteísmo), o judaísmo concebeu um Deus que exigia um comportamento ético de seus seguidores, que se preocupava com os laços de solidariedade de seu povo. Mais tarde, os fundamentos do judaísmo foram assimilados por duas novas religiões: o cristianismo e o islamismo.

    No século I, os hebreus da Palestina viviam sob o domínio do Império Romano. Eles celebravam seus cultos religiosos no Templo de Jerusalém e em várias sinagogas que se espalhavam pelas cidades e aldeias da região. Os princípios religiosos do judaísmo eram ensinados pelos rabinos, os líderes espirituais da comunidade judaica.

    Escultura. Entalhe em uma pedra, representando um grupo de homens enfileirados, carregando um baú com diversos objetos, entre os quais um candelabro de sete braços, símbolo do judaísmo.
    Entalhe em pedra representando o exército romano ao se apossar de objetos do Templo de Jerusalém. O entalhe é uma parte do Arco de Tito, construído no final do século um para celebrar a conquista de Jerusalém. Durante a conquista, os romanos saquearam e destruíram esse templo.
    Orientações e sugestões didáticas

    Texto de aprofundamento

    Leia o texto a seguir, em que o historiador Norberto Luiz Guarinello discorre sobre a inserção do cristianismo no Império Romano.

    A difusão do cristianismo no Império Romano

    “[O cristianismo] Originalmente, não foi mais que uma seita dentro do judaísmo. Sua expansão pelo Mediterrâneo, contudo, foi um sintoma da insatisfação contra o império. Um descontentamento que se expressava de fórma religiosa, dado o fechamento das fronteiras políticas, mas cujas consequências atingiam a própria legitimidade do poder. Os cristãos, nos dois primeiros séculos, pregavam o afastamento da vida das cidades, de seus hábitos e de sua ética. Sem confrontar o império diretamente, sua postura apolítica era também uma ética de não participação, de crítica à sociedade existente. Algumas frases contidas nos evangelhos são contundentes contra os princípios da ordem dominante: dar a outra face, desprezar os bens terrenos e distribuí-los, criticar os ricos e pregar a humildade. [...fecha colchete

    O grande diferencial dos cristãos localizava-se não apenas em uma enorme devoção religiosa, mas também na progressiva constituição de uma rede mediterrânica, num sistema de circulação de cartas e textos sagrados e no estabelecimento de grupos formais dentro das cidades. Penetravam nos espaços domésticos das casas e muitos dos primeiros convertidos eram mulheres – que, por sinal, não tinham lugar no espaço público. Um dos segredos da difusão do cristianismo foi, portanto, sua inserção nas redes de comunicação entre o mar e as terras e a progressiva construção de uma história e de uma memória, ou seja, de uma identidade que unia pessoas de uma ponta a outra do império. Mesmo sem revoltas abertas, é difícil imaginar um credo mais subversivo do que este, que negava a idade, o luxo, os poderes terrenos. Nos séculos seguintes, a partir do processo de sua integração com as cidades, surgiram vários cristianismos e diferentes interpretações dos textos considerados sagrados. Um dos grandes problemas do cristianismo futuro seria precisamente o de interpretar uma das mais célebres passagens do Evangelho de Mateus: que era mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um homem rico entrar no reino dos céus.”

    GUARINELLO, Norberto Luiz. Ensaios sobre História antiga. São Paulo: Contexto, 2013.página 148-149.

    Mensagem do cristianismo

    Foi também na Palestina que, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus Cristo, na época do imperador Otávio Augusto. Os ensinamentos de Jesus Cristo constituem o ponto central do cristianismo, uma nova religião que marcou profundamente a vida cultural dos povos ocidentais. Depois da morte de Jesus, nas primeiras décadas do século I, sua mensagem foi ­difundida por seus discípulos.

    Aos poucos, a nova religião espalhou-se pelo Império Romano. No início, os mais interessados no cristianismo eram os pobres e os escravizados. Eles se convertiam esperando alcançar a paz e a vida eterna e, assim, ­conseguir a “salvação”.

    Os cristãos passaram a se opor à religião oficial romana. Por isso, foram perseguidos por imperadores e autoridades. Apesar das perseguições, o cristianismo foi conquistando lentamente novos seguidores. No final do século II, muitos romanos, até mesmo das elites sociais, também aderiram ao cristianismo. Foi nessa época que um conjunto de textos, os evangelhos, tornou-se a referência cristã para contar a história da vida e dos ensinamentos de Cristo.

    Tentando manter a unidade do império, os últimos imperadores ­romanos usaram a religião para aproximar os soldados e os povos conquistados. Em 313, o imperador Constantino fez leis que permitiam liberdade ­religiosa para os cristãos. A partir de então, os cristãos puderam construir igrejas e praticar seus cultos publicamente.

    Com o tempo, o cristianismo passou a contar com mais apoio do ­Estado e a organizar suas instituições. O latim tornou-se a língua dos cultos ­cristãos na parte ocidental do império, enquanto o grego era a língua usada nos cultos na parte oriental.

    Assim, foi se desenvolvendo uma igreja dos ­cristãos, a Igreja Católica. A palavra “católica” significa “universal”, ­referindo-se a uma igreja que não perten­ceria apenas a um povo, mas a todos os povos. A origem desse nome revela o objetivo da nova igreja, que seria converter todos ao cristianismo. Em 391, o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano e todos os outros cultos foram proibidos.

    Mosaico. Imagem de uma mulher, ao centro, vestindo uma túnica escura, segurando uma criança em seu colo. Nas laterais há dois homens, ambos vestindo mantos dourados com detalhes pretos, segurando templos com as mãos. Todos possuem auréolas circulares ao redor de suas cabeças.
    Mosaico do século treze, da Igreja de Santa Sofia em Istambul, Turquia, mostra o imperador Justiniano (à esquerda) oferecendo um modelo da Igreja de Santa Sofia à Virgem Maria com o menino Jesus no colo (centro), e o imperador Constantino (à direita) oferecendo um modelo da cidade de Constantinopla (atual Istambul).

    OFICINA DE HISTÓRIA

    Responda no caderno

    Conferir e refletir

    1. Atualmente, algumas fórmas de diversão pública da Roma antiga podem nos parecer muito violentas, como as lutas de gladiadores, por exemplo. No entanto, seria anacrônico julgá-las com base em nossos valores. Levando isso em conta, formem grupos e debatam as questões a seguir.

    1. A violência deixou de ser um espetáculo? Dê exemplos da atualidade.
    2. O que mudou e o que permaneceu desde os antigos romanos até nossos dias em relação à violência?
    3. Por que a violência atrai tanto a atenção das pessoas?

    2. Os romanos construíram monumentos arquitetônicos conhecidos como arcos do triunfo. Observe a fotografia de um desses monumentos.

    Fotografia. Um arco construído com colunas e paredes de pedra. As laterais possuem aberturas menores, também em formato de arcos. Ao redor, árvores altas com copas volumosas.
    Arco de Constantino localizado em Roma, inaugurado em 315. Fotografia de 2021.
    1. Com que objetivo os romanos construíam arcos do triunfo?
    2. Atualmente, ainda são construídos monumentos em comemoração de vitórias esportivas, guerras ou conquistas científicas? Faça uma pesquisa e dê alguns exemplos.

    Interpretar texto e imagem

    3. Leia com atenção o texto a seguir.

    “Ao contrário do que se vê em filmes, a luta de gladiadores não se destinava à mera diversão do povo, nem a luta era até a morte. Ao final de cada combate, o perdedor devia retirar o capacete e oferecer o próprio pescoço ao vencedor, que não podia tirar-lhe a vida de motu proprio [por vontade própria]. Também não cabia ao magistrado ou ao imperador decidir o destino do perdedor: apenas os espectadores podiam fazê-lo. A decisão estava nas mãos da multidão [...]. O princípio da soberania popular manifestava-se, na arena, de fórma direta e incisiva. Se nas eleições as mulheres não tinham direito ao voto, na arena todos podiam manifestar-se [...]. A condenação à morte tampouco era o resultado de um simples capricho, da mera avaliação de superioridade física de um lutador sobre outro. O principal quesito para que o perdedor fosse poupado era ter mostrado valentia.”

    FUNARI, pê pê A cidadania entre os romanos. In: PINSKY, J.; PINSKY, C. B. organizaçãoponto História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2010.página 71-72.

    1. Segundo o autor, quem decidia o destino do perdedor nos jogos de gladiadores?
    2. Como o autor associa os jogos de gladiadores à cidadania na Roma antiga?
    Orientações e sugestões didáticas

    Alerta ao professor

    Esta seção favorece o desenvolvimento das seguintes competências da NCC:

    • cê gê um (atividades 1, 2 e 4);
    • cê gê dois (atividades 1, 2 e 4);
    • cê gê três (atividades 2 e 4);
    • cê gê quatro (atividade 1);
    • cê gê sete (atividade 1);
    • cê ê cê agá dois (atividade 1);
    • cê ê cê agá cinco (atividades 1 e 2);
    • cê ê cê agá seis (atividade 1);
    • cê ê agá um (atividades 1 e 2);
    • cê ê agá três (atividades 1, 2 e 4);
    • cê ê agá quatro (atividade 3).

    Oficina de História

    Conferir e refletir

      1. , b) e c) Procure mostrar que a violência ainda é utilizada como espetáculo para a população, citando como exemplo jornais e programas de televisão denominados “sensacionalistas”, que veiculam crimes, brigas familiares e assassinatos, sem respeitar princípios éticos. Pode-se também discutir a violência em filmes, desenhos animados, histórias em quadrinhos, videogames etcétera Para finalizar o debate, pergunte aos estudantes se eles consideram nossa sociedade violenta; se essa violência é criticada na mídia ou é estimulada por ela (ou por algumas fórmas de lazer atuais). Se considerar oportuno, escolha uma música para tocar em sala e leve a letra para os estudantes analisarem. Sugestões de música: Ismália, Emicida; Maria da Vila Matilde, Elza Soares; Polícia e desordem, Titãs; Pivete, Chico Buarque; O beco, Paralamas do Sucesso; Esmola, Skank; Que país é esse?, Legião Urbana.
      1. Os romanos construíam arcos do triunfo para comemorar vitórias militares, conquistas e a fundação de cidades.

    b) Atualmente é raro realizar a construção de monumentos tão grandiosos quanto arcos do triunfo, mas é comum a criação de estátuas, esculturas, obeliscos e, eventualmente, memoriais. Liste na lousa os monumentos citados pelos estudantes e/ou procure dar exemplos que existam na região.

    Interpretar texto e imagem

    3. a) De acordo com o autor, o destino dos gladiadores estava nas mãos da multidão, que decidia se um gladiador morreria ou não de acordo com a valentia demonstrada em combate.

    b) Após os jogos, todos os que estavam presentes podiam participar da decisão de condenar ou não um gladiador à morte. Assim, as pessoas, sem distinção, participavam da vida pública, o que constituía uma importante afirmação da cidadania na Roma antiga.

    integrar com arte

    4. A seguir, conheça um roteiro básico que pode ser utilizado para interpretar esculturas como a do ­imperador Vespasiano.

    Escultura. Busto de um homem, com os olhos abertos, a testa franzida e os lábios finos.
    Escultura do imperador Vespasiano, produzida por volta de 70 Depois de Cristo, por autor desconhecido. Feita de mármore, com altura de 135 centímetros.
    1. Quais são os elementos essenciais de uma obra ­artística para ela ser chamada de escultura? Pesquise.
    2. Em que época essa escultura foi produzida? Quem é seu autor?
    3. Utilize o quadro a seguir para analisar e descrever a escultura do imperador Vespasiano.
    Observação e análise

    Tipos

    Relevo

    Baixo-relevo

    Alto-relevo

    Figuras incrustadas

    Figura livre

    Estátua (uma figura completa)

    Busto (tórax e cabeça)

    Grupo (junção de várias figuras)

    Material empregado

    Pedra (mármore, granito, basalto etc.)

    Metal (bronze, alumínio, ferro etc.)

    Barro

    Madeira

    Outros (corda, plástico etc.)

    Tema

    Mitológico

    Paisagem

    Religioso

    Militar

    Animais

    Outros (retratos etc.)

    1. Escreva um pequeno texto sobre a escultura levando em conta os elementos que você analisou.
    2. Selecione uma escultura contemporânea e, com base nesta atividade, crie uma sequência de passos que você pode utilizar para interpretá-la.
    Orientações e sugestões didáticas

    4. Atividade interdisciplinar com Arte que trabalha aspectos do pensamento computacional.

    1. O objetivo desta atividade é levar o estudante a definir, com suas palavras, o que é uma escultura. A escultura é uma das artes plásticas, juntamente com pintura, gravura, fotografia etcétera A escultura se caracteriza por ser uma representação artística tridimensional.
    1. A escultura do imperador Vespasiano foi produzida por volta de 70 Depois de Cristo, por autor desconhecido. Atualmente, encontra-se no Museu Arqueológico de Nápoles, na Itália.
    2. O estudante pode elaborar uma ficha identificando as características da escultura. A escultura de Vespasiano é um busto, feito de mármore, tendo como tema o retrato de uma figura política.
    3. O pequeno texto deve conter, por exemplo, uma descrição da obra, uma interpretação do significado dos elementos da escultura etcétera Segundo o historiador da arte Ernst Gombrich, na época imperial, o busto de um imperador como Vespasiano era objeto de veneração. Por exemplo, os romanos queimavam incenso diante desses bustos para demonstrar reverência e lealdade ao imperador. Os cristãos foram perseguidos por sua recusa em venerar o imperador. Para eles, só deviam veneração ao Deus único do cristianismo. Embora os bustos de imperadores fossem objeto de veneração, os artistas romanos tinham liberdade para construir essas figuras de uma maneira mais realista, com naturalidade. Por isso, o busto de Vespasiano se parece com o retrato de homem comum. Não há nada nesse busto que lembre um ser especial e divino.
    4. O objetivo desta atividade é instigar os estudantes a formular e aplicar padrões de análise de escultura em outras obras desse gênero. O roteiro apresentado nesta atividade pode servir como um padrão inicial de análise.