UNIDADE 7 AMÉRICA: ORGANIZAÇÕES, CONFLITOS E INTEGRAÇÃO

Nesta Unidade vamos estudar as organizações mundiais e regionais e sua atuação nos países do continente americano. Em seguida, estudaremos áreas de conflitos e tensões nas regiões de fronteiras dos países americanos, além de outros impasses nas relações entre eles. Concluiremos o estudo conhecendo aspectos da faixa de fronteira do Brasil e das cidades-gêmeas, a busca da integração física e energética entre os países da América do Sul e a presença do Brasil na Antártida.

A plenária da ônu é o lugar onde ocorre a Assembleia Geral das Nações Unidas. Todos os países-membros dessa organização participam desse evento, que ocorre desde 1946.

Essa Assembleia é o único órgão da ônu em que os membros participam de maneira igualitária das negociações. O Brasil, tradicionalmente, abre as reuniões da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Fotografia. Vista interna de um grande salão com piso esverdeado, algumas fileiras de mesas horizontais com cadeiras e microfones preenchem a maior parte da imagem. À direita, o púlpito com escadas de acesso laterais e, atrás do púlpito, uma grande parede dourada com o brasão da ONU. Nas laterais da parede dourada, dois telões, e, na extensão da parede, cabines de trabalho interno. À esquerda e atrás das fileiras de cadeira, uma parede com uma pintura nas cores branca, vermelha e preta.
Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres faz o discurso inaugural na 73ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova iórque, Estados Unidos (2018).
Ícone. Boxe Verifique sua bagagem. Composto por uma placa amarela com um semáforo no centro.

VERIFIQUE SUA BAGAGEM

  1. Você sabe o que é a ônu, quando e por que ela foi criada?
  2. Você conhece alguma organização internacional mundial ou regional? Se sim, qual é a função dela?
  3. Em 1991, o Brasil formou um bloco econômico com Argentina, Uruguai e Paraguai. Qual é a sigla desse bloco e o seu significado?
Orientações e sugestões didáticas

Unidade 7

Esta Unidade aborda as organizações internacionais mundiais e regionais, especialmente as que atuam nos países americanos, visando promover a cooperação em âmbitos político, econômico, social e cultural e a integração. Aborda também a existência de tensões e conflitos na América Latina. Explora as relações nas zonas de fronteira do Brasil e os desafios para a integração sul-americana. Por fim, caracteriza continente antártico, ressaltando sua importância científica e as relações dele com a América do Sul, sobretudo o Brasil.

O Percurso 25 oferece atenção especial à ônu e a alguns de seus órgãos. O Percurso 26 aborda o Mercosúl, a ô ê á, a unassul, o prossúle a ó ê Í. O Percurso 27 refere-se a casos de disputas territoriais e aos desafios na construção da paz. O Percurso 28 discute dinâmicas de fronteiras do Brasil e sua presença na Antártida.

Explore os recursos didáticos disponibilizados no livro do aluno, destacando os boxes de indicações de leituras, sites e filmes (Quem lê viaja mais, Navegar é preciso e Pausa para o cinema). Observe as orientações deste manual e as atividades complementares. Em conjunto, esses materiais permitem ir além do texto, favorecendo o processo de ensino-aprendizagem.

Respostas

  1. A ônu é a Organização das Nações Unidas, criada imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, em 1945. Seu objetivo inicial e principal, até os dias atuais, é promover a manutenção da paz por meio de resoluções pacíficas e de segurança coletiva entre os países. Outros objetivos da ônu são defender os direitos humanos e promover o desenvolvimento social e econômico de seus países ou Estados-membros.
  2. Sonde os conhecimentos prévios dos alunos a respeito de uma ou mais organizações internacionais mundiais ou regionais e seus respectivos objetivos. Verifique se eles associam a existência desses atores internacionais com os esforços de cooperação para a resolução de problemas referentes às relações entre países.
  3. Mercosúl (Mercado Comum do Sul).

PERCURSO 25 ORGANIZAÇÕES MUNDIAIS

1. O que são organizações mundiais?

As organizações mundiais, também chamadas de organismos internacionais, são associações que reúnem países ou Estados com o propósito de cooperarem entre si na resolução de problemas ou impasses de âmbito político, econômico, social e cultural, além de outros no contexto mundial.

A ônu: objetivos e origem

A Organização das Nações Unidas (ônu) tem como objetivos assegurar a paz por meio da resolução pacífica de conflitos que coloquem em risco a segurança coletiva, defender os direitos humanos e promover o desenvolvimento social e econômico entre os países ou Estados-membros.

A ônu está sediada em Nova iórque e, até meados de 2022, a instituição contava com 193 países-membros.

Criada em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a ônu substituiu a Sociedade das Nações, ou Liga das Nações, concebida após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e marcada por não conseguir evitar um novo conflito armado no mundo.

Alguns órgãos da ônu

A ônu é composta de vários órgãos e agências especializados, destacando-se o Conselho de Segurança, o Fundo Monetário Internacional (éfe ême í) e o Banco Mundial.

Fotografia. Área externa da sede da ONU. No primeiro plano, um espaço com grama verde, uma cerca viva a meia altura, retangular, fechando o perímetro das instalações. Atrás da cerca verde, diversos mastros com bandeiras de países lado a lado.  À esquerda, um prédio alto e espelhado. Ao fundo, um prédio menor, espelhado.
séde da ônu em Nova iórque, Estados Unidos (2021).
Ícone. Seção Navegar é preciso.

NAVEGAR É PRECISO

Nações Unidas do Brasil

https://oeds.link/9Rmy2a

Com várias informações sobre os órgãos e programas especializados da ônu, esse site permite visualizar notícias e publicações dessa organização, como o acesso na íntegra à Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Ícone. Seção Quem lê viaja mais.

QUEM LÊ VIAJA MAIS

QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de.

Nascemos livres: a Declaração Universal dos Direitos Humanos em imagens. São Paulo: ésse eme, 2008.

Adaptação livre dos 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, acompanhada de imagens resultantes do trabalho de 28 artistas de diversos países.

Orientações e sugestões didáticas

O mais recente país-membro da ônu é o Sudão do Sul, independente do Sudão desde 2011. Não fazem parte da ônu: taiuã, na Ásia, considerada pela República Popular da China uma de suas províncias; cossôvo, na Europa, que, apesar de sua declaração unilateral de independência da Sérvia em 2008, não foi reconhecido por todos os países-membros; Saara Ocidental, na África, que, apesar de sua declaração de independência da Espanha e de Marrocos em 1976, não foi reconhecido internacionalmente, e os impasses continuam até hoje; o Vaticano, na Europa, e a Palestina, na Ásia, que têm a condição de observadores da ônu.

Percurso 25

Ao longo deste Percurso, serão abordados assuntos relacionados ao tema organizações mundiais, destacando-se a ônu e algumas de suas instituições. Discute-se nele também um exemplo de impasse comercial envolvendo o Brasil e resolvido por uma organização mundial, a ó ême cê. Em seguida, são discutidos a importância da unêsco e o reconhecimento de patrimônios culturais da humanidade na América Latina feito por essa organização, destacando-se o Brasil.

Habilidade da Bê êne cê cê

ê éfe zero oito gê ê zero seis

Os assuntos do Percurso 25 auxiliam os alunos a analisar o que são e para que servem as organizações mundiais, com enfoque na ônu e em alguns de seus órgãos. Leve-os a refletir sobre a função e as ações dessas instituições no cenário internacional, bem como seus impactos nos seus lugares de vivência. Tenha em mente a relevância dessas organizações internacionais em promover o debate, a cooperação e a articulação de países em escalas mundial e regional.

Conselho de Segurança

O Conselho de Segurança é formado por representantes de quinze Estados-membros: cinco permanentes, com direito a veto a qualquer decisão (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido), e dez rotativos (o Brasil participou no biênio 2022-2023). O organismo tem poder para aprovar embargos a países, ações armadas e missões de paz. Há anos países que não usufruem uma vaga permanente no Conselho de Segurança reivindicam sua reforma, inclusive o Brasil, que nos últimos anos tem integrado as fôrças de Paz da ônu, compostas de efetivos militares de diversos países para atuar em áreas de conflitos (consulte o mapa). Entre 2004 e 2017, o Brasil manteve tropas no Haiti.

Mundo: missões de paz da ônu – 2019

Mapa. Mundo: missões de paz da ONU em 2019. Planisfério representando as missões de paz da ONU em ocorrência para o ano de 2019. As missões se concentram no continente africano, Oriente Médio, Ásia e uma ocorrência no sudeste da Europa. Destaque para as regiões no continente africano: Mali, Saara Ocidental, Darfur (Sudão), República Centro-Africana, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Abyei (Sudão); No Oriente Médio: Líbano, Chipre, Síria; Europa central: Kosovo; na Ásia: Paquistão e Índia.  Abaixo, à esquerda, rosa dos ventos e escala de 0 a 2.540 quilômetros.

Fonte: UNITED Nations peacekeeping operacions: map. número quatro mil duzentas e cinquenta e nove. New York: ,2019. Disponível em: https://oeds.link/Cjdcxa. Acesso em: 9 junho 2022.

Fotografia.  Um grupo de quatro soldados em pé, segurando fuzis, usando roupas militares com a bandeira do Brasil estampada na parte superior da manga do casaco, capacetes azuis com a sigla "UN", óculos escuros.
Soldados brasileiros da Missão da ônu para a Estabilização do Haiti (mainustá) patrulham ruas de Porto Príncipe, capital do Haiti (2017).

Fundo Monetário Internacional

O éfe ême í é uma agência da ônu fundada em 1945 que atua mundialmente para promover e assegurar a cooperação e a estabilidade dos sistemas financeiros e monetários, além de prestar assistência técnica em assuntos econômicos aos países-membros.

Vários países latino-americanos, inclusive o Brasil, já recorreram aos empréstimos do éfe ême í para sanar dificuldades econômicas.

Fotografia. Em uma rua, atrás da faixa de pedestres, pessoas alinhadas horizontalmente seguram uma faixa com os dizeres: "La Deuda es con el pueblo. No con el FMI". Atrás dessas pessoas, uma multidão segue com outros cartazes e faixas, ocupando o asfalto. Nas laterais, prédios altos de arquitetura neoclássica.
Muitas críticas são dirigidas ao éfe ême í, principalmente por parte dos movimentos sociais de diversos países, em razão de o órgão impor aos governos que solicitam empréstimos medidas severas de contenção de gastos públicos, que acabam por afetar as populações. Na foto, manifestantes protestam contra a negociação entre o governo da Argentina e o éfe ême í, em Buenos Aires, Argentina (2021).
Orientações e sugestões didáticas

Comente com os alunos o papel da ônu no sistema internacional e reflita com eles sobre como, em 2020, a pandemia de covíd-19 e as crises sanitária, econômica, social e ambiental decorrentes evidenciaram a necessidade de se aprofundar no mundo os mecanismos de atuação coletiva. Pondere que a pandemia também evidenciou a crise do multilateralismo, ao trazer à tona a competição entre duas grandes potências, os Estados Unidos e a China, e a crise de legitimidade pela qual passou a ônu diante de suas fragilidades para fazer face à emergência de novos polos de poder e levar avante a reforma do Conselho de Segurança. Para uma análise a respeito, sugerimos consultar o texto a seguir: LIMA, Maria R. S. de; ALBUQUERQUE, Marianna. Instituições multilaterais e governança global: cenários de reorganização das estruturas de governança global e perspectivas do multilateralismo nas próximas décadas. Rio de Janeiro: Fundação osvaldo Cruz, 2021. página 7-22 (Textos para Discussão; número 59).

Atividade complementar

Comente a foto e a legenda do protesto contra o éfe ême í na Argentina. Com base nessa imagem, solicite aos alunos que busquem informações, em jornais, revistas, sites, livros etcétera., sobre os mais recentes protestos contra o éfe ême í nos países da América Latina. Solicite aos alunos que identifiquem: a) os tipos de mobilizações que foram organizadas, como passeatas; b) os locais em que os protestos foram realizados; e c) as principais críticas feitas ao éfe ême í nesses protestos.

Colabore nas pesquisas, orientando reflexões sobre essas questões.

Tema contemporâneo transversal

Discuta assuntos pertinentes ao tema Educação Financeira e Fiscal. Partindo da explicação da atuação do éfe ême í em escala global, destaque que, quando um país em dificuldade financeira solicita empréstimos a esse órgão, este, por sua vez, impõe certas restrições à política econômica, como a redução de gastos públicos, que podem acarretar a diminuição dos investimentos produtivos, sociais e em infraestrutura, levando o país a apresentar menor crescimento econômico, com consequências para a sua população. Assim como acontece com os países, as pessoas também precisam aprender a lidar com o dinheiro, isto é, a ser capazes de gerir bem suas finanças pessoais, tomando decisões seguras sobre o que comprar, quanto gastar, onde e em que investir etcétera.

Banco Mundial

O Banco Mundial foi fundado na mesma época que o éfe ême í e também é uma agência especializada da ônu. Inicialmente chamado Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (bârd), foi o principal agente financeiro dos processos de reconstrução de países europeus após a Segunda Guerra Mundial.

Ícone. Seção Quem lê viaja mais.

QUEM LÊ VIAJA MAIS

millê damiãn tussãn ériqui.

50 perguntas, 50 respostas sobre a dívida, o éfe ême í e o Banco Mundial. São Paulo: Boitempo Editorial, 2006.

Estruturado em fórma de perguntas e respostas, o livro mostra a atuação do éfe ême í e do Banco Mundial, bem como suas implicações nos países menos desenvolvidos.

Organização Mundial do Comércio

Diferentemente do éfe ême í e do Banco Mundial, que têm séde em Washington D.C. (Estados Unidos), a Organização Mundial do Comércio (ó ême cê) está sediada na cidade de Genebra, na Suíça. Criada em 1995 em substituição ao Acordo Geral de Comércio e Tarifas (, sigla em inglês para General Agreement on Tariffs and Trade), de 1944, a ó ême cê é uma organização ligada à ônu que tem como objetivo fixar as regras do comércio mundial, visando ampliá-lo.

Em busca desse objetivo, a ó ême cê atende os governos que se sentem prejudicados no comércio mundial. Além disso, organiza rodadas de negociação entre seus países-membros, visando à obtenção de acordos em impasses no comércio mundial.

2. Brasil: exemplo de impasse comercial e a ó ême cê

O Brasil já vivenciou situações de impasse comercial com outros países que tiveram resolução por intermédio da ó ême cê. Um caso emblemático envolveu as exportações de suco de laranja do Brasil para os Estados Unidos, entre 2009 e 2013. Durante esse período, o governo estadunidense acionou a ó ême cê alegando que o Brasil estaria vendendo o suco a preços inferiores aos do mercado brasileiro, com o objetivo de obter vantagem competitiva em relação aos produtores dos Estados Unidos. Por esse motivo, o governo estadunidense impôs uma taxa elevada à importação do suco de laranja produzido no Brasil, protegendo, assim, a sua indústria nacional. Com a mediação da ó ême cê, esse impasse foi resolvido em 2013, quando o governo dos Estados Unidos reconheceu que sua alegação era indevida e aceitou diminuir o percentual da taxa de importação.

Fotografia. No centro da foto, galpões com torres cilíndricas altas soltando fumaça branca; ao lado, outros conjuntos de galpões com estruturas de exaustores no teto. Ao redor, vias de acesso para carros, tonéis e vegetação. Ao fundo, área urbanizada.
O Brasil tem sido o maior produtor mundial de suco de laranja: respondeu por 79% do suco comercializado no mundo, em 2020. Na foto, ao centro, indústria de suco de laranja no município de Matão, São Paulo (2018).
Orientações e sugestões didáticas

Retome e discuta os conhecimentos prévios dos alunos sobre conceitos relacionados ao comércio exterior e à influência das transnacionais na organização do espaço de produção mundial, assuntos estudados no Percurso 11 da Unidade 3 deste volume (páginas 98 e 99).

Interdisciplinaridade

Em parceria com o professor de História, aborde o contexto em que o éfe ême í e o Banco Mundial foram criados: o Acordo de Bretton Woods, nos Estados Unidos, em 1944. Ressalte que foi nessa ocasião que o dólar se tornou a referência mundial para as transações financeiras, aspecto que contribuiu para tornar os Estados Unidos um país economicamente hegemônico no cenário internacional.

• Reflexo do impasse comercial no lugar de vivência

No Brasil, esse impasse comercial deixou marcas nos lugares onde são desenvolvidas atividades relacionadas à produção de suco de laranja.

A diminuição das exportações desse produto para os Estados Unidos, juntamente com a queda acentuada do seu consumo a partir de 2012, gerou uma crise no setor que afetou não somente a indústria de suco, como também os produtores de laranja, os fornecedores de produtos e equipamentos para a indústria, os transportadores e todo o conjunto de trabalhadores empregados no setor.

Com a crise o desemprego aumentou, e famílias que dependiam do trabalho nessas atividades passaram a enfrentar dificuldades. Outras atividades econômicas também foram impactadas, como o comércio e a prestação de serviços, ao mesmo tempo que os governos dos municípios, dos estados e da União foram afetados pela diminuição da arrecadação de impostos. Percebe-se, assim, como um fato isolado desencadeia uma série de consequências.

As principais localidades que sentiram o reflexo da crise (2009-2013) foram alguns municípios do estado de São Paulo e do Triângulo Mineiroglossário , que correspondem ao cinturão citrícola brasileiro (observe o mapa). Superada a crise, na safra de 2021/2022, essa região foi responsável por cêrca de 80% da produção nacional de laranja e por quase a totalidade da fabricação e exportação de suco dessa fruta pelo Brasil.

Estados de São Paulo e Minas Gerais: cinturão citrícola

Mapa. Estados de São Paulo e Minas Gerais: cinturão citrícola.  Mapa do estado de São Paulo e parte do estado de Minas Gerais, representando as áreas produtoras de laranja e a localização das fábricas de suco.  Áreas produtoras de laranja no cinturão citrícola: faixa central, norte e nordeste do estado de São Paulo e pequeno trecho na parte oeste de Minas Gerais.  Localização das fábricas de suco: concentração na porção norte e nordeste e um ponto isolado no oeste do estado de São Paulo.  Abaixo, à direita, rosa dos ventos e escala de 0 a 70 quilômetros.

Fonte: elaborado com base em NEVES, Marcos Fava (coordenação). O retrato da citricultura brasileira. Ribeirão Preto (São Paulo): , sem data. página 40. Disponível em: https://oeds.link/uBJA6Q. Acesso em: 7 março 2022.

Ícone. Seção No seu contexto.

NO SEU CONTEXTO

Você sabe de alguma crise na economia que afetou os moradores do seu lugar de vivência? Se sim, explique o que aconteceu.

Orientações e sugestões didáticas

As questões propostas no boxe No seu contexto contribuem para que o aluno desenvolva a capacidade de observação do seu espaço de vivência, percebendo as dificuldades que nele podem ocorrer, principalmente em momentos em que as crises econômicas e sociais se acentuam.

Apresente aos alunos outro importante caso de impasse comercial envolvendo o Brasil e que teve a resolução da ó ême cê: a disputa iniciada em meados da década de 1990 e cuja formalização do contencioso junto à ó ême cê ocorreu em 2017, envolvendo Brasil e Canadá, em que ambos questionavam os subsídios concedidos por cada país às empresas embraér (brasileira) e Bombardier (canadense). Esclareça que as duas empresas são fabricantes de modelos similares de aeronaves, portanto concorrentes na venda de seus aviões no mercado internacional. Em fevereiro de 2021, o governo brasileiro anunciou que o processo contra o Canadá, em que reprovava os subsídios fornecidos pelo governo canadense à Bombardier, foi encerrado. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores explicou que a disputa na ó ême cê mostrou-se insuficiente para amenizar os efeitos da concessão dos subsídios no setor de aviação comercial.

Interdisciplinaridade

Estimule os alunos a conhecer mais sobre a embraér, importante empresa aeronáutica criada no Brasil. Com o professor de História, podem ser desenvolvidos assuntos relativos ao contexto de criação da indústria aeronáutica no Brasil. Enfatizem que a criação da embraér fez parte de esforços do Estado para implantar políticas de substituição de importações.

3. A unêsco

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (unêsco) é uma agência especializada da ônu que colabora com os seus países-membros na área de educação, ciências, cultura e comunicação. Sua séde é em Paris, na França (observe a foto).

Na área da educação, a ônu atua por meio de associações com instituições de ensino para erradicar o analfabetismo, formar e qualificar professores em ensino técnico e profissionalizante, reformular currículos, promover a consciência em relação aos direitos humanos e à conquista da cidadaniaglossário etcétera.

Na América Latina, segundo a unêsco, Cuba cumpriu as metas do programa “Educação para todos”, elaborado por essa agência da ônu para garantir o acesso à educação em todos os níveis. O Paraguai e a Guiana, por exemplo, não têm cumprido essas metas, pois menos de 80% de suas crianças estão matriculadas no que corresponde ao nosso Ensino Fundamental. No Brasil, em 2019, cêrca de 98% das crianças de 6 a 14 anos estavam matriculadas no Ensino Fundamental, o que correspondia a uma população de mais de 26 milhões de alunos.

A unêsco e os patrimônios culturais da humanidade

A unêsco também atua para a preservação do patrimônio cultural material e imaterial da humanidade.

Patrimônio cultural material corresponde a monumentos, edifícios e sítios arqueológicosglossário que possuem valor histórico, científico, estético e antropológicoglossário . Incluído no patrimônio material encontra-se o patrimônio natural, ou seja, formações naturais, biológicas e geológicas importantes, como também abitás de espécies vegetais e animais ameaçadas de extinção e áreas que possuem valor científico e estético.

Patrimônio cultural imaterial corresponde às tradições culturais que comunidades recebem de seus antepassados e que podem ou não estar ameaçadas de desaparecimento – festas, danças, representações teatrais, línguas, dialetos, folclore etcétera.

Fotografia. Destaque para um prédio grande,  largo e curvo, não muito alto, com fachada de varandas envidraçadas. Na frente dele, uma rotatória com uma escultura artística no centro, vias de acesso à entrada do prédio. Ao fundo, à esquerda, uma torre alta na paisagem.
séde da unêsco em Paris, França (2019).
Ícone. Seção Navegar é preciso.

NAVEGAR É PRECISO

Representação da unêsco no Brasil

https://oeds.link/EOfx2z

Nesse site você encontra a lista do Patrimônio Mundial no Brasil.

Orientações e sugestões didáticas

Tema contemporâneo transversal

Trabalhe o tema Educação em Direitos Humanos. Se possível, converse com os alunos sobre Direito à Educação. Esclareça que esse é um direito previsto no artigo 26 na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que afirma que “toda pessoa tem direito à educação”. Isso significa que é um dever do Estado garantir aos cidadãos acesso a uma educação básica de qualidade. Aproveite e promova uma leitura conjunta de alguns dos principais trechos do documento Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem (disponível em: https://oeds.link/eF4z7A; acesso em: 3 março 2022).

A lista de patrimônios culturais materiais ou imateriais é longa, tanto no mundo como na América e no Brasil. Citando apenas alguns: a cidade de cúsco, no Peru, centro administrativo do Império Inca (foto A); centro histórico da cidade de cuênca, no Equador, de arquitetura espanhola; antiga cidade maia de ticál, na Guatemala (foto B); centro histórico de Ouro Preto, cidade de Minas Gerais, antiga Vila Rica, onde ocorreu a Inconfidência Mineira (foto C); centro histórico de Olinda, em Pernambuco, importante entreposto comercial do açúcar nos séculos dezesseis e dezessete; centro histórico de Salvador, capital da Bahia, a primeira capital do Brasil; além de muitos outros.

Fotografia. Vista de uma praça com árvores no centro, equipamentos de descanso e torres de iluminação. Nas laterais da praça, as calçadas e a rua. À esquerda, uma igreja com duas torres e um crucifixo no meio. À direita, casas térreas de telhado marrom. Ao fundo, montanhas e o horizonte.
Praça das Armas em cúsco, Peru (2020). Durante o Império Inca, a praça foi o centro administrativo, cultural e religioso da antiga capital e, em 1983, foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela unêsco.
Fotografia. Em uma área aberta, com grama verde e ruínas acinzentadas, destaque, ao lado direito, para uma grande construção em formato de pirâmide, com estrutura fina e redonda no topo. À esquerda, construções de pedras em degraus. Ao fundo, vegetação verde e árvores com copas mais altas.
Vestígios materiais da civilização maia no Parque Nacional de ticál, na Guatemala (2020). Em 1979, esse sítio arqueológico foi reconhecido como Patrimônio Mundial da Humanidade pela unêsco.
Fotografia. Vista para rua  larga, de paralelepípedos, com poucos carros e algumas pessoas caminhando nas calçadas. Nas laterais da rua,  casarões de arquitetura barroca, um ao lado do outro, com muitas janelas e portas grandes. Depois dos casarões, uma praça com um monumento alto e uma estátua no topo e uma igreja com uma torre no meio, diversas portas e janelas nos dois pavimentos. Ao fundo, montanhas e o céu azul com muitas nuvens brancas.
Praça Tiradentes em Ouro Preto, Minas Gerais (2020). Fundada em 1652, com o nome de Vila Rica, a cidade possui igrejas barrocas e casarios coloniais que testemunharam o período da mineração do ouro no Brasil Colônia. Pelo seu valor histórico, foi considerada Patrimônio da Humanidade pela unêsco em 1980.

São patrimônios culturais imateriais do Brasil: roda de capoeira, frevo, samba de roda, Círio de Nazaré (celebração religiosa de Belém do Pará)e diversos outros.

Quanto ao patrimônio natural, no Brasil a unêsco reconheceu: Parque Nacional do Iguaçu, na fronteira Paraná-Argentina; reservas da Mata Atlântica, nos estados do Paraná e São Paulo; reservas do Pantanal Mato-Grossense e do Cerrado; entre outros.

Ícone. Seção No seu contexto.

NO SEU CONTEXTO

Há algum Patrimônio Cultural da Humanidade na localidade onde você mora? Se não há, você acha que há monumentos, edifícios, sítios arqueológicos, formações naturais ou tradições culturais (dança, folclore, festa comemorativa etcétera.) que deveriam ser incluídos na lista da unêsco de patrimônios culturais da humanidade? Por quê?

Orientações e sugestões didáticas

As respostas às questões do boxe No seu contexto dependem da localidade e da existência de patrimônios culturais.

Mostre aos alunos que outras agências especializadas da ônu dedicam-se a temas importantes no mundo atual: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (fáo), Organização Internacional do Trabalho (ó í tê), Organização Mundial da Saúde (ó ême ésse) e Organização Mundial do Turismo (ó ême tê). Além dessas, vale destacar os programas e fundos da ônu que trabalham com o objetivo de melhorar as condições sociais e econômicas das populações: Fundo das Nações Unidas para a Infância (unicéfi), Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (áquinur) e outros. Há também organizações não governamentais (ônguis) que se destacam por suas ações no mundo: Anistia Internacional, Médicos Sem Fronteiras, Greenpeace, Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, além de outras empenhadas em melhorar a vida de diversas populações.

Competência

Pergunte aos alunos: “Por que é importante preservar o patrimônio cultural material e imaterial?” e “Como se pode contribuir para preservá-los?”. Com base nas respostas, promova discussão desenvolvendo a Competência Específica de Ciências Humanas 6: “Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva”.

Temas contemporâneos transversais

Aborde temas contemporâneos relativos à Vida Familiar e Social e à Diversidade Cultural ao trabalhar a questão do patrimônio cultural. Ressalte os patrimônios materiais e os patrimônios imateriais do Brasil e valorize as experiências dos alunos em relação aos patrimônios que conhecem.

PERCURSO 26 AMÉRICA: ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS REGIONAIS

1. O que são organizações internacionais regionais?

Com frequência, as pessoas se mobilizam ou formam grupos quando possuem um interesse comum: clube do livro, fã-clube, sindicato de trabalhadores, manifestações políticas e populares (foto), entre outros. Com os Estados ou países ocorre algo similar: unem-se buscando obter um benefício comum, como promover a integração econômica, desenvolver o comércio com outros países, garantir a defesa e a segurança de seus territórios e de suas populações e organizar ações para promover suas culturas.

Fotografia. Multidão aglomerada de frente para um trio elétrico ao fundo, com diversas pessoas no palco, onde há uma faixa com a palavra "TERRA". Atrás do trio, no alto, um grande balão redondo  com o desenho dos continentes, representando o globo terrestre. Ao fundo, céu entre nuvens e topos de prédios mais altos.
Artistas, indígenas e a ôngui Greenpeace promoveram Ato pela Terra contra a destruição do meio ambiente, em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, Distrito Federal (2022).

As organizações internacionais regionais podem agrupar países de um mesmo continente (escala continental), de parte dele (escala subcontinental) ou mesmo de diferentes continentes (intercontinental).

Esse tipo de organização também resulta de tratados internacionais intergovernamentais ou multilaterais, isto é, assinados por governos de vários Estados, e seus objetivos podem ser de ordem política, social, cultural, jurídica, militar, econômica, entre outras.

2. Noções básicas de comércio internacional

Quando um país exporta bens e serviços para outro, a empresa exportadora paga tarifas ou taxas sobre o que está exportando para o país onde ela atua, e o comprador do exterior paga ao seu país taxas de importação – são as chamadas tarifas alfandegáriasglossário .

Assim, quando o produto chega a seu destino, ao seu preço são adicionados os valores dessas taxas, tornando-o, geralmente, mais caro que os produtos similares fabricados no país que importou.

Muitos países adotam taxas elevadas para a importação de produtos estrangeiros com o objetivo de proteger os produtores locais da concorrência externa. A isso dá-se o nome de política comercial protecionista. O contrário dessa política é a liberalização comercial, que estudaremos a seguir.

Orientações e sugestões didáticas

Percurso 26

Este Percurso desenvolve conteúdos que permitem a compreensão das organizações internacionais regionais. Após definir o que as caracteriza, são mostradas noções de comércio internacional, chamando a atenção para o funcionamento e os objetivos das políticas comerciais protecionistas e liberalizantes. Na sequência, apresenta o benelúcs, primeiro bloco de integração econômica, o qual inspirou a formação de outros blocos pelo mundo. O Percurso analisa ainda a importância do Mercosúl, discorrendo sobre seus primeiros anos, alguns aspectos do comércio no interior do bloco e os limites e desafios a ser enfrentados na atualidade, especialmente as disputas e discordâncias entre Brasil e Argentina, principais economias do Mercosúl. Outras organizações internacionais regionais também são abordadas, como a ô ê á e a ó ê Í, além do enfraquecimento da unassul em 2019 e anos seguintes e a criação do prossúl.

Antes de iniciar o estudo do item 2, resgate com os alunos conceitos relativos ao comércio internacional, como exportação, importação e balança comercial, explicados no Percurso 11 da Unidade 3 deste volume (página 98).

Habilidades da Bê êne cê cê

  • ê éfe zero oito gê ê um dois
  • ê éfe zero oito gê ê dois dois

O conteúdo do Percurso 26 permite aos alunos que aprimorem sua compreensão sobre a função e as ações dos organismos de integração regional na América. Promova comparações entre essas distintas instituições e tenha em mente a importância de destacar as relações entre diferentes escalas geográficas, chamando a atenção para os impactos da atuação desses organismos na escala regional supranacional, na escala nacional e na escala local de vivência dos alunos.

O gráfico, na página 229, mostra a variação do intercâmbio comercial entre os países que integram o Mercosúl, contemplando, em parte, a habilidade ê éfe zero oito gê ê dois dois.

3. Os blocos econômicos

Os blocos econômicos são organizações internacionais criadas para facilitar e expandir as trocas comerciais entre os países-membros, promovendo o crescimento econômico e, em consequência, o desenvolvimento social. Para isso, são adotadas medidas como a redução ou a eliminação de tarifas alfandegárias, além de outras providências.

Foi na Europa que o primeiro bloco econômico se formou: o benelúcs, “Be” de Bélgica, “ne” de Netherlands (Países Baixos) e “lúcs” de Luxemburgo. Em 1948, os três países suprimiram tarifas alfandegárias com o objetivo de intensificar as trocas comerciais entre eles.

O benelúcs inspirou a formação de blocos econômicos em todo o mundo. A União Europeia (u ê) e a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (apéqui) são alguns exemplos.

Tipos de blocos econômicos regionais

A formação de blocos econômicos regionais, também chamados de organizações econômicas regionais, é uma das expressões geográficas mais visíveis no mundo contemporâneo. Atualmente, existem pelo menos quatro tipos de blocos econômicos, com características diversas.

Tipos de organização econômica regional

Esquema. Tipos de organização econômica regional.  Esquema composto de  quatro quadros numerados, com um diagrama colorido, legenda  e textos explicativos. A legenda indica: País-membro: um hexágono preto; Tarifas alfandegárias: um hexágono de linhas pretas, vazado. Circulação de bens e serviços: linha cheia preta; Livre circulação de pessoas: linha pontilhada preta; Moeda: círculo preto com um cifrão branco no centro. Quadro 1: Zona de livre-comércio. Diagrama composto de um hexágono retangular cuja metade esquerda está traçada na cor laranja e a metade direita na cor azul. Dentro desse hexágono há, à esquerda, um hexágono na cor laranja, de fundo branco, e, dentro dele, um cifrão na cor laranja. À direita, há um hexágono na cor azul, de fundo branco, com um cifrão azul dentro. Entre esses dois hexágonos há uma linha cheia roxa. Texto explicativo: Reduz ou elimina as tarifas alfandegárias sobre a importação e a exportação de produtos entre países-membros. Cada membro fixa as próprias tarifas alfandegárias no comércio com países não membros. Quadro 2: União aduaneira ou alfandegária. Diagrama composto de um hexágono retangular traçado na cor roxo. Dentro desse hexágono há, à esquerda, um hexágono na cor laranja, de fundo branco, e, dentro dele, um cifrão na cor laranja. À direita, há um hexágono na cor azul, de fundo branco, com um cifrão azul dentro. Entre esses dois hexágonos há uma linha cheia roxa. Texto explicativo: Elimina barreiras alfandegárias entre países-membros. Fixa tarifa comum externa aos países não membros que negociam com o bloco. Forma-se em torno de um ou mais grupos de produtos. Quadro 3: Mercado comum. Diagrama composto de um hexágono retangular traçado na cor roxa. Dentro desse hexágono há, à esquerda, um hexágono na cor laranja, de fundo branco, e, dentro dele, um cifrão na cor laranja. À direita, há um hexágono na cor azul, de fundo branco, com um cifrão azul dentro. Entre esses dois hexágonos há uma linha cheia roxa e, paralelamente a ela, uma linha pontilhada roxa. Texto explicativo:  prevê livre-comércio e eliminação de todas as tarifas alfandegárias e cotas de importação, além de livre circulação de pessoas, capitais e serviços entre países-membros. Permite a adoção de leis comuns em vários setores, como agrícola, industrial, energético e financeiro. Quadro 4: União econômica e monetária. Diagrama composto de um hexágono retangular traçado na cor roxa. Dentro desse hexágono há, à esquerda, um hexágono na cor laranja, de fundo roxo, e, dentro dele, um cifrão na cor branca. À direita, há um hexágono na cor azul, de fundo roxo, com um cifrão branco dentro. Entre esses dois hexágonos há uma linha cheia roxa e, paralelamente a ela, uma linha pontilhada roxa. Texto explicativo: Além de possuir um mercado comum, estabelece política monetária única (com a adoção de mesma moeda) e política de desenvolvimento econômico comum para países membros. Tem como objetivo a criação de cidadania única. Apresenta política externa comum.

Fonte: bonifássi, pascál. Atlas des relations internationales. Malakoff: Armand Colin, 2020. página 34-35.

Nota: Os diagramas representam de maneira simplificada as características das organizações econômicas regionais. Quanto mais elementos são compartilhados (representados em roxo), menor é a autonomia dos países dos blocos.

Orientações e sugestões didáticas

O assunto blocos econômicos é indissociável do processo de regionalização. A ideia de agrupar países com interesses comuns é a base para a compreensão dos blocos. Convém destacar, por isso, os distintos critérios e objetivos que motivam a formação de blocos econômicos, tal como se faz no processo de regionalização. Informe que os blocos promovem integração e, ao mesmo tempo, servem para cooperação, defesa e proteção de interesses partilhados por países-membros. Além disso, é importante considerar o impacto que os blocos econômicos geram no território, sobretudo no que diz respeito às infraestruturas de circulação (rodovias, hidrovias, aerovias, portos e aeroportos).

Atividades complementares

Em um mapa da Europa, solicite aos alunos que localizem os países-membros do benelúcs. Eles devem identificar onde estão suas respectivas capitais, determinar suas coordenadas geográficas e calcular as distâncias entre elas, usando, para isso, a escala do mapa. Com a finalidade de comparar essas distâncias no seu contexto, tomando o município de residência do aluno como referência, peça que identifiquem, em um mapa com escala adequada, municípios que estão aproximadamente na mesma distância daquelas observadas entre as capitais dos membros do benelúcs. Em seguida, pergunte: “Quais são os municípios que se enquadram nas distâncias estabelecidas?“ e “Esses municípios estão longe ou perto do município em que residem?”. Promova uma reflexão associando as noções de proximidade e de integração.

Com base nas informações do esquema que mostra os tipos de organização econômica regional, proponha outra atividade aos alunos, por meio das seguintes questões:

  1. Quais são as características das zonas de livre-comércio?
  2. Quais são os principais interesses da união aduaneira ou alfandegária?
  3. Que tipo de organização prevê livre-comércio, eliminação de tarifas alfandegárias e cotas de importação, livre circulação de pessoas, capitais e serviços, além da permissão de adoção de leis comuns em vários setores da economia?

• Os blocos econômicos na América

A formação de blocos econômicos é uma estratégia diante da alta competitividade no livre mercado internacional, pois cria uma zona de comercialização facilitada entre alguns países, graças aos acordos e pactos que estes estabelecem. Conheça algumas organizações econômicas regionais formadas no continente americano.

América: blocos econômicos – 2020

Mapa. América: blocos econômicos, 2020. Mapa do continente americano representando os blocos econômicos existentes, identificados no mapa por cores, hachuras e símbolos. USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá): abrange esses três países. Texto explicativo acompanha a legenda: zona de livre-comércio com o objetivo de  liberalizar o comércio entre os três países-membros;  entrou em vigor em 1994 e pode ser considerado  uma reação à criação da União Europeia (UE).  Aliança do Pacífico:  compreende Chile, Peru, Equador, Colômbia e México. Texto explicativo acompanha a legenda: fundada em 2011, é uma área  de integração comercial que pretende avançar até a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas. CAN (Comunidade Andina de Nações): composta por Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Texto explicativo acompanha a legenda: com sede em Lima, no Peru, essa organização foi criada em 1969, com a denominação Pacto Andino, para aumentar a integração econômica entre os países-membros. Em 1992, constituiu-se uma zona de livre comércio, mas várias dificuldades dos Estados-membros dificultam a real integração entre eles.  Aladi (Associação Latino-Americana de Integração): composta por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Chile, Peru, Colômbia, Cuba, México e Panamá. Texto explicativo acompanha a legenda:  fundada em 1980, tem sede em Montevidéu,  capital do Uruguai. Objetivos: integração econômica,  desenvolvimento social e estabelecimento de um mercado comum.  Alba-TCP (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos): composta por Bolívia, ilhas de Porto Rico, leste de Guatemala, Venezuela. Texto explicativo acompanha a legenda: fundada em 2004, além do objetivo de integração  econômica, visa à redução das desigualdades  sociais de seus países-membros. Sua sede é em Caracas, capital da Venezuela.  Comunidade e Mercado Comum do Caribe: composta por Guiana, Suriname, Porto Rico, Belize e ilhas da América Central ao norte da Venezuela, a sul e nordeste de Cuba. Texto explicativo acompanha a legenda: hoje denominada Comunidade do Caribe (Caricom). Fundada em 1973, é um bloco de cooperação e integração econômica e política. Sua sede é em Georgetown, capital da República Cooperativa da Guiana.  Mercado Comum Centro-Americano (MCCA):  composto por Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica. Texto explicativo acompanha a legenda: fundado em 1960, sua sede é em San Salvador, capital de El Salvador. Países-membros: El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Objetivo: integração econômica entre os países do bloco.  Mercosul (Mercado Comum do Sul):  abrange Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Venezuela. Texto explicativo acompanha a legenda: criado em  1991 com o objetivo de elevar a competitividade  das economias de seus membros, é uma união  aduaneira com sede em Montevidéu, Uruguai. À direita e abaixo, rosa dos ventos e escala de 0 a 1.080 quilômetros.

Fontes: elaborado com base em í bê gê É. Atlas geográfico escolar. oitava edição Rio de Janeiro: í bê gê É, 2018. página 79; pascál. Atlas des relations internationales. Malakoff: Armand Colin, 2020. página 34-35; aliânza dél pacífico. Disponível em: https://oeds.link/aDaI85; caricom. Disponível em: https://oeds.link/t4ToxR. Acessos em: 4 março 2022.

Orientações e sugestões didáticas

Interprete e discuta com os alunos o mapa, que traz informações sobre os blocos econômicos existentes na América. Atente para a compreensão que tiveram sobre os diferentes tipos de organização econômica regional, explicados na página anterior, e solicite que façam associações entre esses tipos e os blocos americanos existentes. Pergunte: “Que tipo é predominante?”; “Quais são os objetivos principais?”; “Quais blocos são mais antigos?” e “Quais são mais recentes?”. Essas perguntas incentivam as observações e análises do mapa e devem ser respondidas oralmente.

A Guiana, país localizado no norte do subcontinente sul-americano, integra a Commonwealth of Nations, uma organização que estimula a cooperação econômica e política entre os seus países-membros. A Commonwealth integra 54 países, e quase todos eles (com exceção apenas de Moçambique e Ruanda) pertenceram, no passado, ao Império britânico, como a Índia, a Austrália, o Canadá, a África do Sul etcétera.

Atividade complementar

Peça aos alunos que pesquisem um dos oito blocos econômicos regionais presentes no mapa. Nessa pesquisa, eles deverão identificar a quantidade de países-membros e de países candidatos a membro e os principais produtos comercializados no interior do bloco. Sistematize as principais informações coletadas na lousa e discuta com os alunos a noção de Divisão Internacional do Trabalho, ou seja, como cada região se especializa na produção e comercialização de alguns produtos.

4. O Mercosúl

A partir da década de 1980, diante da percepção de que a economia mundial passava por transformações importantes, representantes dos governos do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai iniciaram conversações a fim de integrar comercialmente seus países. Em 1991, esses quatro países assinaram o Tratado de Assunção, na cidade de Assunção, capital do Paraguai, que deu origem ao Mercado Econômico do Sul, o Mercosúl, sediado em Montevidéu, capital do Uruguai.

Fotografia. Vista da fachada de uma construção antiga com muitas janelas e portas grandes. A parte da frente da construção é térrea e a parte de trás tem quatro pavimentos. No centro da construção, duas torres paralelas separadas por área de quatro pavimentos. À esquerda, ao fundo, topo de outros  edifícios mais modernos.
séde do Mercosúl em Montevidéu, no Uruguai (2020).

• Os primeiros anos

Inicialmente, o Mercosúl funcionou como uma zona de livre-comércio, transformando-se a partir de 1995 em uma união aduaneira. Apesar dessa evolução, o Mercosúl não atingiu seu principal objetivo: tornar-se um mercado comum, o que permitiria aprofundar a associação comercial entre os países integrantes.

Além dos países fundadores, a Venezuela foi admitida em 2013, mas, de dezembro de 2016 até meados de 2022, encontrava-se suspensa por descumprir normas do bloco. A Bolívia, por sua vez, encontrava-se em processo de adesão ao Mercosúl.

Fotografia. Vista aérea de trecho de rio em tons e marrom em toda a sua extensão, com uma ponte ligando as duas  margens. Na parte inferior da foto, em uma das margens do rio, área urbanizada com prédios, ruas e vias de acesso a ponte, além de árvores e gramados.
Ponte Internacional Getúlio Vargas-agustím pedro rústo (2019), sobre o Rio Uruguai, ligando a cidade de Uruguaiana (Rio Grande do Sul) a Paso de los Libres, na Argentina. É a mais importante ponte da América do Sul em transporte rodoviário, atendendo o comércio entre os dois países integrantes do Mercosúl.
Ícone. Seção No seu contexto.

NO SEU CONTEXTO

Você e sua família têm o hábito de verificar a origem dos produtos que compram? Se sim, já adquiriram produtos comercializados no Brasil que foram fabricados em países do Mercosúl?

Orientações e sugestões didáticas

As questões do boxe No seu contexto contribuem para que a curiosidade do aluno seja despertada e ele perceba que estamos vivendo em um mundo globalizado, marcado pela integração econômica entre os países, e que, nesse processo, os blocos econômicos exercem um papel fundamental.

Amplie a abordagem realizada nesta página e na seguinte sobre o Mercosúl e comente com os alunos suas limitações, fragilidades e conquistas, em seus mais de 30 anos de existência.

  • Limitações: no contexto da globalização, embora o Mercosúl tenha aberto importantes oportunidades para a inserção competitiva das economias dos países-membros, jamais conseguiu se tornar uma área de livre circulação de fato, como estava previsto no tratado original. Chegou-se a um ponto de união aduaneira, ou seja, determinação de tarifa externa comum, um estágio anterior ao vislumbrado originalmente pelo plano. Também não há reconhecimento de diplomas para que haja uma livre circulação de profissionais dentro do bloco, e ocorreu pouca transferência de tecnologia e profissionais entre os países-membros.
  • Fragilidades: entre 2016 e início de 2022, analistas apontavam o enfraquecimento do processo de integração regional, processo que se acentuou em razão das crises políticas e econômicas internas de seus países-membros, acompanhadas pela ampliação das assimetrias e desigualdades regionais e por declarações pró-flexibilização do bloco pelas autoridades governamentais desses países (atualize esse assunto quando abordar o Mercosúl com os alunos).
  • Conquistas: foram conquistados avanços institucionais na relação entre os países, em que se pavimentou uma política de cooperação e integração na região. Além disso, em 28 de junho de 2021, após 20 anos de negociações e vários entraves, em razão principalmente das exigências europeias acerca de compromissos de preservação ambiental no Brasil, foi firmado o acordo do Mercosúl com a União Europeia (u ê), mercados que representam cêrca de 25% da economia mundial. Esse acordo prevê “zerar” em 10 anos (2031) as tarifas de exportação entre os países-membros desses dois blocos econômicos e, em contrapartida, os países da u ê precisam realizar a retirada de 91% das tarifas de exportação que fazem aos países-membros do Mercosúl, entre outras questões.
  • Pandemia da covíd-19: nos anos 2020 a 2022, ao mesmo tempo que o Mercosúl esteve exposto à profunda crise econômica e geopolítica marcada pela competição entre potências globais, nesse período sofreu os impactos das crises econômica e de saúde desencadeadas pela pandemia, e as relações comerciais entre seus países-membros foram profundamente afetadas. A respeito do assunto, leia subsídios interessantes no texto a seguir: Quér OLIVEIRA, êti áli. La integración regional sudamericana frente a la pandemia del Covid-19: un análisis geopolítico de los impactos en el Mercosur y en la région. Revista Tempo do Mundo, Brasília, número 26, página 205-249, agosto 2021. Disponível em: https://oeds.link/0QODVc. Acesso em: 11 março 2022.

• O comércio intrabloco

Desde a criação do Mercosúl, o volume do comércio entre os países-membros tem variado: entre 2000 e 2008, o intercâmbio comercial total entre eles quase quadruplicou; em 2011, atingiu seu valor máximo de 107 bilhões de dólares; voltou a oscilar nos anos seguintes até atingir o valor de 67 bilhões de dólares em outubro de 2021. A relação comercial entre o Brasil e a Argentina é a maior entre os países do bloco.

O Brasil assume uma posição de liderança entre os parceiros do bloco e, desde 2004, mantém-se numa situação comercial favorável no relacionamento com os demais integrantes. Observe, no gráfico, as exportações e as importações do Brasil no âmbito do Mercosúl.

Até outubro de 2021, do valor total das exportações realizadas pelo Brasil para os seus parceiros do Mercosúl, as exportações de automóveis representaram 9,8%, seguidas por minérios de ferro e seus concentrados (3,5%) e outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço (2%). Mas a pauta de exportação do Brasil para o Mercosúl é diversificada, incluindo tratores, adubos, autopeças, plásticos, entre outros produtos.

Quanto às importações brasileiras do Mercosúl, os automóveis com motor a diesel representaram o maior valor percentual, cêrca de 15% do total, seguidos pela energia elétrica (14,9%) e pelo trigo e suas misturas (9,9%).

Brasil: comércio com os países do Mercosúl (em bilhões de dólares) – 2002-2021

Gráfico. Brasil: comércio com os países do Mercosul (em bilhões de dólares), 2002 a 2021. Gráfico de linhas representando o comércio  do Brasil com os países do Mercosul (exportações e importações). O eixo vertical indica o valor das exportações e importações, em bilhões de dólares; o eixo horizontal indica os anos, de 2004 a 2021. Ano 2002: Exportação: 4 bilhões de dólares; Importação: 7 bilhões de dólares.  Ano 2003: Exportação: 5 bilhões de dólares; Importação: 5 bilhões de dólares.  Ano 2004: Exportação: 9 bilhões de dólares; Importação: 6 bilhões de dólares.  Ano 2005: Exportação: 12 bilhões de dólares;  Importação: 6 bilhões de dólares.  Ano 2006: Exportação: 14 bilhões de dólares; Importação: 7 bilhões de dólares.  Ano 2007: Exportação: 17 bilhões de dólares;  Importação: 9 bilhões de dólares.  Ano 2008: Exportação: 22 bilhões de dólares; Importação: 15 bilhões de dólares.  Ano 2009: Exportação: 16 bilhões de dólares; Importação: 14 bilhões de dólares.  Ano 2010: Exportação: 22 bilhões de dólares;  Importação: 17 bilhões de dólares.  Ano 2011: Exportação: 28 bilhões de dólares; Importação: 20 bilhões de dólares.  Ano 2012: Exportação: 23 bilhões de dólares; Importação: 20 bilhões de dólares.  Ano 2013: Exportação: 25 bilhões de dólares; Importação: 20 bilhões de dólares.  Ano 2014: Exportação: 20 bilhões de dólares; Importação: 18 bilhões de dólares.  Ano 2015: Exportação: 18 bilhões de dólares; Importação: 13 bilhões de dólares.  Ano 2016: Exportação: 19 bilhões de dólares; Importação: 12 bilhões de dólares.  Ano 2017: Exportação: 23 bilhões de dólares; Importação: 12 bilhões de dólares.  Ano 2018: Exportação: 21 bilhões de dólares. Importação: 14 bilhões de dólares.  Ano 2019: Exportação: 15 bilhões de dólares; Importação: 15 bilhões de dólares.  Ano 2020: Exportação: 12 bilhões de dólares; Importação: 12 bilhões de dólares.  Ano 2021: Exportação: 18 bilhões de dólares. Importação: 18 Bilhões de dólares.

Fonte: BRASIL. Ministério da Economia. Balança comercial: dados consolidados. Disponível em: https://oeds.link/TPdMIc. Acesso em: 4 março 2022.

Grafismo indicando atividade.

Em que ano a balança comercial do Brasil em relação ao comércio com os outros países do Mercosúl obteve seu maior superávit? Justifique.

Orientações e sugestões didáticas

De acordo com o gráfico, o ano em que a balança comercial brasileira obteve seu maior superávit em relação ao comércio com países do Mercosúl foi em 2017, quando houve a maior diferença positiva entre as exportações e as importações (cêrca de 9 bilhões de dólares), representada pela maior distância entre as linhas azul e laranja.

• Limites e desafios

A criação do Mercosúl foi um marco de aproximação política e econômica entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Entretanto, não eliminou disputas entre Brasil e Argentina relacionadas à liderança no bloco econômico, à atração de investimentos estrangeiros e à obtenção de maior influência política na ônu.

Apesar desses desacordos, ambos os países acreditam que o bloco regional é o principal meio pelo qual os países da América do Sul podem negociar em âmbito mundial seus interesses políticos e econômicos. Porém, no Uruguai e no Paraguai essa visão é menos compartilhada; esses países acreditam que o Mercosúl lhes trouxe poucos benefícios.

Ícone. Seção Navegar é preciso.

NAVEGAR É PRECISO

Mercosúl

https://oeds.link/SqLF9g

Nesse site você vai encontrar documentos oficiais para ficar por dentro do que acontece no Mercosúl.

Orientações e sugestões didáticas

Atividade complementar

Ao abordar o conteúdo referente ao Mercosúl, proponha aos alunos que reúnam notícias divulgadas em meios de comunicação (tê vê, internet, jornais, revistas etcétera.) sobre o comércio intrabloco no decorrer de um bimestre. Marque uma data para que os alunos possam compartilhar as notícias selecionadas e promova uma análise desse material: “Qual é o principal tema e quais são os problemas abordados?”; “Que outras instituições são citadas?”; “Que lugares são citados?”, entre outras questões. Solicite que localizem esses lugares em um mapa. Por fim, proponha aos alunos que elaborem um texto que sintetize as informações e a análise realizada.

Competência

O trabalho com o conteúdo referente ao Mercosúl possibilita desenvolver a Competência Específica de Geografia 4: “Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas”.

5. Outras organizações internacionais regionais

Na América, além dos blocos econômicos, que constam na página 227, existem outras organizações internacionais regionais com objetivos diversos.

• A ô ê á

A Organização dos Estados Americanos (ô ê á), fundada em 1948, reúne 35 países da América. Em 1962, Cuba, ao implantar o socialismo, foi expulsa dessa organização, mas em 2009 a ô ê á reviu essa decisão, propondo que o país fosse reincorporado à instituição.

Entre os objetivos da ô ê á, constam: a defesa da democracia, dos direitos humanos e da segurança da América e o desenvolvimento econômico e social dos países americanos.

A ô ê á realizou várias mediações e ações contra a falta de democracia e em conflitos ocorridos na América: em 1991, no embargo econômico imposto ao Haiti, após o golpe de Estado; em 2008, na crise diplomática entre Equador e Colômbia, resultante das incursões do exército colombiano no norte do Equador para combater narcotraficantes; em 2017, ao aprovar uma resolução contra a Venezuela, referente à ruptura democrática por parte do presidente nicolás Maduro e, no mesmo ano, uma resolução contra o Brasil, relativa à precariedade do sistema prisional brasileiro, que fere os direitos humanos; além de outros casos.

• Da unassul à prossúl

A União das Nações Sul-Americanas (unassul), fundada em 2008, reunia até 2019 os doze países da América do Sul. Seus objetivos eram: integração política, econômica, social e de infraestrutura. O Brasil participou dessa organização até abril de 2019, quando o Ministério das Relações Exteriores formalizou sua saída e passou a integrar o Fórum para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul (prossúl), criado no mesmo ano. Naquele ano e nos seguintes, outros países aderiram ao prossúl, e a unassul foi praticamente extinta.

Oficialmente, oito países participam do Prosul: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai e Peru. Como objetivos, essa organização busca desenvolver ações conjuntas de integração em infraestrutura, energia, saúde, defesa, segurança e combate ao crime, além de prevenção e manejo de desastres naturais.

• A ó ê Í

A Organização dos Estados Ibero-Americanos (ó ê Í) foi fundada em 1949, e sua séde se localiza em Madri, na Espanha.

A ó ê Í é uma organização internacional que reúne vários países ibero-americanos, ou seja, aqueles colonizados pelos países da Península Ibérica, além da Espanha e de Portugal.

Pertence também à ó ê Í a Guiné Equatorial, país da África, de língua espanhola.

O principal objetivo da ó ê Í é contribuir para o desenvolvimento da educação, da cultura e da ciência em seus países-membros. Para tanto, desenvolve diversos projetos: em 2021, a ó ê Í lançou o “Prêmio Ibero-americano de Educação em Direitos Humanos óscar arnulfo romêro”, visando evidenciar e reconhecer o trabalho de escolas e organizações que desenvolveram programas e projetos voltados a garantir o direito à educação e à saúde de crianças e adolescentes.

Orientações e sugestões didáticas

Os alunos devem comparar a ô ê á, o prossúl e a ó ê Í, visando aprofundar e estabelecer conexões entre essas organizações. Pergunte qual desses organismos internacionais tem mais membros, qual não contém apenas países americanos e quais são os objetivos de cada um. Questione também se esses objetivos são comuns aos três organismos.

Esclareça aos alunos que durante os anos 2008 a 2019 a unassul passou por crises internas e discordâncias entre seus países-membros, decorrentes, entre outros fatores, da conturbada relação com o governo venezuelano de nicolás Maduro. No panorama político da América do Sul, o prossúl representou uma reação de novos governos liberais que assumiram o poder em países do subcontinente, em contraponto à unassul, que era identificada com governos do período anterior. O processo de criação do prossúl foi liderado pelo presidente chileno sebástian pinhêra, em seu segundo mandato presidencial de 2019 a 2022, e a Declaração de Santiago foi o documento que propôs a sua criação, em 22 de março de 2019. A Venezuela não foi convidada a participar do encontro e até meados de 2022 (quando este livro era elaborado) permanecia excluída do prossúl por não atender à plena vigência da democracia.

No momento em que estiver abordando o assunto com os alunos, atualize-o e verifique se outros países sul-americanos aderiram ao prossúl, além dos oito citados no livro do aluno.

Para uma análise aprofundada sobre os problemas do regionalismo sul-americano e fatores que geram deficiências e instabilidade em suas organizações regionais (tais como forte intergovernamentalismo, falta de resultados e propensão ideológica), que acabam por serem impeditivos para o fortalecimento do Estado de Direito, sugerimos a leitura do estudo: FORTI NETO, Octávio. Da unassul para o prossúl: a visão do Estado de Direito e o Regionalismo Latino-Americano. Revista Conjuntura Global, Curitiba, volume 9, número 1, página 130-149, 2020. Disponível em: https://oeds.link/pQo4oJ. Acesso em: 12 março 2022.

Temas contemporâneos transversais

Chame a atenção para a atuação local de organismos internacionais, ressaltando, por exemplo, o “Prêmio Ibero-americano de Educação em Direitos Humanos óscar arnulfo romêro”, oferecido em 2021 pela ó ê Í, cujo objetivo é reconhecer o trabalho de escolas e organizações que desenvolveram programas e projetos com o propósito de garantir o direito à educação e à saúde de crianças e adolescentes, principalmente no enfrentamento dos desafios educacionais suscitados pelo período crítico da pandemia de covíd-19. Inspirado nisso, instigue os alunos a refletir sobre ações coletivas e individuais que foram ou poderiam ter sido realizadas no lugar em que vivem para superar ou minimizar o problema da paralisação do ensino presencial e a implementação, às pressas, do ensino remoto (a distância), desenvolvendo, assim, os temas Educação em Direitos Humanos e Saúde.

Ícone. Seção Atividades dos percursos.

Atividades dos percursos 25 e 26

Registre em seu caderno.

  1. Explique de maneira resumida o que são organizações mundiais ou organismos internacionais.
  2. Em que contexto histórico foi fundada a ônu e que objetivo principal orientou a sua criação?
  3. Após a criação da ônu, em 1945, a paz foi estabelecida em todos os países do mundo?
  4. Em relação ao Conselho de Segurança da ônu, responda:
    1. Qual é a importância desse organismo?
    2. Quais são os cinco membros permanentes? Por que eles foram escolhidos?
    3. Qual é o argumento de países como o Brasil para reivindicar a criação de mais vagas e uma posição de membro permanente nesse Conselho?
  5. Explique o que você entende por cidadania e, em seguida, responda se seus familiares ou conhecidos desfrutam essa condição.
  6. Explique o significado de política comercial protecionista. Qual é o objetivo por parte dos países que adotam esse tipo de política?
  7. Quanto ao bloco econômico denominado Mercosúl, responda:
    1. Quais são os países fundadores e qual aderiu ao bloco posteriormente?
    2. Apesar de seu nome, ele é efetivamente um mercado comum?
    3. A balança comercial do Brasil com os países do Mercosúl, em 2021, apresentou déficit ou superávit?
  8. Em relação à ô ê á, responda:
    1. Quais são seus objetivos?
    2. Aponte uma resolução da ô ê á referente ao Brasil.
  9. A Declaração Universal dos Direitos Humanos da ônu diz em seu Artigo 25, nº 2: “A maternidade e a infância têm direitos a cuidados e assistência especiais…”. Entretanto, analisando as taxas de mortalidade infantil de menores de 1 ano dos países da América do Sul, vemos que os direitos da infância não são respeitados, pois essa taxa representa a qualidade da assistência dada à gestante, ao parto e às crianças nascidas. Enquanto nos países desenvolvidos essa taxa situa-se em torno de 4 a 5 por mil (por mil) nascidos vivos, nos países da América do Sul ela ainda é elevada. Com os dados do quadro a seguir, elabore um mapa com os países da América do Sul e suas respectivas taxas de mortalidade infantil de menores de 1 ano de idade. Sugerimos que agrupe os dados em intervalos, por exemplo: de 6 a 10por mil; de 11 a 15por mil; e assim sucessivamente. Dê um título a seu mapa, elabore sua legenda, insira a escala, a rosa dos ventos, paralelos, pelo menos um meridiano e as fontes do mapa e dos dados.
América do Sul: taxas de mortalidade infantil de menores de 1 ano (‰) – 2019

País

Taxa (‰)

Argentina

8

Bolívia

21

Brasil

12

Chile

6

Colômbia

12

Equador

12

Guiana

24

Paraguai

17

Peru

10

Suriname

16

Uruguai

6

Venezuela

21

Fonte: elaborado com base em THE WORLD BANK. Mortality rate, infant (per 1,000 live births). Disponível em: https://oeds.link/zJ7Z8V. Acesso em: 6 março 2022.

Versão adaptada acessível

9. A atividade de elaboração de um mapa com os países da América do Sul e suas respectivas taxas de mortalidade infantil de menores de 1 ano de idade, pode ser adaptada para a construção de uma versão tátil do mapa. Para isso, observe as orientações a seguir:

  • Utilize linhas ou barbantes para fazer o contorno da América do Sul e das fronteiras entre os países.
  • Com base no quadro “América do Sul: taxas de mortalidade infantil de menores de 1 ano (‰) – 2019”, agrupe os dados em intervalos, por exemplo: de 6 a 10 por mil; de 11 a 15 por mil, e assim sucessivamente.
  • Crie uma legenda com esses intervalos e represente cada intervalo com um material de textura diferente.
  • Em seguida, de acordo com a legenda, represente cada país com a textura correspondente. 
  • Dê um título a seu mapa tátil e represente a rosa dos ventos, a Linha do Equador, o Trópico de Capricórnio e um meridiano.
Orientação para acessibilidade

Caso possível, proponha a elaboração de um mapa tátil a partir de materiais de diferentes texturas. Uma aula antes, oriente os estudantes a respeito dos materiais que eles devem levar à sala de aula para realizar a atividade. Contrastes do tipo liso e áspero, fino e espesso, tendem a favorecer a percepção tátil dos estudantes. Dessa forma, podem ser utilizados material emborrachado, diversos tipos de papéis, tecidos, linhas de diferentes espessuras, botões etc. Auxilie os estudantes durante a seleção e a organização dos materiais.

Sugere-se que o professor leve pronto o contorno do mapa da América do Sul sobre uma base emborrachada. O contorno dessa região e as fronteiras entre os países podem ser feitos com barbante ou outros materiais maleáveis e o nome de cada país indicado em alto-relevo, facilitando a percepção dos alunos. Na sala de aula, oriente para que a turma represente os países de acordo com os intervalos das taxas de mortalidade infantil mencionados no enunciado da atividade. Explique que deve haver correspondência entre os tipos de materiais usados no mapa e na legenda, de modo a permitir a relação entre as informações. A transposição de uma representação visual para uma representação tátil tende a favorecer a ampliação do processo de ensino-aprendizagem. Se considerar pertinente, adapte o nível de complexidade da atividade.

Orientações e sugestões didáticas

Respostas

  1. São associações que reúnem países ou Estados, surgidas por meio de acordos ou tratados entre eles, com o objetivo de cooperarem entre si para a resolução de problemas ou questões políticas, econômicas, culturais, sociais etcétera. no contexto mundial.
  2. A Organização das Nações Unidas (ônu) foi criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, em substituição à Liga das Nações e com o objetivo de assegurar a paz mundial.
  3. Não. Em vários países ocorreram conflitos armados, o que originou a intervenção da ônu por meio de fôrças de Paz.
    1. O Conselho de Segurança tem poder de veto para qualquer decisão tomada pela ônu em seus fóruns de discussão.
    2. Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. Os cargos permanentes foram ocupados com base na correlação de fôrças resultante do término da Segunda Guerra Mundial. Esses foram os países que saíram vitoriosos do conflito e os primeiros a possuírem a bomba atômica.
    3. Segundo esses países, os membros permanentes efetivos não refletem a ordem geopolítica do mundo atual, na qual o Brasil tem participado de ações de manutenção de paz e a Alemanha e o Japão figuram entre as principais economias mundiais. A reforma do conselho consolidaria um sistema mundial fundamentado no modelo multipolar.
  4. A explicação desta atividade é de enorme importância. Ao se debater o termo, espera-se que o aluno, com base no conceito de “cidadania”, exposto no glossário da página 223, tenha condições de dizer se seus familiares ou conhecidos desfrutam de seus direitos sociais – educação, saúde, alimentação, moradia, trabalho, segurança, lazer etcétera.
  5. É a adoção, por um país, de taxas elevadas para a importação de produtos estrangeiros (tarifa alfandegária). O objetivo dos países é proteger os produtores locais da concorrência externa.
    1. Fundadores: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Posteriormente, a Venezuela aderiu, mas, até meados de 2022, estava suspensa por descumprimento de algumas normas; a Bolívia encontrava-se em processo de adesão.
    2. No Mercado Comum há livre-comércio, ou seja, eliminação de todas as tarifas alfandegárias e cotas de importação, além de livre circulação de pessoas, capitais e serviços entre seus países-membros. O Mercosúl não condiz com essas características, é apenas uma união aduaneira.
    3. Apresentou déficit de 0,4 bilhão de dólares em 2021: o Brasil exportou cêrca de 17 bilhões de dólares e importou 17,4 bilhões.
    1. Defesa da democracia, dos direitos humanos, da segurança e do desenvolvimento econômico e social da América.
    2. Em 2017, a ô ê á criticou a precariedade do sistema prisional no Brasil, que fere os princípios dos direitos humanos – prisões com lotação muito acima de suas capacidades, instalações deficientes etcétera.
  6. Para a realização deste exercício, sugerimos que os alunos usem como base cartográfica algum mapa da América do Sul representado no próprio livro. Para a elaboração do mapa, oriente-os a reproduzir as fronteiras dos países sul-americanos. Outra possibilidade é acessar o site do í bê gê É para obter um mapa mudo (disponível em: https://oeds.link/SQdLId; acesso em: 6 março 2022). Oriente-os nessa prática cartográfica. Sugerimos que os mapas elaborados sejam expostos em um quadro mural, valorizando, assim, o trabalho dos alunos.

10. Uma organização internacional regional da qual o Brasil é membro é a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (cê pê éle pê). Criada em 1996, tem como objetivo reforçar a presença dos Estados-membros no cenário internacional, incentivar e desenvolver ações de cooperação entre eles em diversas áreas, como a de direitos humanos e a de educação. É formada por nove países de língua portuguesa. Observe o planisféro e responda às questões.

Planisfério. Planisfério com os seguintes países em destaque na cor vermelha: Brasil, Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique,  Guine Equatorial, Timor Leste. À esquerda, rosa dos ventos e escala de 0 a 4.280 quilômetros.

Fontes: elaborado com base em í bê gê É. Atlas geográfico escolar. oitava edição Rio de Janeiro: í bê gê É, 2018. página 32; COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA. Estados-membros. Disponível em: https://oeds.link/yitZQt. Acesso em: 6 março 2022.

  1. Consultando um planisfério político, identifique os países-membros dessa organização regional internacional.
  2. Dê um título a essa representação cartográfica.

11. Leia a seguir um trecho da Declaração Universal dos Direitos Humanos, observe a foto e responda à questão.

“Artigo 25

“1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fóra de seu contrôle.”

ônu. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: https://oeds.link/eF4z7A. Acesso em: 6 março 2022.

Fotografia. Vista de palafitas. Na parte inferior, uma área alagada com colunas finas de madeira dando sustentação a uma passarela de acesso para casas, também de madeira. Essas casas estão  suspensas sobre estruturas de madeira fincadas no solo submerso pela água.
Casas em palafitas na periferia da cidade de Letícia, Colômbia (2019).

Em dupla, reúnam dados e informações para elaborar um cartaz demonstrando como o Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos é desrespeitado em situações como a retratada na foto. Exponham o cartaz aos colegas e ao professor e apresentem argumentos e dados que sustentem o que o cartaz mostra. Sendo possível, o cartaz pode ser substituído por um vídeo de um minuto no qual vocês exponham a argumentação e os dados que a sustentam.

Orientações e sugestões didáticas
    1. Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
    2. Mundo: países-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (cê pê éle pê).
  1. Enfatize com os alunos que o artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos prevê que a todo ser humano devem ser garantidas condições de saúde, bem-estar e habitação, entre outros direitos fundamentais. Porém, a foto indica, por exemplo, que parte da população mundial não tem acesso a esses direitos e vive em habitações precárias e com falta de saneamento básico. Ao suscitar discussões acerca dessa temática, incentive o trabalho deles com a argumentação, de modo que eles aprendam a apoiar suas opiniões em dados e informações verídicas e confiáveis. Nesta atividade, a capacidade de síntese e a oralidade também são trabalhadas. Incentive a busca de boas fontes de informação on-line, sugerindo bases de dados como a do í bê gê É países. Caso os alunos produzam vídeos, organize um momento para a apresentação deles.

PERCURSO 27 AMÉRICA LATINA: ÁREAS DE CONFLITOS E TENSÕES NAS REGIÕES DE FRONTEIRA E OUTROS IMPASSES

1. As tensões fronteiriças

As tensões fronteiriças entre os países da América Latina nos séculos vinte e vinte e um decorreram, principalmente, de questões de demarcações territoriais imprecisas realizadas no século dezenove, quando seus países obtiveram a independência de suas metrópoles.

A mais recente e grave questão fronteiriça ocorreu entre Equador e Peru, em 1995, quando houve um confronto entre suas fôrças armadas (foto da página seguinte). A quantidade de mortes decorrentes desse conflito, que durou 22 dias, é obscura. Os dois países não a divulgam.

Com a ajuda de Brasil, Argentina, Chile e Estados Unidos, que eram mediadores antigos dessa disputa territorial que se arrastava desde o século dezenove, o conflito fronteiriço foi resolvido por meio de um acordo de demarcação de fronteira definitiva entre os dois países, em 1999.

América Latina: tensões fronteiriças – séculos dezenove vinte e um

Mapa. América Latina: tensões fronteiriças - séculos 19-21. Mapa da América Latina representando as localizações das tensões fronteiriças entre países desde o século XIX. O mapa destaca situações de conflitos relacionados a incursões de países vizinhos, conflitos de demarcações de fronteiras e as suas respectivas situações: persistente, adormecida ou resolvida. Tipos de tensão:  Conflito relacionado a incursões em países vizinhos, de situação persistente: na fronteira entre Colômbia e Equador: incursão da guerrilha 1990, bombardeio de acampamento das FARC no Equador 2008; lançamento aéreo de herbicida 2010. Na fronteira entre Venezuela e Colômbia: incursão da guerrilha,1990. Conflito relacionado a incursões em países vizinhos, de situação adormecida: no Panamá; incursão da guerrilha 1990. Conflito relacionado a incursões em países vizinhos, de situação resolvida: na fronteira entre Uruguai e Argentina: usina de papel 2010. Conflito relacionado a demarcações de fronteira entre dois ou mais países, de situação persistente: no norte do Suriname, próximo à Guiana: foz do Rio Corentyne, século 19. Na fronteira entre Guiana e Venezuela: Guiana Essequiba. No norte da Venezuela, próximo à fronteira com a Colômbia: Golfo da Venezuela 1990. No sul do Peru e no sudoeste da Bolívia, próximo à fronteira com o Chile e com o Peru: litoral 1879-1883. Conflito relacionado a demarcações de fronteira entre dois ou mais países, de situação adormecida: na fronteira entre Guiana Francesa e Suriname: rios Litani e Maroni, 1961.  Entre Guiana e Suriname: Triângulo do Rio Novo, 1929. Na fronteira entre Equador e Peru: demarcação século 19 a 1995. Nas Ilhas Falklands (Malvinas), 1982. Entre Nicarágua e Colômbia, conflito pelas Ilhas Quita Sueños e Serrana. Conflito relacionado a demarcações de fronteira entre dois ou mais países, de situação resolvida: Acre, 1903, entre Brasil e Bolívia; Gran Chaco, 1928-1938, entre Bolívia e Paraguai; demarcação século 19, entre Brasil e Argentina; conflito entre Argentina e Chile, 1979-1984.  À direita, na parte inferior do mapa, rosa dos ventos e escala de 0 a 840 quilômetros.  Há um retângulo de linhas pretas, vazado, na parte da  América Central, do qual sai uma seta em direção a um mapa menor, localizado na parte esquerda do mapa da América Latina, detalhando outros conflitos dessa área: Conflitos relacionados a demarcações de fronteira entre dois ou mais países em situação persistente: entre Costa Rica e Nicarágua: Rio San Juan,  incursões 2010. Entre Honduras, Nicarágua e El Salvador: Golfo de Fonseca. Conflitos relacionados a demarcações de fronteira entre dois ou mais países em situação adormecida: entre Nicarágua e Honduras: demarcação 1999.  Conflitos relacionados a demarcações de fronteira entre dois ou mais países em situação resolvida: entre Belize e Guatemala: reconhecimento da soberania de Belize. Entre Guatemala e Honduras e El Salvador: demarcação, 1843-1928. Entre Panamá e Costa Rica: demarcação, 1879-1921. No mar do Caribe, águas territoriais 2008.  Na parte inferior esquerda do mapa menor, escala de 0 a 490 quilômetros.

Fonte: elaborado com base em dabêne oliviê. Atlas de l’Amérique Latine: le continent de toutes les révolutions. Nouvelle édition augmentée. Paris: Autrement, 2012.página 77.

Ícone. Seção Navegar é preciso.

NAVEGAR É PRECISO

Observatório Político Sul-americano ()

https://oeds.link/u1jneq

Nesse site você encontrará textos, artigos e análises de qualidade sobre a conjuntura e as questões políticas que marcam a realidade dos países da América do Sul.

Orientações e sugestões didáticas

Ao analisar o mapa, proponha aos alunos que atentem para as informações da legenda, considerando os tipos e o estado atual das tensões fronteiriças na América Latina. Chame a atenção para as datas dos conflitos, desenvolvendo as explicações necessárias para a compreensão do contexto em que ocorreram ou ocorrem.

Percurso 27

A América Latina apresenta um histórico marcado por conflitos e tensões, especialmente nos seus limites de fronteiras. O Percurso 27 possibilita a análise desse tema, destacando o desafio da construção de uma região pacífica e ressaltando que a paz implica solidariedade entre países, povos e indivíduos.

Habilidade da Bê êne cê cê

ê éfe zero oito gê ê um um

O conteúdo do Percurso 27 possibilita aos alunos desenvolver a habilidade de analisar áreas de conflito e tensões na América Latina, sobretudo nas regiões de fronteiras entre os países. Leve-os a compreender as origens históricas dos impasses, seus desdobramentos no presente e a importância do papel mediador dos organismos internacionais para negociações e solução dessas questões. O trabalho com os mapas disponíveis no decorrer do Percurso é fundamental para a compreensão da distribuição espacial dos conflitos e tensões e para mobilizar a capacidade de leitura e interpretação das representações cartográficas.

Antes de iniciar o trabalho com este Percurso, sugerimos explorar os conhecimentos prévios dos alunos acerca dos conceitos de Estado, país e território, apresentados no Percurso 2 da Unidade 1 deste volume (páginas 16 e 18).

Fotografia.  Em uma área plana, aberta, soldados enfileirados da esquerda para a direita, em direção a um helicóptero militar, que está com a porta lateral aberta para a entrada dos soldados, que carregam mochilas e sacolas militares. Ao redor, vegetação.
Soldados equatorianos embarcam em um helicóptero para serem transportados até a fronteira com o Peru no período de tensão entre os dois países, conhecido como Guerra do cenepa (1995). cenepa é um rio da região fronteiriça entre esses países.

2. Questões pendentes e resolvidas

Destacaremos, a seguir, algumas das tensões fronteiriças entre os países da América Latina, esclarecendo a situação em que se encontravam até meados de 2022.

• Canal de Beagle

Esse estreito canal, no extremo meridional da América do Sul, separa a Terra do Fogo das ilhas da Antártida chilena (localize-o no mapa). No final da década de 1970 e início dos anos 1980, Chile e Argentina quase chegaram a um conflito armado ao disputarem a posse das três ilhas situadas na entrada oriental do canal. Em 1984, com a mediação do Vaticano, a questão foi resolvida: o Chile ficou com a posse das ilhas, mas, em contrapartida, a Argentina obteve direitos sobre o petróleo que poderá ser encontrado nas águas dessa área.

• Malvinas ou Ilhas Falkland

O arquipélago das Malvinas, ou Ilhas Falkland (localize-as no mapa), situa-se no Oceano Atlântico, a 500 quilômetros a leste do litoral extremo sul do território argentino. Assentado sobre a plataforma continental, o arquipélago oficialmente pertence ao Reino Unido, que também mantém domínio sobre outras ilhas mais distantes, como Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.

A Argentina, no entanto, reivindica a posse do arquipélago das Malvinas alegando antecedentes históricos, entre os quais a ocupação efetiva do território até 1833, ano em que os britânicos expulsaram os argentinos que aí tinham se estabelecido em 1820.

Em abril de 1982, sob a ditadura militar argentina, tropas desse país desembarcaram nas Malvinas com o propósito de reaver o domínio do arquipélago. Prontamente, o Reino Unido reagiu à invasão enviando fôrças militares para a região de conflito, com o apoio dos Estados Unidos. Após cêrca de 45 dias de combate, 750 argentinos e 250 ingleses mortos, a Argentina se rendeu, e o arquipélago continuou sob domínio britânico, mas o impasse ainda não foi resolvido, pois a Argentina mantém o desejo de recuperar esse arquipélago.

Canal de Beagle e Malvinas ou Ilhas Falkland

Mapa. Canal de Beagle e Malvinas ou Ilhas Falkland. Mapa do extremo sul da América do Sul, nas porções argentina e chilena, além das Ilhas Malvinas (ou Falkland) a leste da costa argentina, no Oceano Atlântico. Localidades indicadas no leste da Argentina: Ushuaia, na área da Terra do Fogo, Rio Gallegos e Santa Cruz. Na parte oeste do sul do Chile, está indicada a localidade de Punta Arenas. Uma linha vermelha conecta Punta Arenas, no Chile, a Rio Gallegos e Santa Cruz, na Argentina. Mais à leste do sul da Argentina, no Oceano Atlântico, nas Ilhas Falklands ou Malvinas, está indicada a localidade de Stanley. A distância entre Stanley e Santa Cruz, em linha reta, é de 3,4 centímetros.  À esquerda, na parte inferior do mapa, rosa dos ventos e escala de 0 a 225 quilômetros.

Fonte: elaborado com base em FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. quinta edição São Paulo: Moderna, 2019. página 74-75.

Grafismo indicando atividade.

Qual é a distância aproximada, em linha reta, em quilômetro, entre as cidades de Stanley, nas Malvinas, e Santa Cruz, na Argentina.

Orientações e sugestões didáticas

A distância aproximada e em linha reta entre as cidades de istânlei, nas Malvinas, e Santa Cruz, na Argentina, é de 765 quilômetros (3,4 por 225 quilômetros).

Atividade complementar

A questão das Malvinas ou Ilhas Falkland possibilita chamar a atenção para a estratégia geopolítica britânica de manutenção de territórios no Hemisfério Sul. Promova um momento de reflexão aos alunos, perguntando: “Por que o Reino Unido mantém a posse das Malvinas ou Ilhas Falkland?”; “Que fatores motivam o contrôle britânico sobre o arquipélago?”. Estabeleça relações com outros dados geográficos, por exemplo a distribuição de recursos naturais, os interesses geopolíticos etcétera., trabalhando, dessa maneira, alguns princípios do raciocínio geográfico. Esclareça aos alunos que o contrôle do arquipélago garante ao Reino Unido manter uma base de apoio para operações militares na América do Sul e no continente antártico, áreas ricas em recursos naturais.

Interdisciplinaridade

Com o professor de História, aprofunde os principais fatos que envolvem o conflito entre Argentina e Reino Unido pela posse das Malvinas ou Ilhas Falkland. O mesmo pode ser feito com relação a outros conflitos representados no mapa da página anterior. Seria oportuno criar uma linha do tempo para estabelecer os marcos temporais desde o início das tensões até sua resolução, caso esta já tenha ocorrido.

Tema contemporâneo transversal

Solicite aos alunos que localizem no mapa da página anterior o conflito Equador-Peru (que resultou na Guerra do cenepa, em 1995). Aproveite para conversar sobre o tema Educação em Direitos Humanos. Destaque que as guerras sempre infringem esses direitos. Questione por que seria importante que o Peru e o Equador divulgassem os números de mortos decorrentes desse conflito. Comente que são informações importantes para esclarecer esse fato histórico e sensibilizar a sociedade no sentido de sempre priorizar a cooperação e o diálogo na construção da paz.

• Chile, Peru e Bolívia

Na Guerra do Pacífico (1879-1883), o Chile enfrentou a Bolívia e o Peru em uma disputa pelo contrôle de uma rica área de nitrato (salitre) – substância usada como fertilizante e na fabricação de explosivos.

Vencidos, a Bolívia perdeu a Província de antofagasta, que lhe dava saída para o Oceano Pacífico, fato que dificultou o seu desenvolvimento econômico; e o Peru perdeu a Província de Tarapacá (observe o mapa).

Até os dias atuais, nas relações Bolívia-Peru-Chile, esse impasse faz parte da agenda de discussões governamentais. O Chile aceita negociar a implantação de um corredor de passagem que possibilite à Bolívia ter acesso ao mar, mas se recusa a negociar a reivindicação boliviana de devolução do território perdido na Guerra do Pacífico.

Guerra do Pacífico – 1879-1883

Mapa. Guerra do Pacífico, 1879-1883. Mapa de parte do oeste do continente sul americano, com destaque para o o centro e norte do Chile, oeste da Argentina, sudoste e oeste da Bolívia e sul do Peru. O mapa representa, por meio de cores, a localização das aquisições chilenas e os locais ricos em nitratos. Aquisições chilenas: região do deserto do Atacama, que engloba todo o norte chileno, incluindo a região de Antofagasta (antiga província boliviana) e as localidades de Miraflores, Taltal e Calama; a região de Tarapacá (antiga província peruana), incluindo as localidades de Pozo Almonte, La Central, Iquique, Arica e Tacna.  Localização das áreas de  nitratos: ocorrência na região de Miraflores, de Antofagasta; e região de Pozo Almonte e Iquique, a oeste de Tarapacá.  À direita e abaixo, rosa dos ventos e escala de 0 a 180 quilômetros.

Fonte: Atlas da história do mundo. São Paulo: Publifolha, 1995. página 223.

Grafismo indicando atividade.

Por que a perda da Província de antofagasta representou um obstáculo ao desenvolvimento econômico da Bolívia?

Orientações e sugestões didáticas

A perda da Província de antofagasta representou um obstáculo à circulação de mercadorias produzidas pelo país, uma vez que a Bolívia deixou de ter uma saída soberana para comercializar seus produtos por via marítima.

• Bolívia e Brasil

No final do século dezenove e início do século vinte, havia um impasse entre Brasil e Bolívia em relação ao território que corresponde ao atual estado do Acre, que pertencia à Bolívia. Seringueiros brasileiros haviam penetrado em território boliviano e posteriormente passaram a reivindicar sua anexação ao Brasil.

Esse impasse foi resolvido em 1903: a Bolívia vendeu o território correspondente ao Acre para o Brasil mediante a assinatura do Tratado de Petrópolis. Além do pagamento em dinheiro, o Brasil, em troca, comprometeu-se a construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, para que a Bolívia tivesse acesso aos rios amazônicos e pudesse transportar por eles o látex destinado à exportação.

• Bolívia e Paraguai

Em 1889, a Bolívia, por meio de um tratado, concedeu à Argentina parte do Chaco (consulte o mapa da página seguinte) – vasta região de planície da América do Sul, sendo delimitada, ao norte, pelos Lhanos da Bolívia (do espanhol llanos, planície coberta por Savana); ao sul, pelo Rio Salado; a leste, pelos rios Paraguai e Paraná; e, a oeste, pela Cordilheira dos Andes.

Entre 1928 e 1929 e de 1932 a 1935, ocorreu a Guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai, motivada pela disputa por uma região dessa planície onde se pensava haver petróleo em abundância. Calcula-se que 100 mil pessoas morreram nesse conflito. Em 1938, por meio de arbitragem internacional, decidiu-se que ao Paraguai caberiam cêrca de 75% da área em disputa e que a Bolívia teria livre trânsito em um trecho do Rio Paraguai.

Ícone. Seção Navegar é preciso.

NAVEGAR É PRECISO

Instituto Nacional de Estatística e Informática do Peru (inei)

https://oeds.link/E3c7zJ

Site, em língua espanhola, do instituto peruano que corresponde ao í bê gê É brasileiro, com mapas, informações e dados estatísticos do Peru.

Instituto Nacional de Estatística da Bolívia (íne)

https://oeds.link/VKQOxw

Site, em língua espanhola, do instituto boliviano que corresponde ao í bê gê É brasileiro, com mapas, informações e estatísticas sobre a Bolívia.

Orientações e sugestões didáticas

O desenvolvimento econômico de um país depende muito das relações comerciais que ele consegue estabelecer internacionalmente. Nesse contexto, uma saída para o mar é imprescindível para intensificar seu comércio internacional – desde que também existam as condições infraestruturais para operacionalizar essas trocas. No entanto, é possível que os alunos apresentem certa dificuldade em perceber a relação entre essa característica territorial de ter garantida uma saída para o mar e o desenvolvimento econômico de um país. Assim, dialogue com eles sobre a importância de um país ter acesso ao mar e leve-os a refletir sobre o tema, perguntando: “Por que é importante que um país tenha acesso ao mar?”; “Quais são as consequências de não ter esse acesso e quais são as soluções possíveis, considerando a localização do país?”. Os alunos devem responder às questões oralmente, desenvolvendo, portanto, essa importante linguagem comunicativa. As respostas, porém, devem se basear em argumentos sólidos, pautados nas observações do mapa desta página e nos conteúdos já trabalhados ao longo dos estudos.

Recupere algumas características das economias do Chile, do Peru, da Bolívia e do Paraguai para a melhor contextualização dos conflitos envolvendo esses países. Esse conteúdo foi abordado nos Percursos 21 e 22 da Unidade 6 deste volume.

tcháco

Mapa. Chaco Mapa da região centro-sul da América do Sul, representando as altitudes da costa oceânica Atlântica (leste) até a costa oceânica do Pacífico (oeste). As áreas mais elevadas da América do Sul estão próximas ao litoral oeste, na Cordilheira dos Andes, com altitudes acima de 4.000 metros, que percorre desde a fronteira da Argentina com o Chile em toda sua extensão, o Altiplano boliviano e a Cordilheira Ocidental, no sul do Peru. As áreas menos elevadas encontram-se no centro do continente, na regão dos Pampas, Planície Platina e região do Chaco e Pantanal, com elevações entre zero e 200 metros de altitude, bem como o litoral atlântico. Áreas com elevação entre mil e dois mil metros localizadas na Serra Geral, no sul do Brasil, Serra do Mar e Serra da Mantiqueira, no sudeste do Brasil; áreas de elevação média, entre 500 metros e mil metros de altitude encontram-se no Planalto Brasileiro, oeste da região sul e sudeste; áreas com elevações entre 200 e 500 metros estão próximas ao sudeste e centro-oeste brasileiros, norte e leste da Bolívia e oeste do Paraguai e Argentina, nas bordas da Cordilheira dos Andes. À esquerda, rosa dos ventos e escala de 0 a 310 quilômetros.

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. quinta ediçãoSão Paulo: Moderna, 2019. página 74-75.

Grafismo indicando atividade.

Aponte a variação de altitude na área que corresponde à Planície do tcháco.

Orientações e sugestões didáticas

De acordo com o mapa, a variação de altitude na Planície do tcháco é de 0 a 200 metros de altitude.

3. A paz no mundo em que vivemos

As relações entre os países são marcadas por impasses políticos e econômicos e, muitas vezes, por questões que violam os direitos humanos. Para resolvê-los, apela-se para a mediação dos organismos internacionais mundiais e regionais, o que é fundamental para garantir a paz.

Contudo, a paz não pode ser entendida apenas como a inexistência de guerras e de disputas econômicas, políticas e sociais, mas como uma condição que se caracteriza por relações solidárias entre países, povos e indivíduos.

Constatamos que, apesar de grandes avanços científicos e tecnológicos, a humanidade não conseguiu solucionar vários problemas, que, aliás, são criados pelo próprio ser humano: a fome e a pobreza, o racismo e outros preconceitos, a ausência de ética nos negócios privados e públicos, a degradação do meio ambiente etcétera.

Não somente os governantes são responsáveis diretos pelo mundo que desejamos, mas nós mesmos. Assim, devemos participar da construção de um mundo melhor, começando pelo contexto social em que estamos inseridos – família, escola, comunidade e sociedade –, repudiando a violência, respeitando o próximo e, sobretudo, praticando a solidariedade.

Fotografia. Em uma área aberta e de noite, diversas pessoas reunidas seguram velas acesas. No primeiro plano, duas mulheres idosas e de máscaras de proteção facial seguram uma vela acesa cada. Atrás, jovens em pé e pessoas sentadas também seguram velas com os braços esticados para frente.
Vigília após morte de manifestante durante protesto contra o governo do então presidente Ivan Duque, em meio a uma greve nacional, em cáli, Colômbia (2021).
Ícone. Seção No seu contexto.

NO SEU CONTEXTO

As relações que você mantém com seus familiares, vizinhos, colegas de escola e pessoas de sua comunidade são pautadas por educação e solidariedade?

Orientações e sugestões didáticas

No boxe No seu contexto é oportuno aproveitar o momento da discussão sobre a resolução de conflitos entre os países trazendo a questão para o espaço de vivência dos alunos.

Além desses impasses entre os países da América do Sul, existiram e existem outros. Podemos citar: a questão cisplatina no período imperial do Brasil, entre 1821 e 1828; o protesto da Argentina quando da construção da usina hidrelétrica Itaipu Binacional por Brasil e Paraguai; a questão do preço da energia elétrica pago pelo Brasil ao Paraguai em 2008 e 2009; a presença de fazendeiros brasileiros nas terras do Paraguai, os chamados brasiguaios, que causaram protestos de paraguaios, principalmente, nos anos de 2000 e 2010; além de outros.

Atividade complementar

Divida os alunos em dois grupos. Proponha a um dos grupos que consulte a publicação a seguir: discã, Lia; rôismen, Laura Gorresio. Paz, como se faz?: semeando a cultura de paz nas escolas. quarta edição São Paulo: pálas atêna; Brasília: unêsco, 2021. Disponível em: https://oeds.link/kSfh8n; acesso em: 14 março 2022. Oriente-os a consultar os textos da “Parte A” da publicação e a preparar um resumo sobre os temas abordados e as atividades propostas. Solicite aos integrantes do grupo que se dividam para realização dessa tarefa.

Em relação ao segundo grupo, proponha aos alunos uma consulta a notícias, análises e reportagens atualizadas sobre conflitos armados no mundo na página do site News – Perspectiva Global Reportagens Humanas, dedicada ao tema “Paz e Segurança” (disponível em: https://oeds.link/XpdUGZ acesso em: 14 março 2022). Por meio dos filtros de pesquisa disponibilizados, selecione previamente os assuntos, países e anos que deseja que esse grupo de alunos consulte, orientando-os também a ouvir a rádio News e a assistir a vídeos sobre a temática. Solicite que façam anotações sobre o que pesquisaram.

Posteriormente, em sala de aula, organize e realize a mediação de uma roda de conversa entre os dois grupos estimulando-os a relatar o que consultaram, levando-os a refletir sobre a importância da cultura de paz nas diferentes dimensões da vida das pessoas (pessoal, familiar, comunitária, profissional etcétera.) e, também, escalas geográficas (escola, bairro, cidade, áreas urbanas e rurais do município, países etcétera.).

Competência

O conteúdo referente à paz no mundo e no espaço em que vivemos contribui para o desenvolvimento da Competência Específica de Ciências Humanas 6: “Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva”.

PERCURSO 28 BRASIL: FAIXA DE FRONTEIRA, INTEGRAÇÃO REGIONAL E PRESENÇA NA ANTÁRTIDA

1. Faixa de fronteira brasileira

O Brasil faz fronteira com 9 países da América do Sul e também com a Guiana Francesa. Nos últimos anos, o governo brasileiro ampliou a atenção para a ocupação e o uso da chamada faixa de fronteira, reconhecendo sua importância territorial estratégica diante do processo de integração sul-americano.

A faixa de fronteira brasileira corresponde a uma região que se estende ao longo dos .15719 quilômetros da fronteira terrestre do país. Com 150 quilômetros de largura, essa longa faixa se estende por 11 unidades da federação e 588 municípios, abrigando uma população próxima a 10 milhões de habitantes.

As faixas de fronteira de dois países formam a zona de fronteira (observe o esquema da página seguinte), onde parte expressiva das relações transfronteiriças se estabelece, nas chamadas cidades-gêmeas.

Quando a fronteira entre países é definida ou determinada por um curso de água – rio, lago etcétera –, diz-se que é fronteira molhada. Mas, quando ela é definida por continuidade de terras entre os países, demarcadas por marcos ou mapas com linhas que delimitam o território de um e de outro país ou outros países, diz-se que é fronteira seca.

Brasil: municípios da faixa de fronteira – 2020

Mapa. Brasil: municípios da faixa de fronteira, 2020. Mapa da América do Sul com destaque para o território brasileiro e as regiões fronteiriças de norte a sul. O mapa representa as faixas de fronteira, as sedes dos municípios em faixa de fronteira e suas partes territorialmente demarcadas como zona de fronteira. Faixa de fronteira: mancha que se estende desde o sul do Rio Grande do Sul, oeste dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, sul e oeste do Acre, oeste e norte do Amazonas, norte de Roraima, noroeste do Pará e norte do Amapá.  Sedes dos municípios: maior concentração na faixa sul do país, no oeste dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Destaque menor para ocorrência de sedes de municípios da faixa de fronteira nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre, Rondônia e Roraima e ocorrências isoladas no Pará, Amapá e Amazonas. Especialmente nos estados do Pará, Amazonas, Mato Grosso e Mato Grosso do sul, há ocorrência de sedes municipais fora da faixa de fronteira, mas com parte dos municípios inseridos na faixa de fronteira.    Em quase toda a faixa de fronteira há partes de municípios nela inseridas. A área que abrange municípios da faixa de fronteira ultrapassa a largura dessa faixa em direção ao interior do país, desde o Mato Grosso do Sul até o Pará. À direita, rosa dos ventos e escala de 0 a 480 quilômetros.

Fonte: í bê gê É. Municípios da faixa de fronteira: 2020. Rio de Janeiro: í bê gê É, 2021. Disponível em: https://oeds.link/5pmyuf. Acesso em: 10 fevereiro 2022.

Grafismo indicando atividade.

Por que alguns desses municípios estão totalmente inseridos na faixa de fronteira e outros apenas parcialmente?

Orientações e sugestões didáticas

Alguns municípios se encontram totalmente na faixa interna de 150 quilômetros de largura, que é o que define a faixa de fronteira, enquanto outros apenas têm uma fração de sua área territorial nessa faixa.

Ao analisar o mapa, proponha aos alunos algumas perguntas, como: “Que países da América do Sul não fazem fronteira com o Brasil?”; “Que estados brasileiros têm áreas localizadas em faixas de fronteira?”; “A unidade federativa em que vivem tem municípios na faixa de fronteiras? Quais? Caso contrário, qual seria o estado de faixa de fronteira mais próximo à unidade federativa em que vivem?”. Desse modo, desenvolva o princípio de localização do raciocínio geográfico e ainda contextualize o assunto abordado.

Percurso 28

Neste Percurso são abordados alguns conhecimentos importantes sobre a América do Sul. Conceitos de faixa de fronteira e de cidades-gêmeas são objetos de atenção, assim como os desafios da integração física e energética dos países sul-americanos. A Antártida é o assunto subsequente, em que se destacam seus aspectos naturais e a importância em estudá-la por exercer influência climática na América do Sul e na dinâmica atmosférica global, o que justifica a presença de pesquisadores brasileiros em uma base ou estação permanente de pesquisas científicas nesse continente.

Habilidades da Bê êne cê cê

  • ê éfe zero oito gê ê dois um
  • ê éfe zero oito gê ê dois dois

No Percurso 28, a habilidade relativa à análise do uso dos recursos naturais para a produção de matérias-primas e energia, demonstrando sua importância no contexto de integração da América do Sul, é aprofundada, destacando a necessidade de melhoria da infraestrutura energética e de transporte da região. Além disso, este Percurso contempla a habilidade de analisar a importância geopolítica e ambiental da Antártida para o mundo e, mais especificamente, para os países da América do Sul. Aborde esses assuntos destacando o papel desse continente para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia para fins pacíficos e para a compreensão das questões ambientais globais. Ressalte que as técnicas têm função central na mediação natureza-sociedade. Assim, são elas que possibilitam até mesmo o uso de áreas inóspitas como as do continente antártico.

Faixa e zona de fronteira: conceitos

Esquema. Faixa e zona de fronteira: conceitos No centro do esquema, uma linha composta de traço e pontos indica o limite internacional entre dois países: país A e país B. Sobre essa linha, na parte superior, há um quadro com o seguinte texto: Interação transfronteiriça entre grupos locais e emtre países.  Uma linha tracejada marrom à direita e outra à esquerda delimitam a zona de fronteira entre esses países. A área entre a linha tracejada marrom e o limite internacional do país A corresponde à faixa de fronteira desse país; a área entre a linha tracejada marrom e o limite internacional do país B corresponde à faixa de fronteira desse país.  Na faixa de fronteira de cada país, próximo à linha de limite internacional, há um quadrado marrom representando cidades-gêmeas e uma seta de duplo sentido entre elas, abrangidas por uma elipse na cor marrom.

Fonte: elaborado com base em BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Grupo de Trabalho Interfederativo de Integração Fronteiriça. Bases para uma proposta de desenvolvimento e integração da faixa de fronteira. Brasília: mín, 2010. página 21

• Cidades-gêmeas

As cidades-gêmeas correspondem a municípios cortados pela linha de fronteira (terrestre ou fluvial, articulada ou não por obra de infraestrutura), com população superior a 2 mil habitantes e que apresentam grande potencial de integração econômica e cultural com países vizinhos.

Nas cidades-gêmeas há intensa circulação de pessoas, mercadorias e capitais, mas também existem problemas ligados ao comércio ilegal de mercadorias entre dois países (conhecido como contrabando), ao tráfico de drogas, entre outros.

Nessas cidades, é comum uma prática comercial particular, denominada “comércio formiga”, que ocorre quando os habitantes de uma das cidades, ou mesmo de outras localidades, deslocam-se para a cidade do país vizinho a fim de comprar produtos para o consumo próprio ou para revenda.

A maioria das cidades-gêmeas está na faixa de fronteira com o Uruguai, a Argentina e o Paraguai.

Com a Argentina, o Brasil tem 16 cidades-gêmeas, das quais oito estão situadas na área limítrofe do Rio Grande do Sul com as províncias argentinas de corriêntes e missiônes.

Brasil e países vizinhos: cidades-gêmeas – 2021

Mapa. Brasil e países vizinhos: cidades gêmeas, 2021. Mapa da América do Sul com destaque para o território brasileiro e suas fronteiras. O mapa representa as localizações das cidades-gêmeas brasileiras e dos países vizinhos, apresentando o tipo de articulação, se pela via terrestre, fluvial com ponte, fluvial sem ponte, e a faixa de fronteira. Cidades gêmeas com articulação terrestre: Paracaima (Brasil) e Santa Elena (Venezuela); Cáceres (Brasil) e San Matías (Bolívia); Epitaciolância (Brasil) e Cobija (Bolívia), Tabatinga (Brasil) e Leticia (Colômbia), Ponta Porã (Brasil) e Pedro Juan Caballero (Paraguai), Corumbá (Brasil) e Puerto Suárez (Bolívia); Paranhos (Brasil) e Ype-Jhu (Paraguai; Capitán Bado (Paraguai) e Coronel Sapucaia (Brasil); Guaíra (Brasil), Mundo Novo (Brasil) e Salto del Guayra (Paraguai); Barracão (Brasil), Dionísio Cerqueira (Brasil) e Bernardo Irigoyen (Argentina); Santana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai);  Aceguá (Brasil) e Acegua (Uruguai); Chuí (Brasil) e Chuy (Uruguai).  Cidades gêmeas com articulação fluvial com ponte: Jaguarão (Brasil) e Rio Branco (Uruguai); Quaraí (Brasil) e Artigas (Uruguai); Bella Union (Uruguai), Montes Caseros (Argentina) e Barra do Quaraí (Brasil); Paso de los Libres (Uruguai) e Uruguaiana (Brasil); São Borja (Brasil) e San Tomé (Argentina); Santo Antônio do Sudoeste (Brasil) e San Antonio (Argentina); Ciudad del Este (Paraguai), Puerto Iguazú (Argentina) e Foz do Iguaçu (Brasil); Bela Vista (Brasil) e Bella Vista (Paraguai); Brasileia (Brasil) e Cobija (Bolívia); Bonfim (Brasil) e Lethem (Guiana); Oiapoque (Brasil) e Saint Georges (Guiana Francesa). Cidades-gêmeas com articulação fluvial sem ponte: Itaqui (Brasil) e Alvear (Argentina); Porto Xavier (Brasil) e San Javier (Argentina); Porto Mauá (Brasil) e Alba Posse (Argentina); Puerto Palma Chica (Paraguai) e Porto Murtinho (Brasil); Inãpari (Peru), Bolpebra (Bolívia) e Assis Brasil (Brasil); Guajará-Mirim (Brasil) e Guayaramerín (Bolívia), Santa Rosa do Purus (Brasil) e Santa Rosa (Peru); Benjamim Constant (Brasil) e Islândia (Peru). Faixa de fronteira: se estende desde o sul e oeste do Rio Grande do Sul, por toda faixa fronteiriça oeste do Brasil até o Amapá.  Na parte inferior esquerda,  rosa dos ventos e escala de 0 a 590 quilômetros.

Fontes: elaborado com base em BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Faixa de fronteira. Brasília: ésse pê érre, 2009. página 52-56. Disponível em: https://oeds.link/Rz7S4p; Ministério do Desenvolvimento Regional. Portaria número .2507 de 5 de outubro de 2021. ín: Diário Oficial da União, edição 190, seção 1, página 29, 5 outubro 2021. Disponível em: https://oeds.link/6x2jpD. Acessos em: 10 fevereiro 2022.

Ícone. Seção Navegar é preciso.

NAVEGAR É PRECISO

Observatório da Integração Regional

https://oeds.link/tPAEXw

O site apresenta textos, agendas de debates e lives que tratam de vários assuntos relacionados ao processo de integração dos países da América do Sul.

Orientações e sugestões didáticas

Na discussão sobre cidades de fronteiras, vale destacar os desafios de sua administração. Para isso, enfatize as especificidades dessas áreas em todo o território brasileiro, com relação ao bem-estar da população, que inclui as condições de educação, saúde, rendimento etcétera. Para apoiar seu trabalho nessa etapa dos estudos, sugere-se consulta ao documento intitulado Características das sociedades de fronteira, de autoria do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (disponível em: https://oeds.link/9B7FIZ; acesso em: 10 fevereiro 2022). Aproveite a oportunidade para abordar o caso de Pacaraima, no estado de Roraima, na fronteira com a Venezuela, e os refugiados venezuelanos.

Estimule os alunos a observar e a interpretar o esquema da faixa e zona de fronteira. Considere a importância de diagnosticar possíveis dificuldades de compreensão dos conceitos trabalhados ao pedir que, oralmente, expliquem o esquema. É importante que eles definam esses conceitos com suas próprias palavras. Para estimulá-los a se expressar, pergunte se uma fronteira divide/afasta ou aproxima os habitantes da região. Solicite que expliquem e exemplifiquem o que são limites e fronteiras, diferenciando os termos. Debata as respostas. Dê as explicações que forem necessárias para superar dúvidas porventura existentes.

2. América do Sul: integração física e energética

A infraestrutura de transportes – rodovias, pontes, ferrovias, portos, aeroportos, hidrovias – é um elemento-chave para a integração econômica e comercial entre as regiões de um mesmo país e destas com as de outros países. A infraestrutura energética – sistemas de geração e distribuição de energia – e de telecomunicações permite organizar e transportar matérias-primas das áreas de extração para centros de produção e, posteriormente, distribuir o que neles foi produzido para os centros de consumo nacionais e internacionais.

Ao contrário dos parceiros do u ésse ême cê á (antigo náfta), os países sul-americanos ainda não têm infraestruturas modernas e integradas de transportes, energias e telecomunicações, o que dificulta a circulação de mercadorias e pessoas entre seus territórios.

Ao lado de fatores históricos, políticos e econômicos, a frágil integração física entre os países da América do Sul também ajuda a explicar por que os países do subcontinente apresentam índices de comércio intrarregional inferior ao de outras regiões do mundo.

Nos últimos anos, grandes projetos de infraestrutura têm sido considerados e alguns deles elaborados pelos governos dos países sul-americanos com o objetivo de ampliar a integração física e o desenvolvimento das infraestruturas regionais, essenciais para a organização do espaço sul-americano e seu crescimento econômico, como a expansão da rede de gasodutos sul-americana e de ferrovias e rodovias. Alguns desses projetos podem ser observados no mapa.

América do Sul: projetos de infraestrutura – 2022

Mapa. América do Sul: projetos de infraestrutura, 2022. Mapa da América do Sul representando os projetos de infraestruturas para o ano de 2022.  Passagem de fronteira: na   fronteira entre Paraguai e Argentina;  na fronteira entre Bolívia e Peru; na fronteira entre Equador e Colômbia; na fronteira entre Chile e Argentina. Porto: em dois pontos do litoral do Peru e na fronteira entre Peru e Brasil.  Centro logístico: em partes do território peruano, perto de Lima, no norte e noroeste do país.  Acesso a anel viário: na fronteira entre Equador e Peru; na fronteira entre Argentina e Uruguai.  Ferrovia: Uruguai, de norte a sul e sul do Rio Grande do Sul, no Brasil; do centro para o oeste do Uruguai, até fronteira com a Argentina.  Túnel: Santiago, no Chile.  Hidrovia: sul, sudeste, centro-oeste e norte do Brasil; nordeste da Argentina; centro do Paraguai; nordeste do Peru; leste do Equador; centro da Venezuela.  Gasoduto: entre Bolívia e Argentina.   Linha de transmissão: de Assunção, no Paraguai, em direção ao Brasil e ao sul do Paraguai. Rodovia: no norte do Chile; no norte da Bolívia; rodovias no oeste do Brasil; rodovias no noroeste da Venezuela, nas proximidades do litoral atlântico, interligadas com navegação até o litoral Pacífico, passando pelo centro e norte da Colômbia; rodovia do litoral da Guiana passando por Suriname, Guiana Francesa e extremo norte do Brasil; rodovias no sul do Peru.  Navegação: noroeste da Colômbia, passando por Bogotá; parte oeste do Peru. Ponte: norte da Argentina, próximo à Bolívia; na fronteira entre Bolívia e Brasil; no norte do Equador, próximo da Colômbia; na fronteira entre Uruguai e Brasil; no noroeste do Peru, próximo ao Equador.   Corredor ferroviário: do litoral sudeste do Brasil, passando por Bolívia, pelo norte da Argentina, pelas duas capitais da Bolívia (La Paz e Sucre), até o Oceano Pacífico, na fronteira entre Peru e Chile. Capitais de países indicadas: Brasília (Brasil), Assunção (Paraguai), Buenos Aires (Argentina), Montevidéu (Uruguai), Santiago (Chile), La Paz e Sucre (Bolívia), Lima (Peru), Quito (Equador), Bogotá (Colômbia), Caracas (Venezuela), Georgetown (Guiana), Paramaribo (Suriname).  Cidade: Caiena, na Guiana Francesa (FRA).  Abaixo e à esquerda, rosa dos ventos e escala de 0 a 540 quilômetros.

Fonte: cosiplãn. Agenda de proyectos prioritarios de integración 2017 Buenos Aires: cosiplãn, 2017. página 38. Disponível em: https://oeds.link/vbHP2D. Acesso em: 10 fevereiro 2022.

Grafismo indicando atividade.

De acordo com o mapa, aponte as vias de transporte projetadas que permitirão interligar os oceanos Atlântico e Pacífico.

Orientações e sugestões didáticas

De acordo com o mapa, ferrovias, hidrovias e rodovias permitirão interligar os oceanos Atlântico e Pacífico.

Ícone. Seção No seu contexto.

NO SEU CONTEXTO

A localidade onde você mora está bem integrada às demais regiões e localidades do Brasil e de países da América do Sul?

Orientações e sugestões didáticas

A questão do boxe No seu contexto possibilita que o aluno pense e verifique a integração de seu espaço de vivência com os demais espaços do Brasil e da América do Sul.

Chame a atenção dos alunos para o fato de que, historicamente, os países da América do Sul, em razão da herança da colonização de exploração, a depender de cada caso, apresentavam-se voltados ou para o Oceano Pacífico ou para o Oceano Atlântico (como é o caso do Brasil), ou seja, sem a integração regional. Nos últimos anos, começaram a surgir a preocupação e a necessidade de maior integração entre eles. Sugerimos que faça uma comparação com a colonização de povoamento ocorrida nos Estados Unidos, a conquista de sua porção central e oeste no século dezenove e a integração territorial realizada por ferrovias, também nesse século, ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico. Com a exposição desses dados, crie um debate em sala de aula sobre o atraso da integração física dos países da América do Sul.

Ao discutir a integração física e energética entre os países da América do Sul, pergunte aos alunos o que sabem sobre o conceito de rede e sua relação com o espaço geográfico. Para notícias, análises e publicações atualizadas sobre o tema da energia na América Latina, sugerimos consultar o site do Observatório Latino Americano da Geopolítica Energética do Núcleo de Estudos Estratégicos, Geopolítica e Integração Regional (neégi), da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (uníla).

Competência

A temática referente à integração física e energética contribui para o desenvolvimento da Competência Específica de Geografia 2: “Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das fórmas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo da história”.

Ícone. Seção Mochila de ferramentas. Composto por uma placa amarela com a silhueta de uma pessoa em pé com uma mochila grande nas costas, segurando uma vara.

Mochila de ferramentas

Como elaborar um storyboard

Storyboard (do inglês story, “história”, e board, “quadro”) é um tipo de roteiro que contém ilustrações, fotos, mapas etcétera. dispostos na sequência de determinados acontecimentos. O objetivo dessa ferramenta é descrever um fato por meio de imagens, com pouco ou sem nenhum texto. Vamos aprender a fazer um?

Como fazer

  1. Escolha o tema. Neste exemplo, vamos usar “Brasil: liderança econômica, parceria e integração na América do Sul”.
  2. Faça uma lista dos principais assuntos a serem abordados e elabore uma sequência para apresentá-los; depois, delimite a quantidade de quadros necessária à representação do tema. Isso será fundamental para o processo de produção.
  3. Seja criativo! Pense em ilustrações que retratem seu roteiro de assunto. Em muitos casos, uma imagem pode explicar a anterior e introduzir o assunto da próxima. Também é possível coletar imagens de jornais, revistas e meios eletrônicos.
  4. Monte uma primeira sequência e verifique se ela transmite aquilo que você deseja. Observe, analise e reescolha os recursos visuais se achar necessário.
  5. Encerrada a montagem, estruture seu trabalho em quadros que contenham:
    1. apresentação ou introdução: deve constar o título que resume o tema;
    2. desenvolvimento: compreende os quadros do storyboard e a abordagem dos assuntos, no caso, liderança econômica, parceria e integração;
    3. bibliografia: apresenta as fontes consultadas.

Quadro 1 – Liderança econômica

Brasil na América do Sul

Mapa. Brasil na América do Sul.  Mapa da América do Sul com destaque para o Brasil em relação a proporção do país no continente, que ocupa a parte leste e central do continente, com a maior parte de suas terras entre o Trópico de Capricórnio e a linha do Equador. A capital do Brasil, Brasília, está localizada mais ou menos no centro do país, que faz fronteira com todos os países sul-americanos, exceto Equador e Chile.  Na parte inferior direita, rosa dos ventos e escala de 0 a 1.000 quilômetros.

Mundo: 12 países com maior Píbi (em trilhões de dólares) – 2020

Gráfico. Mundo: 12 países com maior PIB (em trilhões de dólares), em 2020. Gráfico de colunas. No eixo vertical apresentam-se os valores do PIB, em trilhões de dólares; no eixo horizontal, os países. Estados Unidos: 21 trilhões de dólares. China: 14,5 trilhões de dólares Japão: 5 trilhões de dólares.  Alemanha: 4 trilhões de dólares.  Reino Unido: 3 trilhões de dólares.  Índia: 3 trilhões de dólares.  França: 2,5 trilhões de dólares.  Itália: 2 trilhões de dólares.  Canadá: 1,9 trilhões de dólares.  Coréia do Sul: 1,9 trilhões de dólares.  Rússia: 1,9 trilhões de dólares.  Brasil: 1,8 trilhões de dólares.

Fontes: í bê gê É. Atlas geográfico escolar. oitava edição Rio de Janeiro: í bê gê É, 2018. página 41; THE WORLD BANK. GDP (current US$). Disponível em: https://oeds.link/IdPQig. Acesso em: 10 fevereiro 2022.

Orientações e sugestões didáticas

A seção Mochila de ferramentas apresenta o storyboard, um recurso que, com ilustrações dispostas de maneira organizada, permite contar uma história ou transmitir informações. Explique que a origem desse recurso é a indústria cinematográfica. Se julgar conveniente, cite e explique que a ferramenta foi criada por Jórge Meliés, cineasta francês que viveu no fim do século dezenove e início do século vinte, e que a técnica foi aprimorada nos anos 1930, por um funcionário da Walt Disney Studios chamado uébi ismíf.

Ao marcar as principais passagens de uma história contada em uma sequência de quadros, o storyboard tornou-se amplamente usado na produção audiovisual, desde a confecção de desenhos animados até a superprodução cinematográfica. Chame a atenção dos alunos para as semelhanças entre um storyboard e uma história em quadrinhos (agá quê). Ressalte que o storyboard também é usado para transmitir informações e conhecimentos.

Atividade complementar

Antes de realizar as atividades propostas na seção Mochila de ferramentas, caso julgue necessário, promova uma atividade mais lúdica, explorando temas do cotidiano dos alunos e a confecção de um storyboard. Isso propicia que eles se familiarizem com esse recurso, compreendendo sua função e seu modo de organização. É possível promover esta atividade deixando-os livres para a escolha do tema e para fazer uso de ferramentas digitais, disponíveis gratuitamente na internet, o que permite a prática de outras linguagens, ampliando o escopo dos conhecimentos e das capacidades de comunicação dos alunos. Sugere-se, para a realização da atividade e para compreender mais detalhes da produção de um storyboard, consulta ao site Storyboardthat (disponível em: https://oeds.link/CZA9Qg; acesso em: 10 fevereiro 2022).

Quadro 2 – Parceria

Suprimento de energia e participação de Itaipu nos mercados brasileiro e paraguaio – 2016-2020

Primeiro gráfico. Quadro composto de dois gráficos de colunas e linha representando o suprimento de energia e participação de Itaipu nos mercados brasileiro e paraguaio entre 2016 e 2020. Primeiro gráfico. No eixo vertical a esquerda, a quantidade de megawatt médio; no eixo vertical à direita, a participação de Itaipu, em porcentagem, no mercado brasileiro; no eixo horizontal, os anos de 2016 a 2020. Em 2016: suprimento de Itaipu ao Brasil: 10.372 megawatt médio. Participação de Itaipu no mercado brasileiro: 16,8 por cento. Em 2017: suprimento de Itaipu ao Brasil: 9.387 megawatt médio. Participação de Itaipu no mercado brasileiro: 15 por cento Em 2018: suprimento de Itaipu ao Brasil: 9.228 megawatt médio. Participação de Itaipu no mercado brasileiro: 14,6 por cento. Em 2019: suprimento de Itaipu ao Brasil: 7.263 megawatt médio. Participação de Itaipu no mercado brasileiro:11,3 por cento. Em 2020: suprimento de Itaipu ao Brasil: 6.836 megawatt médio. Participação de Itaipu no mercado brasileiro: 10,8 por cento
Segundo gráfico. No eixo vertical a esquerda, a quantidade de megawatt médio; no eixo vertical à direita, a participação de Itaipu, em porcentagem, no mercado paraguaio; no eixo horizontal, os anos de 2016 a 2020. Em 2016: suprimento de Itaipu ao Paraguai: 1.278 megawatt médio. Participação de Itaipu no mercado paraguaio: 75,6 por cento. Em 2017: suprimento de Itaipu ao Paraguai: 1.536 megawatt médio. Participação de Itaipu no mercado paraguaio: 86,4 por cento. Em 2018: suprimento de Itaipu ao Paraguai: 1.717 megawatt médio. Participação de Itaipu no mercado paraguaio: 90,7 por cento. Em 2019: suprimento de Itaipu ao Paraguai: 1.743 megawatt médio.

Fonte: ITAIPU Binacional. Relatório anual 2020. página 31. Disponível em: https://oeds.link/VKnRYM. Acesso em: 10 fevereiro 2022.

Fotografia.  Vista aérea de uma grande área alagada, com pequenas porções de terra. No centro e na parte inferior da imagem, uma grande parede cercada pela água e uma área, a esquerda, na forma de uma rampa, cercada de água. A parede e a rampa possuem aberturas. Ao redor da parede, terra emersa com vegetação verde de pequeno porte.
Itaipu Binacional, usina hidrelétrica binacional Brasil-Paraguai, Paraná (2021).

Quadro 3 – Integração

América do Sul: eixos de integração

Quadro 3: Integração. Quadro composto por um mapa.  Mapa. América do Sul: eixos de integração.  Mapa representando os eixos de integração. Mapa da América do Sul representando os eixos de integração do continente e suas respectivas localizações. Eixo Andino: região da Venezuela, Colômbia, Bolívia e Equador.   Eixo Peru-Brasil-Bolívia: sul do Peru, noroeste da Bolívia e noroeste do Brasil. Eixo da hidrovia Paraguai-Paraná: centro-sul do Brasil, Paraguai e Uruguai.  Eixo de Capricórnio: sul do Brasil, Paraguai, norte da Argentina e norte do Chile. Eixo Andino do Sul: sudoeste da Bolívia, Chile, oeste e sul da Argentina.  Eixo Mercosul-Chile: sul e sudeste do Brasil, Paraguai, norte e centro da Argentina e centro do Chile, Eixo Interoceânico Central: centro leste e oeste: Brasil, Bolívia, Paraguai, sul do Peru e norte do Chile.  Eixo do Amazonas: nordeste, centro e norte do Brasil; norte da Bolívia, Peru, Equador, sul da Colômbia. Eixo do Escudo Guayanés: parte do norte do Brasil, centro e leste da Venezuela, Suriname e Guiana.  Abaixo e à esquerda, rosa dos ventos e escala de 0 a 750 quilômetros.

Fonte: cosiplãn. Agenda de proyectos prioritarios de integración 2017. Buenos Aires: cosiplãn, 2017. página 167. Disponível em: https://oeds.link/vbHP2D. Acesso em: 10 fevereiro 2022.

Quadro 4 – Bibliografia

Bibliografia

THE WORLD BANK. GDP (current US$). Disponível em: https://oeds.link/IdPQig. Acesso em: 10 fevereiro 2022. cosiplãn. Agenda de proyectos prioritarios de integración 2017. Buenos Aires: cosiplãn, 2017. Disponível em: https://oeds.link/vbHP2D. Acesso em: 10 fevereiro 2022.

í bê gê É. Atlas geográfico escolar. oitava edição Rio de Janeiro: í bê gê É, 2018. página 41.

ITAIPU BINACIONAL. Relatório anual 2020. página 31. Disponível em: https://oeds.link/VKnRYM. Acesso em: 10 fevereiro 2022.

  1. Por que a elaboração de um roteiro prévio de assuntos é fundamental para a criação de um storyboard?
  2. Agora que você já conhece o passo a passo, elabore, em grupo, um storyboard sobre outro tema desta Unidade. Em seguida, avaliem se o storyboard produzido foi capaz de retratar a temática e, em caso afirmativo, apresentem-no em sala de aula.
Orientações e sugestões didáticas

Converse com os alunos sobre as informações que constam no storyboard sobre o tema “Brasil: liderança econômica, parceria e integração na América do Sul”. Pergunte o que é representado nos mapas e nos gráficos e retratado na foto.

Respostas

  1. Porque o roteiro vai nortear o desenvolvimento dos assuntos e das ilustrações, o que facilita a busca de imagens que melhor os representem.
  2. Espera‑se que os alunos compreendam que há a necessidade de fazer um planejamento para a elaboração do storyboard, pois isso facilitará o trabalho.

Oriente-os em cada etapa do processo de confecção de um storyboard sobre outro tema presente na Unidade 7. É importante estimulá-los a usar essa ferramenta de modo criativo para explicar conteúdos geográficos. Aproveite a oportunidade para também incentivá-los a expressar oralmente o que aprenderam sobre a experiência de fazer um storyboard e instigá-los a apresentar aos demais colegas o que produziram.

Competências

A seção Mochila de ferramentas mobiliza a Competência Específica de Ciências Humanas 7 e a Competência Específica de Geografia 4, definidas pela Bê êne cê cê (ver quadros das competências nas páginas cinco a sete deste manual).

3. A Antártida

Conhecida como “continente branco”, a Antártida possui aproximadamente 14 milhões de quilômetros quadrados, dos quais se estimam que 95% sejam cobertos por gelo.

Em algumas regiões, a cobertura de gelo pode chegar a mais de 4 mil metros de espessura, formando grandes camadas: os inlândsis. Nas áreas litorâneas ou costeiras, as geleiras dão origem aos icebergs, que flutuam à deriva no mar. Muitos têm dimensões gigantescas, chegando a vários quilômetros de extensão e largura e confundindo-se com o próprio continente. Quando se afastam do polo, os icebergs encontram águas menos frias e se dissolvem.

Antártida

Mapa. Antártida. Mapa da região da Antártida, representando as áreas de inlândsis (espessas camadas de gelo cobrindo o relevo), regiões de banquisa e localização das estações científicas.  O território da Antártida está em sua maior parte dentro da área delimitada  pelo Círculo Polar Antártico, cercada de banquisas. No centro do círculo está o Polo Sul, no cruzamento entre o meridiano zero grau/180 graus e o paralelo zero grau/90 graus, indicado por uma estrela vermelha. Abaixo e à direita, uma estrela amarela representa o Polo Magnético do Sul. À esquerda do meridiano zero grau está a Antártida Ocidental, onde se localiza a Banquisa de Ronne, o Monte Vinson, com 5.140 metros de altitude, a Terra Marie Byrd, uma parte da Banquisa de Ross e a Península da Antártica, além do Mar de Weddell, mar de Amundsen e Mar de Ross. Nessa península se localizam diversas estações científicas, entre elas, a estação científica brasileira Comandante Ferraz. À direita do meridiano está a Antártida Oriental, onde se localizam a Terra de Enderby, o Planalto Americano, a Terra de Wilkes, a Terra da Rainha Maud, a Terra Vitória, parte da Banquisa de Ross e o Monte Kirkpatrick, com 4.528 metros de altitude, além do Mar de Davis.  Na parte inferior direita do mapa, escala de 0 a 950 quilômetros.

Fonte: elaborado com base em ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2014. página 184.

Grafismo indicando atividade.

Aponte a porção da Antártida onde se localiza a estação científica do Brasil. Qual é o seu nome?

Orientações e sugestões didáticas

A estação científica brasileira localiza-se na Península Antártica e seu nome é Estação Antártica Comandante Ferraz.

Em suas áreas costeiras e no mar, a fauna e a flora são ricas e dão lugar à formação de um bioma característico. No ambiente aquático são encontradas baleias, orcas e krillglossário . Outros animais, como leões-marinhos, focas e diversas aves, tais como pinguins e albatrozes, habitam a costa da Antártida e se alimentam em suas águas.

O alto valor nutritivo do críl desperta o interesse das grandes empresas pesqueiras. Sua pesca tem causado notável diminuição do número de baleias, que se alimentam principalmente dele. Segundo especialistas, se a pesca não for controlada, poderá provocar danos à cadeia alimentar regional.

Orientações e sugestões didáticas

O Ártico será estudado no livro do 9º ano desta coleção, pelo fato de abranger, além das terras setentrionais da América do Norte, também as da Europa, da Ásia e inúmeras ilhas e arquipélagos espalhados pelas águas polares, estendendo-se desde o Círculo Polar Ártico, a 66graus de latitude norte, até o Polo Norte.

Atividade complementar

Proponha aos alunos que consultem um mapa da América do Sul político e calculem a distância, em linha reta e em quilômetros, entre Porto Alegre e Boa Vista e de Porto Alegre a Port Stanley, nas Ilhas Falkland; em seguida, peça a eles que, usando o mapa desta página, calculem a distância da porção leste das Ilhas Falkland à Estação Antártica Comandante Ferraz, na Antártida. Qual distância é maior: a de Porto Alegre a Boa Vista ou a de Porto Alegre à estação Comandante Ferraz, passando pelas Ilhas Falkland? Esta atividade permite aos alunos que exercitem os princípios geográficos da extensão e da localização e também compreendam a extensão do Brasil e a relação de proximidade/distância com a Antártida. Considerando a escala do mapa usado, eles devem chegar ao resultado de que Porto Alegre está a aproximadamente .3915 quilômetros da estação Comandante Ferraz, passando por Port Stanley nas Ilhas Falkland, e distante cêrca de .3720 quilômetros de Boa Vista. A atividade também pode ser realizada tomando-se como referência, em vez de Porto Alegre, o município onde o aluno vive ou o município onde se localiza a escola.

Interdisciplinaridade

Com o professor de Ciências, trabalhe a biodiversidade do continente antártico. Enquanto em suas áreas costeiras há maior diversidade da fauna e da flora, no interior do continente a diversidade de animais e vegetais é menor; nele são encontrados principalmente musgos e liquens. Destaque os impactos da pesca do críl no meio ambiente antártico, aprofundando também os conhecimentos dos alunos sobre a cadeia alimentar nessa região do planeta.

• As pretensões geopolíticas sobre a Antártida

A Antártida foi alvo no passado de interesses geopolíticos por parte de alguns países. Várias nações declararam oficialmente a posse de territórios antárticos a partir do início do século vinte, delimitando fronteiras de acordo com os paralelos e meridianos. Em 1917, por exemplo, a Grã-Bretanha declarou a soberania sobre as ilhas e as terras entre 20graus e 50graus de longitude oeste e abaixo do paralelo de 50graus de latitude sul, dando origem ao que chamaram de Território Antártico Britânico. Nova Zelândia, Argentina, Chile e França valeram-se de procedimentos similares para delimitar territórios nesse continente.

De modo irresponsável, cogitou-se, no passado, tornar a Antártida área de testes nucleares, o que teria sido uma tragédia para a humanidade.

Para pôr fim a esse tipo de apropriação e uso da Antártida, a partir de 1957 os países buscaram estabelecer acordos para a internacionalização do continente e a Antártida foi transformada em santuário ecológico da humanidade e base para estudos científicos.

Tratado Antártico e Protocolo de Madri

O Tratado Antártico foi assinado em 1959 e entrou em vigor a partir de 1961. Com ele foram asseguradas a internacionalização do continente e a liberdade de navegação marítima e de pesquisas científicas por um período de trinta anos (1961-1991). O Brasil também assegurou sua presença no continente, com o envio de expedições científicas a partir de 1983.

Atualmente, há na Antártida 70 estações ou bases permanentes de pesquisa científica de 30 países, que desenvolvem estudos em diversas áreas, destacando-se as pesquisas relacionadas à dinâmica atmosférica, que permitem compreender as mudanças climáticas em curso. O Tratado Antártico pode ser considerado um dos maiores sucessos de cooperação internacional da História.

Na revisão do Tratado Antártico, em 1991, em Madri, Espanha, assinou-se o Protocolo sobre Proteção Ambiental ao Tratado Antártico, que ficou conhecido como Protocolo de Madri.

Pelas novas regras, que entraram em vigor em 14 de janeiro de 1998, com validade até 2048, as atividades humanas no continente devem buscar impacto ambiental zero. Entre as medidas adotadas, vetou-se levar plantas e animais ao continente, e todo o lixo produzido pelas estações de pesquisa é recolhido e devolvido aos países de origem. Também ficou proibida a exploração de recursos naturais no continente, rico em minerais. Há preocupação em relação ao fluxo de turistas.

Ícone. Seção Quem lê viaja mais.

QUEM LÊ VIAJA MAIS

clínc amír.

paratí: entre dois polos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Em fórma de diário de bordo, amír clinc, navegador brasileiro, conta sua expedição de um ano pelos polos.

Ícone. Seção Navegar é preciso.

NAVEGAR É PRECISO

National Geographic Brasil

https://oeds.link/FubSsX

Nesse site, por meio dos filtros de pesquisa, é possível selecionar e acessar vídeos, textos, artigos e fotografias sobre a Antártida.

Ícone. Seção Pausa para o cinema.

PAUSA PARA O CINEMA

A marcha dos pinguins.

Direção: lú jaquê. Estados Unidos/França: Bonne Pioche, 2005. Duração: 85 minutos

No cenário desértico da Antártida, uma mesma história se repete há milênios e garante a manutenção da espécie: a marcha do ciclo reprodutivo dos pinguins-imperadores.

Orientações e sugestões didáticas

Convém exercitar o princípio de localização do raciocínio geográfico, pedindo aos alunos que identifiquem em um globo terrestre os paralelos e meridianos usados pela Grã-Bretanha como referência para sua reivindicação territorial na Antártida. Proponha, se possível, que pesquisem quais foram as outras reivindicações territoriais que incidiram sobre o continente antártico.

Se julgar conveniente, apresente os principais pontos do Protocolo de Madri, discutindo-os com os alunos (disponível em: https://oeds.link/biVhmk; acesso em: 10 fevereiro 2022).

Desperte a curiosidade dos alunos e comente que, em março de 2022, a uma profundidade de .3008 metros no Mar de , no Oceano Antártico, cientistas encontraram e filmaram o navio Endurance, do explorador polar e pioneiro da Antártida, ernést chacoutôn (1874-1922). A descoberta ocorreu 107 anos após a embarcação ter naufragado ao ser atingida por blocos de gelo (1915), levando e seus homens a uma fuga surpreendente a pé e em pequenos botes. De acordo com os cientistas, a embarcação foi encontrada em excelente estado de conservação mesmo estando há mais de um século embaixo d’água.

Temas contemporâneos transversais

A preservação ambiental na Antártida pode ser discutida tendo em mente que faz parte do tema Educação Ambiental. A importância do continente para as pesquisas científicas possibilita debater o tema Ciência e Tecnologia.

Fotografia.  Em uma área aberta,  coberta de gelo, diversas pessoas agrupadas, de agasalhos amarelos, calças escuras, gorros, óculos escuros e equipamentos de frio observam um pinguim, em primeiro plano. No fundo, uma leve colina coberta de neve com pessoas ao fundo.
A partir da década de 1960, o fluxo de turistas na Antártida aumentou consideravelmente. Entre 2019 e 2020, mais de 74 mil turistas visitaram o continente, levantando preocupações acerca dos impactos causados por essa atividade. Na foto, turistas na colônia de pinguins, micouson rárbur, na Antártida (2019).

• O Brasil na Antártida

As massas de ar que chegam à América do Sul e, portanto, ao Brasil têm sua origem na Antártida. As chuvas e as secas irregulares, que tanto afetam a agropecuária, poderão ser previstas com maior conhecimento da dinâmica atmosférica que ocorre na Antártida, o que por si só explica a necessidade de o Brasil manter sua estação científica nesse continente.

A Estação Antártica Comandante Ferraz, localizada em ilha próxima à costa ocidental da Península Antártica, começou a operar em 1984. Desde sua criação, missões brasileiras se concentraram nas bordas do continente, mas, a partir de 2008 e 2009, avançaram para o interior da Antártida, contribuindo para aprofundar os estudos.

Em 25 de fevereiro de 2012, uma falha no sistema elétrico causou um incêndio que destruiu a estação do Brasil. Dois militares brasileiros faleceram no combate ao fogo. O governo federal, por meio do Ministério da Defesa, providenciou sua reconstrução. Em janeiro de 2020, foram inauguradas as novas instalações da estação.

Fotografia.  Vista panorâmica de uma estação de pesquisa na Antártica. No primeiro plano, área de terra com muitas pedras e equipamentos tubulares conectando a estação a torres de energia eólica. No centro, a estrutura da estação, em formato  retangular horizontal e em tons azulados. Do lado oposto da estação, o mar e, ao fundo, montanhas baixas cobertas de gelo e o céu acinzentado.
Vista da Estação Antártica Comandante Ferraz (2020).
Ícone. Seção Navegar é preciso.

NAVEGAR É PRECISO

Programa Antártico Brasileiro (proantár)

https://oeds.link/ovvVD2

Esse site apresenta detalhes do Proantar: os pesquisadores, a base científica e as estações de apoio brasileiros na Antártida, além de publicações, notícias, vídeos e outros recursos interessantes.

Orientações e sugestões didáticas

Comente com os alunos que a obra de reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz foi executada em quatro fases distintas e consecutivas, duas de fabricação e pré-montagem na China e duas de montagem na Antártica. Para complementar os conteúdos desta página e os da anterior, também comente que a China vem aumentando sua presença na Antártida e, em 2022, estava prevista a inauguração da sua quinta estação antártica, o que daria condição ao país de igualar os Estados Unidos (atualize esse assunto quando estiver abordando o tema com os alunos). Com equipamentos adaptados ao clima extremo, o governo chinês persegue o objetivo de tornar o país uma potência polar na área de pesquisas na Antártida. Desde 2013, busca implantar uma zona protegida ou Zona Antártica Especialmente Administrada (ásma, em inglês) em sua estação cunlum, no domo árgus, o ponto mais alto do “continente gelado”, com o argumento de resguardar o valor ambiental da área. Se for estabelecida uma ásma, a China terá o domínio da área, considerada o melhor ponto do planeta para realizar pesquisas espaciais.

Interdisciplinaridade

O professor de História pode contribuir para o aprofundamento dos conhecimentos dos alunos a respeito do continente antártico explicando o contexto de sua descoberta e suas fórmas de exploração ao longo do tempo. Convém trabalhar em parceria destacando como os objetos técnicos de navegação, por exemplo, foram evoluindo e permitiram enfrentar a orientação e as condições climáticas adversas presentes no Oceano Austral.

Competência

O conteúdo referente à presença do Brasil na Antártida contribui para o desenvolvimento da Competência Específica de Geografia 6: “Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza”.

Ícone. Seção Atividades dos percursos.

Atividades dos percursos 27 e 28

Registre em seu caderno.

  1. Com a independência das antigas colônias da América Latina no século dezenove, algumas demarcações territoriais imprecisas entre os países geraram tensões fronteiriças. Observe o mapa da página 233 e aponte em que condições foi resolvido o impasse entre Brasil e Bolívia.
  2. Em relação ao impasse entre Bolívia, Peru e Chile, responda:
    1. O que deu origem à Guerra do Pacífico, entre 1879 e 1883?
    2. Nessa guerra, quais foram as perdas e os ganhos territoriais?
    3. O impasse foi resolvido?
  3. Sobre a integração física e energética entre os países da América do Sul, existem barreiras que dificultam a ampla integração entre eles? Em caso afirmativo, mencione algumas delas.
  4. Na revisão do Tratado Antártico, em 1991, na capital da Espanha, Madri, o que foi decidido entre os países?
  5. Os personagens A, B, C, D, ê e F estão viajando pela América do Sul. Três deles saíram do Brasil e já chegaram a países vizinhos. Observe atentamente o mapa e, com base em seus conhecimentos, responda às questões a seguir.

Brasil e países vizinhos: faixa e zona de fronteira

Mapa. Brasil e países vizinhos: faixa e zona de fronteira. Mapa da América do Sul representando a faixa de fronteira de países vizinhos e a faixa de fronteira do Brasil.  Faixa de fronteira de países vizinhos: faixa externa à linha que delimita as fronteiras do território brasileiro com outros países sul-americanos, desde o Rio Grande do Sul até o Amapá.  Faixa de fronteira brasileira: faixa interna à linha que delimita o território brasileiro na América do Sul. Sobre a faixa de fronteira entre Brasil e Colômbia há um boneco representando o personagem E. Sobre a faixa de fronteira brasileira há um boneco representando o personagem C, onde está indicado Corumbá/Puerto Suárez e há a ilustração de um carro. Sobre a faixa de fronteira entre os países Paraguai e Brasil há um boneco representando o personagem B, com a indicação Puerto Palma Chica/ Porto Murtinho e a ilustração de uma embarcação. Sobre a faixa de fronteira entre Paraguai, Argentina e Brasil há um boneco representando o personagem D, onde está indicado Ciudad del Este, Puerto Iguazu/Foz do Iguaçu e a ilustração de um carro.  Sobre a faixa de fronteira entre Argentina e Brasil há um boneco representando o personagem A, onde está indicado Paso de los Libres/Uruguaiana e a ilustração de um carro. Sobre a faixa de fronteira entre Uruguai e Brasil há um boneco representando o personagem F.  Abaixo e à esquerda, rosa dos ventos e escala de 0 a 660 quilômetros.

Fonte: elaborado com base em í bê gê É. Municípios da faixa de fronteira: 2020. Rio de Janeiro: í bê gê É, 2021. Disponível em: https://oeds.link/yEoAdb. Acesso em: 10 fevereiro 2022.

  1. Indique os personagens que já não estão em território brasileiro.
  2. É correto afirmar que o personagem C está na faixa de fronteira da Bolívia? Explique sua resposta.
  3. Sabe-se que os personagens A e D não estão em uma área de fronteira terrestre. Revendo o mapa da página 238, que tipo de articulação foi usada por eles?
  4. É correto afirmar que todos os personagens se localizam na zona de fronteira? Explique sua resposta.
Orientações e sugestões didáticas

Respostas

  1. Em 1903, a Bolívia vendeu para o Brasil o território que corresponde ao atual estado do Acre, mediante a assinatura do Tratado de Petrópolis. Além do pagamento em dinheiro, o Brasil, em troca, construiu a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, para que a Bolívia tivesse acesso aos rios amazônicos (Rio Madeira e outros) e pudesse transportar por eles o látex destinado à exportação.
    1. A guerra foi motivada pela disputa da rica área de nitrato ou salitre existente no Deserto de Atacama.
    2. A Bolívia e o Peru, derrotados, perderam, respectivamente, a Província de e a Província de Tarapacá. A perda maior foi da Bolívia, pois ficou sem saída para o Oceano Pacífico.
    3. Até os dias atuais, a Bolívia procura recuperar a província perdida. O caso está em julgamento na côrte Internacional de Justiça, organismo da ônu, com séde na cidade de Haia, nos Países Baixos.
  2. Sim, existem. A precariedade e a defasagem da infraestrutura de transporte, energia e telecomunicações dificultam a circulação de mercadorias e pessoas entre os países, criando barreiras a uma integração regional ampla.
  3. Foi assinado o Protocolo sobre Proteção Ambiental ao Tratado Antártico, conhecido como Protocolo de Madri, cujas novas regras, válidas de 1998 a 2048, tratam das atividades humanas no continente que devem buscar impacto ambiental zero. Entre as medidas adotadas, vetou-se levar plantas e animais ao continente, e todo o lixo produzido pelas estações de pesquisa deve ser recolhido e devolvido aos países de origem. Também foi proibida a exploração de recursos naturais no continente, rico em jazidas de minério de ferro, cobre, petróleo etcétera.
    1. Personagens B, ê e F.
    2. Não. Ele está na faixa de fronteira com o Brasil, próximo à linha de fronteira. Se julgar conveniente, peça aos alunos que observem novamente o esquema da página 238.
    3. Usaram o tipo de articulação fluvial com ponte.
    4. Sim, pois a zona de fronteira abrange as faixas de fronteiras de dois países. Todos os personagens encontram‑se nessa zona. Convide os alunos a observar novamente o mapa da página 237, para compreender a resposta.

6. Leia o texto e analise as afirmativas. Em seguida, copie o item incorreto em seu caderno, corrigindo-o.

A capa congelada que recobre tem espessura média de 1.800 metros, mas chega a passar dos 4.700 metros. Parte dela se apoia sobre rochas que estão abaixo do nível do mar – o que significa que boa parte do continente seria um arquipélago se não houvesse a gigantesca massa de gelo sobre ele.

LEITE, Marcelo. O maior deserto do mundo. Folha de São Paulo, São Paulo, 22 março 2009. página 37.

  1. O texto se refere à Antártida.
  2. Arquipélago é um agrupamento de ilhas concentradas em certas áreas dos oceanos.
  3. Essa “capa congelada” sobre rochas se estende pelo norte da América do Norte e Eurásia.
  4. Se não houvesse essa camada de gelo sobre as rochas, suas partes emersas ficariam descontínuas, configurando, assim, um arquipélago.

7. Em 1957, jáquis lambér, jurista, sociólogo e demógrafo francês, escreveu o livro Os dois Brasis. Leia o texto a seguir e responda à questão.

As dificuldades de transportes e de comunicações dividiram a América do Sul em duas metades que se voltaram uma para o Oceano Atlântico e a outra para o Pacífico; são dois mundos de costas um para o outro e entre os quais o intercâmbio de pessoas e, sobretudo, de mercadorias, depois de ter sido impossível durante longo tempo, é ainda hoje em dia muito difícil.

lambér jáquis. Os dois Brasis. sexta edição São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1970. página 17.

Com base no conteúdo estudado, você concorda com esse fragmento de texto?

8. Observe a foto do Parque Internacional, localizado na fronteira entre as cidades de Santana do Livramento, no Brasil, e rivêra, no Uruguai. Essa fronteira é chamada de fronteira da paz, pois aí convivem pacificamente brasileiros e uruguaios. Depois, responda às questões.

Fotografia. Vista de uma praça de asfalto com destaque para um obelisco de concreto alto e retangular. Ao seu redor, dois mastros com bandeiras. À esquerda, pessoas caminhando. Ao fundo, área urbanizada e árvore isoladas.
Obelisco no Parque Internacional (2020).
  1. Que tipo de fronteira é mostrada na foto? Explique-a.
  2. Se, por um lado, as cidades-gêmeas permitem maior integração econômica e cultural entre países vizinhos, por outro, elas também abrigam diversos problemas. Aponte alguns deles.
  1. Investigue a sua localidade considerando os conceitos a seguir. No Brasil, usualmente, consideram-se: limite, para indicar a delimitação entre dois municípios; divisa, entre duas unidades da federação; fronteira, entre dois países. Você sabe quais são os limites do município onde você mora? E as divisas de sua unidade da federação?
  2. As decisões tomadas pelas sociedades de outras regiões do globo têm graves consequências sobre a Antártida.

Em grupo, façam uma pesquisa sobre o tema: “Antártida e o buraco na camada de ozônio”. Debatam e elaborem uma dissertação na qual apareçam os problemas a serem combatidos e as soluções a serem implementadas.

Orientações e sugestões didáticas
  1. A proposição incorreta é a “c”, pois é o Ártico que se estende pelo norte da América do Norte, da Europa e da Ásia.
  2. Essa atividade estimula a leitura inferencial, uma vez que promove a articulação entre os conhecimentos que os alunos têm sobre a integração da América do Sul no contexto atual e o conteúdo do texto. Espera-se que eles compreendam que desde que o texto foi escrito o intercâmbio entre os países da América do Sul cresceu e providências estão sendo tomadas para a sua integração por meio da infraestrutura de transportes. Entretanto, ainda falta maior integração entre os países em razão da precariedade dos sistemas de transporte integrativos.
    1. Corresponde à fronteira seca entre Brasil e Uruguai. Ela é definida por continuidade de terras entre os países e demarcada por marcos, como pode ser observado na foto ou em mapas.
    2. Comércio ilegal de mercadorias (contrabando), tráfico de drogas e de armas, entre outros.
  3. Esta atividade objetiva distinguir os termos, que geralmente são confundidos. Mostre um mapa do município e um mapa político do Brasil para que os alunos tenham maior compreensão do espaço geográfico em que vivem.
  4. Contribua para que os alunos busquem dados e informações que possam sustentar a argumentação que vão construir sobre o tema. Uma possibilidade é apresentar a eles a biblioteca virtual do Programa Antártico Brasileiro, proantár, disponível em: https://oeds.link/S4zJMy; acesso em: 7 março 2022.

Glossário

Triângulo Mineiro
Porção sudoeste do estado de Minas Gerais, delimitada pelos rios Grande, Paranaíba e seu afluente Araguari, com vegetação nativa de Cerrado, onde se destacam as cidades de Uberaba, Uberlândia e Araguari como principais centros urbanos.
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Cidadania
Condição em que um indivíduo goza de plenos direitos sociais e políticos na sociedade em que vive, com garantia de acesso à educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, lazer, segurança, entre outros direitos. É obrigação do Estado garantir esses direitos aos cidadãos.
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Arqueológico
De arqueologia, que vem do grego arcailodjía, ciência que estuda monumentos e vestígios de civilizações antigas. A concentração espacial destes constitui o que se chama de sítio arqueológico.
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Antropológico
De antropologia, que vem do grego antrópos, “homem”, e lôgos, “tratado”; ciência que estuda o ser humano e os grupos humanos: crenças, instituições, estruturas sociais, sistemas econômicos, cultura, política, origem do ser humano etcétera.
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Alfandegário
Relativo à alfândega, chamada também de aduana, uma repartição do governo que controla as exportações e as importações e faz a cobrança das tarifas ou taxas.
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Palavra de origem norueguesa que se aplica a várias espécies de crustáceos semelhantes a um camarão grande.
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