CAPÍTULO 4  Civilizações fluviais na África e na Ásia

Fotografia. Vista frontal de uma abertura em barragem de hidrelétrica. Por ela passa um grande volume de água, formando uma espuma branca. Ao redor da abertura, parte dos grandes muros da barragem.
Barragem da hidrelétrica Grande Renascença Etíope em Guba, no noroeste da Etiópia. Foto de 2020.

O Rio Nilo é um dos mais extensos do mundo e está localizado em uma região árida, onde chove pouco, no Egito. As características climáticas da região permitiram a preservação de centenas de sítios arqueológicos no local. O estudo de vestígios arqueológicos, como pirâmides, tumbas, textos e pinturas, permitiu aos historiadores conhecer a importância desse rio, com seu ciclo de cheias e vazantes, para a atividade agrícola e o desenvolvimento, há cêrca de 5 mil anos, de uma das primeiras civilizações conhecidas: a civilização egípcia antiga.

Atualmente, o Rio Nilo fornece água potável a 280 milhões de pessoas de onze países. Porém, a construção da hidrelétrica Grande Renascença Etíope, na Etiópia, tem ameaçado o ciclo de cheias e vazantes do rio e gerado conflito entre os governos de países da região, preocupados com a falta de água para abastecimento de sua população que ainda depende da atividade agrícola realizada nas margens férteis do rio.

  • Você já tinha ouvido falar no Rio Nilo?
  • O que você sabe sobre a civilização egípcia antiga? Converse com os colegas sobre isso.

O aproveitamento dos recursos da natureza

O desenvolvimento da agricultura, da criação de animais e do comércio esteve intimamente relacionado com o aproveitamento dos recursos hídricos disponíveis. Por isso, muitos dos primeiros assentamentos humanos que deram origem a cidades se localizavam às margens de rios perenesglossário . As cheias dos rios inundavam as terras próximas, fertilizando o solo, e suas águas eram utilizadas para irrigar as plantações. Além disso, o leito dos rios podia servir como via de transporte de pessoas e de mercadorias.

As cidades, ao se expandir, formaram reinos e impérios. Neles, os reis e funcionários tornaram-se os responsáveis por organizar o trabalho de milhares de pessoas para construir obras hidráulicas, como diques e canais de irrigação. A sobrevivência da comunidade dependia do trabalho coletivo coordenado pelo poder central, pois ele garantia o aproveitamento dos recursos da natureza, assegurando o abastecimento de água e impedindo que as cheias dos rios inundassem as cidades.

Esses reinos e impérios antigos que se desenvolveram às margens dos rios e nos quais eram realizadas obras hidráulicas para a prática da agricultura são chamados de civilizações fluviais. Neste capítulo, você vai conhecer duas delas: a mesopotâmica e a egípcia. Antes, porém, compreenda a importância e a função do Estado e da escrita para essas civilizações.

Áreas de ocupação de civilizações fluviais na África e na Ásia

Mapa. Áreas de ocupação de civilizações fluviais na África e na Ásia. Destaque para o continente africano, sul da Europa, Oriente Médio e sudeste da Ásia. Legenda: 
Em verde: Mesopotâmia e Crescente Fértil.
Em laranja: Egito antigo e área de influência.
Em amarelo: Civilização do Indo e área de influência.
Em roxo: China antiga e área de influência.
Na área da Mesopotâmia e Crescente Fértil, localizada no Oriente Médio, destaque para o Rio Tigre e o Rio Eufrates. No Egito antigo e área de influência, no nordeste da África, destaque para o Rio Nilo. Na Civilização do Indo e área de influência, localizada no norte da Índia, destaque para o Rio Indo e o Rio Ganges. Na China antiga e área de influência, localizada no leste da Ásia, destaque para o Rio Amarelo (Hoang-Ho) e o Rio Azul (Yang-Tsé). Na parte inferior central, rosa dos ventos e escala de 0 a 1.450 quilômetros.

Fonte: VICENTINO, Cláudio. Atlas histórico: geral e do Brasil. São Paulo: Cipiône, 2011. página 32, 33, 35 e 38.

A disponibilidade de água para irrigação e a fertilidade do solo às margens dos rios Nilo, Tigre, Eufrates, Indo e Amarelo favoreceram a formação de civilizações fluviais na África e na Ásia.

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Reino e império

Os reinos são unidades políticas nas quais um povo é governado por um rei. Se esse rei conquista territórios e domina outros povos, passa a governar um império. Nos impérios vivem povos com línguas, religiões e costumes diferentes entre si, embora estejam todos sob a mesma autoridade política.


A formação do Estado

Nas cidades, os chefes ganharam cada vez mais prestígio. Eles centralizaram as decisões políticas e administrativas, e passaram a governar de seus palácios, tornando-se reis. A autoridade desses monarcas, que lhes garantia plenos poderes sobre a população, está relacionada à origem do que chamamos de Estado.

Para desempenhar satisfatoriamente suas atribuições, os reis cercaram-se de auxiliares. Entre eles havia os sacerdotes – que ficavam nos templos e eram responsáveis pela administração dos rituais religiosos, como os sacrifícios e as oferendas aos deuses –, os soldados – que impunham as leis e protegiam a cidade de ataques inimigos –, os cobradores de impostos, os fiscais do trabalho dos camponeses e os que acompanhavam a execução de obras. Por causa dessa diferenciação de funções, algumas pessoas acumularam mais riqueza e poder do que outras, o que deu origem a uma hierarquia social.

Escultura. Imagem em alto relevo feito na superfície de uma pedra plana. Mostra pessoas em fila. Todos usam um longo saiote. Alguns estão com os braços cruzados à frente do corpo e olham em direção de um homem representado em tamanho maior. Ele carrega um objeto na cabeça. Na parte de baixo, outra fila com homens com os braços cruzados à frente do corpo. Eles caminham na direção de um homem representado em tamanho maior, que está sentado e segura um cálice com uma das mãos.
Relevo sumério representando o rei ur nanche, fundador da primeira dinastia de lagach, na Mesopotâmia, cêrca de 2550-2500 antes de Cristo Museu do Louvre, Paris, França. Note que o rei está representado em tamanho maior do que as demais figuras, o que indica sua importância social.

Com o processo de centralização política, o Estado assumiu a função de governar as cidades, passando a estabelecer regras e leis e a aplicar a justiça. As cidades tornaram-se centros de poder político, locais de onde os governantes coordenavam o trabalho e o funcionamento de toda a comunidade.

Fotografia. Fachada de um templo esculpida em uma imensa rocha. A parte ao redor da porta é lisa, com algumas inscrições feitas horizontalmente no topo. Acima da porta, a estátua de um homem. À frente do templo, quatro grandes estátuas de faraós sentados. Uma das estátuas está com a parte superior destruída.
Fachada do templo de abul simbel, Egito. Foto de 2018. A construção de templos monumentais simbolizava o poder dos governantes.

Responda em seu caderno.

Recapitulando

  1. Por que as primeiras civilizações que se formaram no Oriente se desenvolveram às margens de grandes rios?
  2. Qual é a função do Estado?

O desenvolvimento da escrita

Com o crescimento das cidades, as relações entre os membros da comunidade e entre pessoas e instituições tornaram-se mais complexas. Diferentemente do que ocorria nas aldeias, nas cidades mais populosas nem todos se conheciam ou praticavam o mesmo tipo de atividade. Algumas obras, como os canais de irrigação – que possibilitavam transportar as águas dos rios para as áreas mais distantes das margens –, levavam mais tempo para ser construídas do que a duração da vida das pessoas de uma geração.

Nessas condições, tornou-se difícil reter e transmitir oralmente as informações e os conhecimentos necessários para manter as cidades funcionando. Por isso, foram criadas maneiras de registrar essas informações e esses conhecimentos com os primeiros sistemas de escrita, por volta de 4000 antes de Cristo, na região da Mesopotâmia, no Oriente Médio.

No início, a escrita serviu para facilitar a contabilidade, controlar a circulação de produtos e fiscalizar pagamentos. Os sinais utilizados eram pictogramas que imitavam a fórma dos elementos que representavam. Com o passar do tempo, esses símbolos foram simplificados e passaram a expressar ideias. Por ser feito usando uma goivaglossário com ponta em fórma de cunha, esse tipo de escrita ficou conhecido como cuneiforme. Logo ele passou a ser usado também em textos religiosos, contratos, declarações reais e poemas.

Aprender a escrever e a decodificar esses sinais era tarefa de especialistas, os chamados escribas. Um escriba precisava estudar por muitos anos para aprender a ler e escrever.

Fotografia. Objeto de argila, com formato quadrado e contorno irregular. Ele está marcado com traços que formam símbolos.
Tábua de argila suméria com inscrições cuneiformes referentes a registros administrativos de distribuição de cevada, cêrca de 3100 a 2900 antes de Cristo Museu Metropolitano de Arte, Nova iórque, Estados Unidos. A escrita cuneiforme foi decifrada no século dezenove, o que contribuiu para obter informações sobre a vida dos povos mesopotâmicos.

Mesopotâmia

Mesopotâmia é uma palavra de origem grega que significa “terra entre rios”. Ela se refere à região entre os rios Tigre e Eufrates e demonstra a importância dos cursos de água para as populações que ali viveram. Por ser uma região fértil e de fácil acesso, atraiu muitos povos e foi palco de disputa entre eles.

Sumérios e acádios

Os sumérios foram um dos primeiros povos a se estabelecer entre os rios Tigre e Eufrates, por volta do ano 5000 antes de Cristo Acredita-se que eles tenham construído os primeiros canais de irrigação. É provável que também tenham inventado a roda e o arado, instrumentos importantes para a agricultura.

A partir do final do quarto milênio antes de Cristo, os sumérios fundaram várias cidades no sul da Mesopotâmia, como Eridu, Ur, uruc e Nipur. Embora tivessem a mesma língua e cultura, cada cidade era independente das demais e apresentava governo próprio; elas também tinham suas próprias leis e exército, e era frequente guerrearem umas com as outras. Portanto, elas se caracterizavam como cidades-Estado.

Por volta de 2200 antes de Cristo, os sumérios foram conquistados pelos acádios, povo semitaglossário que ocupava a região central da Mesopotâmia. Com um exército eficiente, os acádios criaram um dos primeiros impérios da história, o Império Acádio (ou Acadiano), com o poder centralizado na cidade de Ágade (ou Acádia).

Rivalidades e lutas internas enfraqueceram o Império Acádio, que não resistiu às invasões dos elamitasglossário . Originários do Planalto Iraniano, os elamitas dominaram a região por mais de cem anos.

Povos e impérios da Mesopotâmia

Mapa. Povos e impérios da Mesopotâmia. Destaque para a região do Crescente Fértil, entre a África e a Ásia. Legenda: 
Em laranja: Civilização suméria.
Em amarelo: Extensão máxima do Império Acádio.
Em verde: Extensão máxima do Primeiro Império Babilônico (Amorita).
Linha laranja: Extensão máxima do Império Assírio (sob Assurbanipal).
Linha verde: Extensão máxima do Segundo Império Babilônico (Caldeu).
No mapa, a civilização suméria ocupa a região ao redor dos rios Tigre e Eufrates próxima ao Golfo Pérsico, abrangendo as cidades de Lagaxe, Larsa, Eridu, Ur, Uruque, Nipur, Quishe e Babilônia. A extensão máxima do Império Acádio abarca quase toda a região do Crescente Fértil, incluindo todo o curso do Rio Tigre e do Rio Eufrates, com destaque para as cidades de Alepo e Susa. A extensão máxima do Primeiro Império Babilônico (Amorita) ocupa a região no centro do Império Acádio, incluindo quase todo o curso do Rio Tigre e do Rio Eufrates. Abrange as cidades de Nínive, Assur, Mari. A extensão máxima do Império Assírio (sob Assurbanipal) abrange o território entre o Planalto do Irã e o Deserto da Arábia. Se estende da Pérsia, próximo ao Golfo Pérsico, até a ponta oposta, perto de Chipre, no Mar Mediterrâneo. Abrange também a região da Caldeia, próxima ao Golfo Pérsico, Palestina, Fenícia e Egito. A extensão máxima do Segundo Império Babilônico (Caldeu): abrange quase toda a área do Império Assírio, com exceção do Egito.
 No canto superior esquerdo, rosa dos ventos e escala de 0 a 210 quilômetros.

Fonte: vidal naquet piérre; bertã jac. Atlas histórico: da Pré-história aos nossos dias. Lisboa: Círculo de Leitores, 1990. página 25 e 29.


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A parte sul da Mesopotâmia foi alvo de disputa entre vários povos que viveram no Oriente Médio. Observe o mapa e, considerando os aspectos geográficos da região, proponha uma hipótese para explicar esse interesse.

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Trocas culturais

Apesar do conflito militar entre sumérios e acádios, esses dois povos realizaram muitas trocas culturais. A princípio predominante, a cultura suméria foi aos poucos sendo reelaborada e absorvida pela semita. A língua e a escrita sumérias enriqueceram o idioma acádio; seu sistema social, econômico e administrativo também foi incorporado pelos acadianos. As trocas culturais foram tão intensas que os especialistas afirmaram ter existido uma cultura sumério-acádia no Antigo Oriente.


Amoritas, assírios e caldeus

Por volta de 1900 antes de Cristo, a região da Mesopotâmia foi dominada pelos amoritas, que vinham da região da Arábia. Eles fundaram a cidade da Babilônia, de onde se expandiram e estabeleceram o Primeiro Império Babilônico.

Uma das principais fontes para o estudo da história do Império Babilônico é uma estela (uma coluna de pedra) com inscrições feitas durante o governo do rei Hamurábi (1792-1750 antes de Cristo). Durante o seu reinado, Hamurábi mandou registrar em escrita cuneiforme as leis que ele havia estabelecido e que deveriam servir como referência para a aplicação da justiça em seu reino. Esse conjunto de leis ficou conhecido como Código de Hamurábi e se baseava no princípio da Lei de Talião, segundo o qual a pena dada ao infrator devia ser proporcional ao crime cometido por ele.

Durante o governo de Hamurábi, a Babilônia tornou-se um dos maiores centros comerciais do mundo antigo. Após sua morte, muitas revoltas populares dividiram o império, facilitando invasões externas e a dominação pelos assírios.

Os assírios fundaram várias cidades, como Assur, Nínive e Nimrud. Sob o reinado de Assurbanipal, que governou no século sete antes de Cristo, o Império Assírio alcançou sua máxima extensão, abrangendo a área do Egito à Pérsia.

Por volta de 610 antes de Cristo, os assírios foram derrotados pelos caldeus, provenientes da região central da Mesopotâmia. Os caldeus fundaram o Segundo Império Babilônico. Nesse período, a Babilônia tornou-se uma das cidades mais ricas e belas da época, com a construção de muralhas, templos, torres, portais e palácios.

Os governantes caldeus, contudo, não conseguiram manter a unidade do território, que foi conquistado pelos persas em 539 antes de Cristo

Fotografia. Pessoas observando um grande portal. Ele é formado por um grande muro azul, com animais desenhados em dourado. No centro, uma grande abertura em formato de arco.
Reconstrução do Portal de ixitár, erguido durante o governo de Nabucodonosor segundo, na Babilônia, no século seis antes de Cristo Foto de 2021. Museu Pergamon, Berlim, Alemanha.

Responda em seu caderno.

Recapitulando

  1. Dê a localização da região conhecida como Mesopotâmia.
  2. Qual princípio jurídico orientou a prática da justiça durante o reinado de Hamurábi?
  3. Por que a região da Mesopotâmia foi palco de disputas entre tantos povos diferentes?

Egito antigo

O Egito foi um reino que se desenvolveu no nordeste da África, numa região naturalmente protegida de invasores pelo Deserto do Saara e fertilizada pelo Rio Nilo. Todo ano, entre junho e setembro, as águas do Nilo aumentavam de volume e inundavam suas margens, depositando sobre elas o lodo que deixava o solo fértil para a prática da agricultura. As inundações, contudo, podiam alcançar as aldeias e destruir as áreas de cultivo. Além disso, em razão da escassez de chuvas na região, seus habitantes precisavam levar a água até pontos muito distantes das margens para irrigar as plantações.

Fotografia. Escultura em pedra de uma mulher ajoelhada com uma bandeja nas mãos e alguns objetos sobre ela. O cabelo da mulher se estende até a altura dos ombros. Ela usa um adereço comprido na cabeça, com três hastes cilíndricas no topo.
Escultura representando a cheia do Rio Nilo como divindade, séculos seis a quatro antes de Cristo Museu do Louvre, Paris, França.

Por isso, os egípcios construíram grandes obras hidráulicas, como barragens e canais de irrigação, para direcionar as águas do rio. No Egito, assim como na Mesopotâmia, desenvolveu-se uma civilização na qual a vida coletiva baseava-se no aproveitamento dos recursos hídricos e, por isso, ela também pode ser considerada uma civilização fluvial.

Egito antigo

Mapa. Egito antigo. Destaque para o nordeste da África e o sudoeste da Ásia. Legenda: 
Em verde: zona fértil cultivável.
Linha tracejada azul: limite entre o Baixo e o Alto Egito.
No mapa, a zona fértil cultivável se estende verticalmente pelo território ao redor do Rio Nilo, desde o Mar Mediterrâneo, ao norte, passando pelas cidades de Gizé, Mênfis, Abidos, Vale dos Reis, Tebas, Karnak, Assuã e Abu Simbel, no Alto Egito.
O limite entre o Baixo e o Alto Egito cruza horizontalmente o deserto da Líbia, passando pela cidade de Gizé. O Baixo Egito está ao norte, perto do Mar Mediterrâneo. O Alto Egito compreende todo o território restante, abrangendo a maior parte do curso do Rio Nilo. No canto inferior esquerdo, rosa dos ventos e escala de 0 a 90 quilômetros.

Fonte: dubí jórj. Atlas histórico mundial. Barcelona: Larousse, 2010. página 28.


Responda em seu caderno.

Recapitulando

6. Por que a civilização egípcia pode ser considerada uma civilização fluvial?


A unificação dos reinos no Egito

Os assentamentos humanos estabelecidos às margens do Rio Nilo eram chamados de nomos e chefiados por um nomarca. Com o tempo, os nomos uniram-se em dois reinos – o do Alto Egito, ao sul, e o do Baixo Egito, ao norte. Por volta de 3100 antes de Cristo, esses reinos foram unificados e ficaram sob a autoridade de um rei único e poderoso, o faraó.

Pouco se sabe a respeito dos primeiros faraós. Conhecem-se apenas alguns nomes, como o do rei Narmer, considerado nas lendas o unificador dos reinos do Alto e do Baixo Egito. Acredita-se que ele foi o fundador da primeira das 33 dinastias que governaram o Egito por mais de três mil anos e também o primeiro faraó.

Depois da unificação, os faraós mantiveram o contrôle político do reino por aproximadamente um milênio. Após um período de enfraquecimento da autoridade real, a partir de 1580 antes de Cristo, os faraós retomaram a estabilidade e adotaram uma política expansionista. A partir de 670 antes de Cristo, contudo, o reino foi sucessivamente dominado pelos assírios, persas, gregos e finalmente pelos romanos, em 30 antes de Cristo

História em construção

A paleta de Narmer

A paleta de Narmer é um dos objetos mais importantes da arqueologia egípcia. Os especialistas ainda discutem o significado dos elementos representados nos relevos. Para alguns, a composição representa a derrota do Baixo Egito. Para outros, a paleta faz referência a cerimônias de renovação do ciclo da vida.

Entretanto, eles concordam que a paleta narra, simbolicamente, a história da unificação e da pacificação entre os reinos do Alto e do Baixo Egito, além de representar o faraó como um ser supremo. A paleta também mostra o refinamento artístico dos egípcios e sua habilidade em representar a anatomia humana.

Na imagem da paleta, vemos o rei Narmer representado com uma coroa, simbolizando a autoridade do Baixo Egito. À frente dele, um sacerdote acompanha um grupo de pessoas carregando estandartes com signos religiosos. Diante deles há vários corpos de inimigos decapitados, simbolizando a vitória de Narmer sobre eles. Na parte superior, entre as representações da deusa Bat, estão os hieróglifos do peixe e do cinzelglossário , representando o nome de Narmer. Na parte central, os dois animais mitológicos podem simbolizar a unificação entre os reinos do Alto e do Baixo Egito, ou a pacificação entre eles. Mais abaixo, o faraó é representado como um touro forte, mas ele não está atacando o inimigo. Essa cena representa a última fase da unificação do Egito: a vitória de Narmer, sem derramamento de sangue.


Escultura. Pedra em formato triangular com as pontas arredondadas. Nela estão representadas diversas cenas. Na parte superior, dois animais com grandes chifres. Logo abaixo, um homem grande, com uma coroa sobre a cabeça, observa pessoas pequenas carregando estandartes. À direita, vários corpos sem cabeça. Mais abaixo, dois animais de pescoço longo. Estão um de frente para o outro, com os pescoços entrelaçados. Por fim, na extremidade da pedra, uma pessoa deitada perto de um grande touro.
Uma das faces da paleta de Narmer, cêrca de 3100-2980 antes de Cristo Museu Egípcio, Cairo, Egito.

A vida na Mesopotâmia e no Egito

Conheceremos agora alguns aspectos sociais, religiosos, econômicos e científicos dos povos da Mesopotâmia e do Egito antigo.

A religião

A religião desempenhava um papel importante na vida cotidiana dos habitantes do Antigo Oriente. Para eles, a vontade dos deuses determinava os fatos cotidianos e até os fenômenos naturais. Por isso, tanto os egípcios quanto os povos da Mesopotâmia se esforçavam para agradar aos deuses por meio de orações, oferendas ou sacrifícios.

A maioria dos povos antigos era politeísta, ou seja, adorava várias divindades. Essas divindades estavam associadas a diversos aspectos da natureza e da existência humana, como as águas dos rios, os astros do céu, a guerra, o parto, o lar e o amor. As divindades podiam ser representadas como uma mistura de fórmas humanas e animais (antropozoomorfismo), apenas com fórmas humanas (antropomorfismo) ou somente com fórmas animais (zoomorfismo).

Os reis divinos

Tanto no Egito quanto na Mesopotâmia, o poder dos governantes estava associado aos deuses e à religião. Na Mesopotâmia, os reis eram considerados representantes dos deuses na Terra, intermediários entre as divindades e os seres humanos. Já no Egito, o faraó era considerado um deus encarnado, ou seja, não um representante dos deuses, mas o próprio deus em um corpo humano. Como o fundamento do poder desses reis era a religião, dizemos que o poder deles era teocrático.

O medo e o respeito aos deuses se traduziam como obediência aos reis e sacerdotes. Por essa razão, quando, por exemplo, os súditos eram convocados a trabalhar para o palácio e para os templos, encaravam essa tarefa como uma espécie de tributo aos deuses, uma obrigação que não podiam deixar de realizar.

Saiba mais

Diferentes povos, diferentes escritas

Com o passar do tempo, algumas sociedades desenvolveram fórmas de escrita nas quais um símbolo podia representar tanto um som da fala quanto uma palavra ou uma ideia completa, como os hieróglifos no Egito. Por volta de 1700 antes de Cristo, os fenícios, antigos habitantes do atual Líbano, desenvolveram um sistema de escrita em que os sinais representavam apenas os sons da fala, e não mais objetos ou ideias. Como os fenícios eram comerciantes, precisavam de um sistema prático, que facilitasse seus negócios. Surgia, assim, a escrita alfabética, semelhante à que usamos neste livro.


Pictograma egípcio

Hieróglifo

Escrita fenícia

Águia

Ilustração em preto e branco. Pequeno pássaro visto de perfil.

Ilustração em preto e branco. Forma curvilínea da base maior e topo menor.

Ilustração em preto e branco. Três formas retas sobrepostas formando um triângulo com hastes no topo e na lateral direita.

Trono

Ilustração em preto e branco. Um banco com assento reto e duas pernas.

Ilustração em preto e branco. Forma curvilínea de base e topo proporcionais.

Ilustração em preto e branco. Forma vertical, de traçado reto com a base inclinada para a direita e a parte superior inclinada para a esquerda.


Responda em seu caderno.

Recapitulando

7. Os reis egípcios e mesopotâmicos tinham muito poder. Qual era a origem desse poder?


O mundo dos mortos

Os povos que viviam na Mesopotâmia imaginavam que a alma da pessoa morta seguia para o Mundo Subterrâneo, um lugar silencioso, escuro, poeirento, governado pelos deuses das profundezas.

Entretanto, esses povos não abandonavam o falecido. Após o sepultamento do corpo, havia um período de lamentação, em que o luto era demonstrado por meio de vestimentas e adereços. Acreditava-se que, com a entrada do gidim (fantasma ou espírito) no mundo dos mortos, os vivos deveriam oferecer-lhe comida e bebida.

Já os egípcios acreditavam que, com o corpo purificado, a pessoa poderia renascer e trilhar o caminho da eternidade, interrompido pela morte física. Para que o morto retomasse essa caminhada no mundo inferior, seu corpo deveria ser mumificado.

No túmulo eram colocados objetos que poderiam ser úteis na vida após a morte: alimentos, utensílios domésticos, objetos pessoais, joias, armas etcétera O sepultamento também contava com pelo menos um trecho do Livro dos mortos, uma espécie de manual com fórmulas mágicas, hinos e orações que poderiam ajudar o falecido na passagem entre os mundos. O livro também orientava o finado a se apresentar diante do tribunal de Osíris, o deus dos mortos, momento em que seria julgado por tudo o que tivesse feito durante a vida.

A prática da mumificação

Ilustração. Cenas acompanhadas de textos explicam a prática da mumificação. Homens carecas, sem camisa e usando um saiote branco trabalham em todo o processo. Na parte superior, dois deles deitam um corpo sobre uma mesa. Junto a eles, o texto: 1. Depois de lavado com vinho e água, o corpo do morto tinha as vísceras removidas. 
Espalhados ao redor da mesa, no chão, vasos cerâmicos de tamanhos variados. Os vasos da esquerda estão tampados. Os da direita estão abertos com as tampas no chão. Junto a eles, o texto: 2. Os órgãos eram lavados, enfaixados e colocados em vasos com tampas que representavam o deus protetor de cada órgão. 
No centro, o corpo está em uma grande estrutura retangular, semelhante a uma banheira, no chão. Um homem despeja uma grande camada de sal sobre o corpo. Junto a eles, o texto: 3. O sal de natrão era usado para remover todo o líquido do corpo e melhor preservá-lo. Após várias semanas, o corpo, já desidratado, era preenchido e coberto com resinas aromáticas e óleos. Sobre o local do coração, considerado o centro da
vida, colocava-se um amuleto. 
Na parte inferior, o corpo já bem magro está sobre outra mesa, ornamentada. Um homem começa a enfaixar o corpo. Outro homem, com uma máscara de um animal de cara preta, com orelhas erguidas e olhos amarelos, está com as mãos erguidas acima do corpo. Junto a eles, o texto: 4. O ritual de enfaixar o corpo durava quinze dias. Um sacerdote, utilizando a máscara de Anúbis, entoava cânticos mágicos.

Fontes: Mumificação no Egito antigo. Aventuras na História, número 57, página 22-23, abril 2008; ros stuart. Egito antigo. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2005. página 14-15. (Coleção Histórias da Antiguidade).


As construções para os mortos e os templos

Diante da preocupação com a vida após a morte, os egípcios construíram monumentos funerários para abrigar e proteger o corpo do falecido e os objetos que eram sepultados com ele. Até mesmo a população mais pobre construía túmulos com esse objetivo. As grandes construções, como as pirâmides para o túmulo dos faraós, porém, por seu elevado custo, eram destinadas apenas às camadas mais privilegiadas.

A construção das pirâmides teve início no antigo Império, aproximadamente em 2650 antes de Cristo Feitas geralmente de pedra, essas monumentais obras de engenharia até hoje impressionam pela complexidade dos conhecimentos necessários à sua execução. Por exemplo, o nivelamento da base da enorme pirâmide de Quéops é quase perfeito, tendo uma variação de apenas 2 centímetros. Além disso, os egípcios conseguiram tornar paralelas as laterais das pirâmides em relação aos eixos norte-sul e leste-oeste baseando-se apenas na observação dos astros no céu. Ainda não sabemos ao certo qual foi o método utilizado para alcançar tamanha precisão.

Os templos no Egito e na Mesopotâmia abrigavam cerimônias religiosas com imagens de deuses e oferendas, mas também eram local de trabalho para artesãos. Na Mesopotâmia, os templos serviam ainda como local de estudos de matemática e astronomia. Entre os templos mais impressionantes da Mesopotâmia estão os zigurates, que representavam pontes entre a Terra e o Céu e podiam medir até 30 metros de altura.

Fotografia. Paisagem desértica com seis pirâmides: três menores, na frente, e três maiores, ao fundo. As menores estão com suas estruturas danificadas. Na parte inferior da imagem, algumas pessoas montadas em camelos.
Pirâmides de Gizé, na cidade do Cairo, Egito. Foto de 2019. A maior delas, dedicada ao faraó Quéops, tem 146 metros de altura.

Responda em seu caderno.

Recapitulando

  1. Os povos da Mesopotâmia e do Egito tinham a mesma concepção sobre a morte? Explique.
  2. Que papel a religião desempenhava na vida dos povos da Mesopotâmia e do Egito?

As sociedades

No Antigo Oriente, havia pessoas privilegiadas, que ocupavam postos de comando e de poder, e camadas subalternas, que lhes prestavam obediência. A posição de cada pessoa era herdada de seus antepassados e dificilmente se alterava.

Nos reinos mesopotâmicos, o topo da hierarquia social era ocupado pelo rei e sua família. Com os sacerdotes, funcionários do Estado e chefes militares, formavam o grupo privilegiado que desfrutava de benefícios e decidia as questões mais importantes.

No grupo intermediário estavam arquitetos, médicos, comerciantes e artesãos especializados, que costumavam ser bem pagos por seus serviços.

A maioria da população dos reinos mesopotâmicos era formada por camponeses. Eles estavam na base da sociedade, assim como os trabalhadores das cidades e os escravizados.

No Egito, a posição mais elevada da sociedade era ocupada pelo faraó e sua família, seguidos pelos sacerdotes e funcionários do Estado. O funcionário mais importante era o vizir, responsável por criar impostos e controlar a arrecadação, recrutar pessoas para o trabalho nas construções, fiscalizar as obras públicas e presidir o tribunal de justiça. Ele contava com o auxílio dos escribas, aos quais cabia registrar a cobrança de impostos, escrever leis, fiscalizar as contas do reino e realizar o censo da população.

Quando o Egito começou a se envolver em grandes disputas territoriais, por volta de 2100 antes de Cristo, os chefes militares passaram a ser mais respeitados e reconhecidos na sociedade. O crescimento do comércio com os povos vizinhos também promoveu o enriquecimento dos comerciantes, que formaram uma camada social poderosa. Na base da sociedade estavam os camponeses, também chamados de felás, que formavam a camada social mais numerosa do Egito, e os escravizados.

Mosaico. Imagem vertical dividida em três linhas. Na linha de cima, pessoas sentadas com taças na mão e outros em pé servindo. Na linha do meio, pessoas carregando objetos e guiando animais. Na linha de baixo, pessoas carregando grandes sacos nas costas. Entre elas alguns animais.
Detalhe do Estandarte de Ur, mosaico sumério produzido por volta do ano 2500 antes de Cristo Museu Britânico, Londres, Reino Unido. Na peça, há representações do cotidiano sumério.

Responda em seu caderno.

Explore

Descreva os elementos da imagem e identifique a posição que os indivíduos representados no painel ocupavam na sociedade mesopotâmica.


Responda em seu caderno.

Recapitulando

10. Que grupos sociais desfrutavam de condição privilegiada nas sociedades do Antigo Oriente?


Sistemas de trabalho: servidão coletiva e escravidão

Como estudamos, a maioria da população do Egito e da Mesopotâmia era constituída por camponeses. A maior parte do que produziam era usada para pagar tributos aos reis e aos templos. Eles podiam ser convocados para o trabalho em grandes obras públicas quando necessário. No entanto, nos reinos mesopotâmicos, cada família tinha a posse das terras onde vivia e podia vendê-las e transmiti-las por herança aos descendentes.

No Egito, os felás eram responsáveis pela produção do alimento que abastecia toda a população do reino. As terras eram administradas pelos sacerdotes e nobres, mas pertenciam ao faraó. Por isso, os felás deveriam entregar como tributo a maior parte do que produziam. Na época das cheias, eles podiam ser convocados para trabalhar nas obras públicas e servir o exército nas campanhas militares. Pelo trabalho realizado para os templos e para o faraó, os felás recebiam alimento e vestimenta.

Tanto no Egito quanto nos reinos da Mesopotâmia, o trabalho compulsório era realizado como uma obrigação para com os deuses. Esse sistema recebeu o nome de servidão coletiva, porque se impunha a toda a população, e não a indivíduos em particular.

A escravidão existiu em todo o mundo antigo, mas no Egito e nos reinos da Mesopotâmia os escravizados constituíam uma pequena parcela da população. Em geral, eram prisioneiros de guerra, condenados por crimes ou por não conseguirem quitar dívidas. Eles podiam se casar e constituir família, e sua mão de obra era empregada nos trabalhos domésticos, nas minas e pedreiras, no artesanato e nos trabalhos agrícolas.

Pintura. Destaque para vários homens de cabelo preto na altura das orelhas. Estão sem camisa e usando saiotes brancos. Alguns deles manuseiam o solo com ferramentas. Outros jogam sementes. Outros, ainda, supervisionam o trabalho dos demais.
Pintura encontrada na tumba de nact, em Tebas, Egito, cêrca de 1400 antes de Cristo Nela foram representados os felás egípcios trabalhando em atividades agrícolas.

Refletindo sobre

Atualmente, existem leis punitivas para pessoas que submetem outras ao trabalho forçado, à jornada exaustiva e a condições degradantes de trabalho. O que você pensa sobre a permanência desses abusos em relação ao trabalhador?


Responda em seu caderno.

Recapitulando

11. É correto afirmar que os templos ou palácios da Mesopotâmia e do Egito foram construídos predominantemente com o trabalho escravo? Justifique.


Agricultura e comércio

A agricultura era a base da economia das sociedades do Antigo Oriente. Na Mesopotâmia, a cevada, o trigo, a lentilha, o linho e as tâmaras eram os principais produtos cultivados. Os camponeses criavam ovelhas, cabras, porcos e aves, e utilizavam bois no trabalho com o arado ou para puxar carroças.

A escassez de recursos naturais, principalmente metais, e as condições geográficas favoráveis estimularam a atividade comercial na Mesopotâmia. A região era rodeada por diversos centros comerciais, e os rios Tigre e Eufrates serviam como importantes vias de transporte. Para o comércio com regiões longínquas, eram organizadas expedições que duravam vários dias e contavam com proteção especial. Em geral, só os palácios e templos tinham condições de arcar com os custos e os riscos de grandes caravanas, mas elas também podiam ser patrocinadas por associações de mercadores particulares. Como não existiam moedas na Mesopotâmia, o comércio era realizado com base na troca de mercadorias. Cevada, cobre e chumbo foram importantes meios de troca, mas na época de Hamurábi difundiu-se o uso da prata e do ouro no comércio com o exterior.

No Egito, o Rio Nilo facilitou o cultivo de centeio, linho, algodão, vinhas, frutas e hortaliças, sendo mais importantes as colheitas de trigo e de cevada. O faraó também era o principal responsável pelas expedições comerciais. Escoltadas por muitos soldados, as expedições que viajavam por terra transportavam as mercadorias em lombo de burros. Para o comércio marítimo e fluvial, os egípcios construíram barcos eficientes. Como a madeira era escassa e cara, as embarcações eram feitas principalmente de papiro ou de junco. Havia os navios mercantes, os de navegação de longa distância e os cargueiros.

Produtos importados pelos povos da Mesopotâmia

Mapa. Produtos importados pelos povos da Mesopotâmia. Destaque para a área entre o noroeste da África e o sudoeste da Ásia. 
Legenda com ilustrações representando os seguintes elementos: cobre, estanho, prata, turquesa, esteatita, sílex, ouro, lápis-lazúli, cornalina, granito, madeira, marfim.
No mapa, o cobre é localizado em Chipre, Grécia, noroeste da Arábia, Anatólia, sul do Mar Cáspio, Elam e Pérsia. O estanho em Anatólia, sul do mar Cáspio e Pérsia. A prata em Creta e Anatólia. Turquesa na Península do Sinai e nas proximidades do Mar de Aral. Esteatita em Elam. Sílex no Egito, às margens do Rio Nilo. Ouro na Anatólia e na Pérsia. Lápis-lazúli na Pérsia. Cornalina na Pérsia. Granito no Egito, entre o Rio Nilo e o Mar Vermelho.
Madeira na Mesopotâmia e no norte da Arábia. Marfim no Egito e na Pérsia.
No canto inferior esquerdo, rosa dos ventos e escala de 0 a 380 quilômetros.

Fonte: REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo: Saraiva, 1997. página 20.


Responda em seu caderno.

Recapitulando

  1. Como se explica a importância dos comerciantes na Mesopotâmia?
  2. Qual era a importância econômica do Rio Nilo para os egípcios?

A observação e a compreensão do mundo

Entre os textos encontrados por arqueólogos na antiga Mesopotâmia, há vários tratados de matemática, astronomia e medicina. Nesses tratados, os sábios descreviam fenômenos e acontecimentos para, em seguida, classificá-los.

Os tratados de medicina, por exemplo, baseavam-se na experiência e na prática dos médicos. Em geral, eles começavam com uma descrição dos sintomas da doença e terminavam com um diagnóstico médico.

Se um homem febril sente seu ventre queimando; se, ao mesmo tempo, ele não sente prazer nem vontade de comer ou beber e, além do mais, seu corpo está amarelado, reticências então esse homem sofre de uma doença venéreaglossário .

botéro jian. Mesopotamia: writing, reasoning, and gods. Chicago: University of Chicago Press, 1992. página 170. (Tradução nossa).

Com base nessa lógica, os sábios da Mesopotâmia organizaram uma vastidão de informações sobre variados assuntos. Alguns historiadores acreditam que a semente do pensamento científico reside no universo do saber mesopotâmico.

Os egípcios também se destacaram em diversos campos do conhecimento. Além da técnica de usar as fibras do papiro, uma planta, para produzir suporte para a escrita, os egípcios desenvolveram a matemática, aplicando essa ciência na construção dos grandes edifícios e na contabilidade.

Por meio da observação dos astros do céu, aprenderam a medir a passagem do tempo e a prever a periodicidade das enchentes. A medicina também prosperou entre os egípcios. Havia tratamentos para reumatismo, artrite, problemas cardíacos, dentários etcétera Os egípcios conheciam bem a anatomia humana, que estava relacionada à prática da mumificação.

Conexão

Segredos do Egito

Disponível em: https://oeds.link/DonENF. Acesso em: 13 dezembro 2021.

No site está disponível um jogo de memória simples chamado Segredos do Egito. Nele, é possível descobrir algumas curiosidades sobre o Egito antigo, como o significado do olho de Hórus, e relembrar algumas informações estudadas no capítulo. Um passatempo divertido que o ajudará a estudar!


Captura de tela. Página inicial de jogo online. No centro, em primeiro plano, o título: SEGREDOS DO EGITO. Escola games. Abaixo o botão JOGAR. Ao fundo, à direita, pirâmides no deserto e um coqueiro. À esquerda, parte de um grande muro com inscrições em pictograma egípcio.
Tela inicial do jogo Segredos do Egito.

Responda em seu caderno.

Recapitulando

  1. Que importante contribuição os povos da Mesopotâmia deram ao desenvolvimento do conhecimento?
  2. Cite três áreas do conhecimento que alcançaram grande desenvolvimento no Antigo Oriente.

Enquanto isso…

Os árias e os livros sagrados dos hindus

Ao longo do segundo milênio antes de Cristo, os árias (ou arianos), povos seminômades indo-europeus, partiram do atual Irã e regiões do Mar Cáspio e invadiram o Vale do Rio Indo. Os árias utilizavam cavalos e possivelmente o ferro, organizavam-se em tribos – as janas – e migravam em busca de pasto para o gado.

A principal fonte de informação desse período são os Vedas – textos que constituem a base do hinduísmo atual. Os Vedas foram escritos em sânscrito, língua originalmente sagrada que se transformou em língua literária. Eles são compostos de quatro livros sagrados. Os hinos desses livros eram cantados pelos brâmanes, especialistas em sacrifícios realizados para adoração aos numerosos deuses e deusas do panteão ária. Diferentemente de outros livros religiosos, os Vedas não transmitem uma doutrina, mas um conjunto de saberes. Eles tratam de assuntos diversos, como higiene e filosofia, pois não separam nada do aspecto religioso, uma vez que sua ideia central é a de que tudo e todos estão ligados e integrados a uma inteligência divina superior.

O hino védico mais antigo – o Rig Veda – foi escrito por volta de 1500 antes de Cristo Nesse período, houve um processo de sedentarização em assentamentos agrícolas e a formação de linhagens (rajanya) que se uniram formando clãs (vis). Os membros dos clãs passaram a utilizar armas de ferro e a subjugar outras populações. Novas áreas de cultivo foram abertas na planície fértil do Rio Ganges e os clãs passaram a realizar trocas comerciais entre si.

Essa nova organização social e política se estabelecia em rígidas divisões sociais – as castas – e na centralização do poder, quando os líderes de clãs se uniram aos brâmanes e se tornaram a elite da sociedade ariana.

Migrações arianas e as civilizações antigas indianas

Mapa. Migrações arianas e as civilizações antigas indianas. Destaque para o sudeste asiático. 
Legenda: Civilização do Indo. 
Em rosa: Núcleo de cultura neolítica pré-indiana.
Linha tracejada laranja: Limite aproximado da civilização do Indo.
Em laranja: Influência da civilização de Harappa.
Seta marrom: Invasões de arianos.
Círculos roxos: núcleos urbanos.
No mapa, o núcleo de cultura neolítica pré-indiana está localizado às margens do Rio Indo, próximo ao Mar Arábico. O limite aproximado da civilização do Indo abrange uma área maior, na região às margens do Rio Indo, no noroeste da atual Índia. A influência da civilização de Harappa abrange uma área ainda maior, desde o noroeste da atual Índia até a margem direita do Golfo Pérsico. As invasões de arianos partem da região da Mesopotâmia e seguem em duas direções. Para o litoral, próximo ao Mar Arábico, e para o interior, próximo ao Rio Indo. Os núcleos urbanos estão localizados na costa oeste e no sul da atual Índia, e nas proximidades do Rio Indo.
No canto inferior direito, rosa dos ventos e escala de 0 a 500 quilômetros.

Fonte: VICENTINO, Cláudio. Atlas histórico: geral e do Brasil. São Paulo: Cipiône, 2011. página 24.


O sistema de castas

Ainda hoje predomina o sistema de divisão da sociedade indiana em castas. Calcula-se que existam .1500 subdivisões de castas na Índia. No fim do período védico, contudo, essa divisão era menos rígida do que nos dias atuais. A justificativa para a divisão em castas está na origem de cada uma delas:

  • da cabeça do deus brãma teriam surgido os brâmanes, cujas vestimentas deviam ser predominantemente brancas;
  • dos seus braços teriam surgido os xátrias, guerreiros que utilizavam vestimentas amarelas;
  • das pernas de brãma teriam surgido os comerciantes e os artesãos – os vaixás –, que deviam vestir-se com roupas vermelhas;
  • os xudras, que teriam nascido dos pés de brãma, eram trabalhadores que serviam as demais castas e usavam roupas pretas.

Havia, ainda, os prajas, que não teriam origem em nenhum membro do corpo de Brahma. Eles eram considerados impuros e não deviam ser tocados, executavam tarefas consideradas degradantes e lidavam com sangue e excrementos.


Fotografia. Meninas indianas em sala de aula. Elas estão sentadas em duplas. O uniforme e os laços que adornam o cabelo são azuis. Algumas estão escrevendo em seus cadernos, outras estão olhando para a câmera que as fotografa. A professora está no fundo da sala, em pé, ao lado da última carteira. Atrás dela uma grande lousa com desenhos colados.
Estudantes indianas na Escola Sandipani Muni para meninas. Vrindavan, Índia. Foto de 2017. Inicialmente transmitidos de fórma oral, os ensinamentos contidos nos Vedas foram escritos e usados também para fins didáticos.

Responda em seu caderno.

Questões

  1. O que são os Vedas e qual é a relação deles com a divisão social em castas?
  2. Qual era a importância dos brâmanes para a centralização do poder na Índia?

Atividades

Responda em seu caderno.

Aprofundando

1. Observe a charge e responda às questões.

Charge. Três rapazes com vestimentas características de diferentes períodos da história escrevendo. O da esquerda usa um colar de dentes de animais e veste uma roupa de pele de animais, pendurada em apenas um de seus ombros. Tem o cabelo cobrindo o rosto. Ele desenha símbolos em uma tabuleta de argila. O rapaz do meio usa trajes egípcios, saiote branco e um chapéu dourado e azul sobre a cabeça, e desenha símbolos da escrita egípcia em um papiro. O rapaz da direita, de camiseta vermelha e boné azul, envia símbolos de emojis pelo celular em uma mensagem.
A evolução da escrita, charge de Luiz Fernando Cazo, 2016.
  1. Na charge, foram representados três tipos de escrita desenvolvidos por diferentes povos. Quais tipos de escrita são esses?
  2. Qual é a semelhança entre esses três tipos de escrita?

2. Leia um trecho do Código de Hamurábi. Depois, responda às questões.

reticências Se um homem cegou o olho de um homem livre, o seu próprio olho será cego.

Se um homem cegou o olho de um plebeu, ou quebrou-lhe o osso, pagará uma mina de prata.

Se um homem cegou um olho de um escravo, ou quebrou-lhe um osso, pagará metade de seu valor.

Se um homem tiver arrancado os dentes de um homem da sua categoria, os seus próprios dentes serão arrancados. reticências

CÓDIGO de Hamurábi [1792-1750 antes de Cristo]. In: Coletânea de documentos históricos para o 1º grau: 5ª a 8ª séries. São Paulo: Secretaria de Educação/sêmp, 1980. página 57.

  1. Hamurábi era governante de que império? Em que período ele governou esse império?
  2. O que é a Lei de Talião? Transcreva trechos do Código de Hamurábi que estão de acordo com os princípios dessa lei.
  3. Que aspectos da vida dos babilônios os artigos citados regulavam?
  4. As leis do Código de Hamurábi mostram que a sociedade babilônica era hierarquizada. Identifique os estratos sociais citados no documento e mencione as características mais importantes de cada um deles.

3. Leia o texto a seguir, sobre a importância dos mitos para a formação da sociedade mesopotâmica. Depois, responda às questões.

Os mitos [mesopotâmicos] contam que, no início dos tempos, os deuses não tinham quem trabalhasse por eles e nunca conseguiam comer e beber o bastante. reticências Foi, então, [que os homens] foram criados para substituir os deuses nos trabalhos. reticências O mito da criação do homem reticências apresentava como uma obrigação das pessoas doar parte de seu trabalho e de sua produção para o sustento dos deuses, isto é, de seus templos e de seus representantes na Terra: sacerdotes e reis. reticências De certo modo, os mitos contribuíram para reticências mostrar que a principal função da humanidade era trabalhar para os deuses.

REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo: Saraiva, 1997. página 24-25.

  1. Segundo os mitos mesopotâmicos, por que os deuses criaram os homens?
  2. Qual era o principal papel dos homens e mulheres mesopotâmicos na vida social e econômica?
  3. De que fórma o mito presente no relato favorecia o regime teocrático?˜

4. Um dos mais antigos textos literários do mundo é A Epopeia de gilgaméch. Trata-se de uma narrativa épica, escrita há mais de 4 mil anos, sobre os desafios enfrentados por gilgaméch, um lendário rei da cidade suméria de uruc, na sua busca pela imortalidade.

Quando os deuses criaram gilgaméch, deram-lhe um corpo perfeito. reticências Eles o fizeram dois terços deus e um terço homem.

Em uruc ele construiu muralhas, grandes baluartes, e o abençoado templo de eana, consagrado a Anu, o deus do firmamento, e a ixitár, a deusa do amor. reticências Aproximai-vos de eana, a morada de ixitár, nossa senhora do amor e da guerra: é inigualável, não há homem ou rei que possa construir algo que se equipare. Subi as muralhas de uruc; digo, caminhai por cima delas; observai atentamente o terraço da fundação, examinai o trabalho de alvenaria: não é feito com tijolos cozidos, e bem feito? Os sete sábios lançaram sua fundação.

A EPOPEIA de gilgaméch. São Paulo: Martins Fontes, 1992. página 91-92.

  1. gilgaméch é um homem como qualquer outro? Explique.
  2. Os palácios, templos e muralhas, no poema atribuídos a gilgaméch, foram construídos com seu trabalho? Justifique.
  3. Com que objetivo o poema exalta a imponência das construções da cidade de uruc?

5. Leia o texto. Depois, responda às questões.

Eu sou Assurbanipal, rei do universo, rei da Assíria, a quem Assur, o rei dos deuses, e ixitár, a dama da batalha, ditaram um destino heroico reticências. Como o desencadear de um terrível furacão, avassalei por inteiro o Elam, cortei a cabeça de Teuman, o seu rei fanfarrãoglossário , que planejara o meu mal. Não têm conta os seus guerreiros que eu matei, e os que apanhei vivos com as minhas mãos reticências. Hamanu, a cidade real do Elam, eu cerquei, eu capturei, reticências eu a destruí, eu a devastei, eu a incendiei. Príncipe inigualado, reticências coloquei submissos a meus pés todos os príncipes.

ASSURBANIPAL [século sete antes de Cristo]. In: crãmer, Samuel número Mesopotâmia: o berço da civilização. Rio de Janeiro: José Olympio, 1981. página 66-82. (Coleção láife/Biblioteca de história universal).

  1. Que pronome pessoal predomina no texto? Que efeito isso provoca?
  2. Que imagem Assurbanipal tinha de si mesmo?
  3. Como os vencidos eram tratados por esse rei assírio? Justifique.

6. O texto a seguir apresenta alguns ensinamentos de um faraó a seu filho Merikare. Essas lições foram escritas por volta de 2100 antes de Cristo Note que, apesar de antigas, elas tratam de um tema muito atual.

A língua é a espada do rei.

A palavra é mais poderosa que qualquer outra arma. reticências um povo rico não se levanta para rebelar-se. Não o empobreças, de maneira que não se veja levado à rebelião, pois é o povo pobre aquele que fomenta o distúrbio.

reticências Não faças diferença entre o filho de um homem de qualidade e o de um homem comum reticências.

ENSINAMENTOS a Merikare. In: FERREIRA, Olavo Leonel. Egito: terra dos faraós. segunda edição São Paulo: Moderna, 2005. página 75. (Coleção Desafios).

  1. Quais são os três conselhos do faraó a seu filho?
  2. Em sua opinião, qual desses conselhos é o mais importante? Justifique sua resposta.
  3. Por que o faraó anuncia que “a palavra é mais poderosa que qualquer outra arma”?

7. Leia o hino e responda: por que o Rio Nilo era adorado?

Adoração ao Nilo!

Salve, tu, Nilo!

Que te manifestas nesta terra

E vens dar vida ao Egito! reticências

Ao irrigar os prados criados por Rá,

Tu fazes viver todo o gado reticências

Tu crias o trigo, fazes nascer o grão,

Garantindo a prosperidade aos templos. reticências

ADORAÇÃO ao Nilo! [1800-1500 antes de Cristo]. In: Coletânea de documentos históricos para o 1º grau: 5ª a 8ª séries. São Paulo: Sudeste/sêmp, 1980. página 55.

Aluno cidadão

  1. O desenvolvimento de obras hidráulicas e o aproveitamento das águas dos rios foi essencial para o desenvolvimento das antigas civilizações fluviais como a egípcia e a mesopotâmica. Atualmente, o Brasil é um dos países com maior abundância de recursos hídricos. Entretanto, há regiões brasileiras que sofrem com escassez de água, como o sertão nordestino e algumas grandes cidades do Sudeste. As causas da escassez são variadas e envolvem condições climáticas, falta de planejamento público e efeitos negativos das ações humanas. Com base nessas informações, debata as questões com os colegas.
    1. Como o ser humano interfere na natureza para obter água? Em que atividades a água é utilizada?
    2. Que ações humanas podem causar escassez de recursos hídricos?
    3. Que ações podem contribuir para a preservação desse recurso?
    4. Reúna-se em grupo para criar uma campanha de conscientização sobre a importância da preservação da água. Elaborem panfletos com textos e imagens, em papel ou em formato digital, propondo medidas para preservar os recursos hídricos, que possam ser adotadas pela população. Ao final, organizem uma fórma de distribuição dos panfletos para a comunidade escolar.

Conversando com arte

9. Observe a estátua representando o deus egípcio Hórus.

Estátua. Ave de pernas longas e peito estufado. Tem o bico curto e curvado para baixo. Uma coroa comprida e cilíndrica está sobre sua cabeça.
Estátua localizada no Templo de Hórus, em edfu, Egito. Foto de 2016.
  1. Na mitologia egípcia, Hórus é uma divindade associada ao céu e ao Sol. É filho e herdeiro de Osíris. Note na imagem que Hórus ostenta uma coroa na cabeça. O que isso pode significar?
  2. O que a estátua sugere sobre a monarquia egípcia?
  3. Representações como essa aparecem com frequência na arte egípcia. Em sua opinião, que razão pode haver para associar a imagem do deus Sol ao faraó?

Mão na massa

  1. Ur é uma das mais antigas cidades sumérias, fundada aproximadamente em 3800 antes de Cristo
    • Consulte o mapa da página 71 e localize Ur, atentando às características geográficas da região.
    • Junte-se a quatro ou cinco colegas e pesquisem imagens da cidade de Ur. Investiguem as dimensões dos edifícios, a função deles e os materiais usados nas construções.
    • Com base na pesquisa, construam uma maquete da cidade de Ur, usando sucata ou materiais como argila, madeira e papelão. Procurem reproduzir o ambiente geográfico da região onde Ur foi construída e a fórma e o tamanho, a localização e as características dos edifícios da cidade.
    • Apresentem a maquete para o restante da turma e comentem as principais características de Ur representadas nela.

Glossário

Perene
: nesse caso, rio que apresenta fluxo de água contínuo, ou seja, seu leito não seca em nenhuma estação do ano.
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Goiva
: ferramenta usada para marcar ou esculpir materiais como argila e madeira.
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Semita
: grupo étnico e linguístico composto de várias línguas, como a acádia, a fenícia, a hebraica e a árabe.
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Elamita
: povo do Elam (ou Elão), território situado a leste da Mesopotâmia, que atualmente faz parte do Irã.
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Cinzel
: instrumento composto de uma lâmina de metal utilizada para entalhar ou esculpir materiais duros, como madeira, pedra, ferro etcétera
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Venérea
: nesse caso, doença transmitida sexualmente.
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Fanfarrão
: indivíduo que conta bravatas, que se vangloria de sua coragem sem ser corajoso.
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