CAPÍTULO 15 Economia da Região Norte

Agropecuária

A agropecuária da Região Norte é marcada, principalmente, pêla expansão da fronteira agrícola. A agricultura, de caráter tradicional, desenvolve principalmente lavouras de gêneros alimentícios, como arroz, feijão e mandioca. produtos são comercializados e, geralmente, atendem ao consumo interno da população.

Os produtos de maior importância comercial da região são a juta e a malva, cujas fibras destinam-se à indústria têxtil, e a pimenta-do-reino, trazida para a região por imigrantes japoneses. O cultivo da soja para fins comerciais também vem tomando proporções cada vez maiores nos últimos anos, sendo praticado em grandes propriedades, principalmente nos estados de Tocantins e Rondônia.

De modo geral, a pecuária também é praticada em grandes propriedades, de fórma extensiva. Seus principais rebanhos são de gado bovino de córte, ou seja, criados para comercialização de carne. As criações de suínos e aves têm pequena participação na pecuária regional e destinam-se, principalmente, ao consumo interno da população.

Outra criação de grande importância para a região é a de búfalos. animais são criados em áreas que costumam alagar durante o período das cheias dos rios.

Fotografia. Vista aérea. Diversas áreas de plantação em tons diferentes.
Vista de propriedade agrícola com lavoura de soja, no município de Vilhena, Rondônia, em 2020.
Fotografia. Búfalos caminhando em um rio com vegetação rasteira à direita.
Rebanhos de búfalos no município de Soure, Pará, em 2019.

A questão fundiária na Região Norte

Até a década de 1960, grande parte das terras da Região Norte pertencia à União, ou seja, ao govêrno brasileiro. Muitas dessas terras eram ocupadas por populações que obtinham seu sustento da floresta, dos rios e de pequenas lavouras. Essa população era formada, em sua maioria, por povos indígenas e ribeirinhos, que ainda hoje habitam essa região.

A concessão de terras da Região Norte a partir da década de 1960 pêlo govêrno brasileiro, como parte dos projetos de povoamento, deu início a uma série de conflitos, pois não considerou a presença dos povos indígenas em seus respectivos territórios. Além disso, com a falta de demarcação, era comum a venda de um mesmo terreno para vários compradores. Quando todos os envolvidos reivindicaram a posse das terras que já estavam ocupadas havia séculos, iniciaram-se vários conflitos, que até hoje ocorrem, cada vez mais violentos e registrando muitas mortes.

Há décadas, alguns grupos religiosos e organizações não governamentais (ônguis) atuam na região com o intuito de amenizar os conflitos relacionados à posse de terras.

Fotografia. Casas de palafita sobre um rio escuro. Ao fundo há árvores.
Moradias ribeirinhas às margens do rio Amazonas, no município de Manaus, Amazonas, em 2021.

Grilagem

     Uma prática comum na Região Norte foi a venda de terras públicas, incluindo terras indígenas, por pessoas que falsificavam documentos. Os falsificadores guardavam os papéis em gavetas ou em caixas fechadas com grilos a fim de deixá-los com aparência envelhecida. Por êsse motivo, essa prática é conhecida hoje como grilagem.

Exploração econômica e conflitos pela terra

Na Amazônia, assim como em outras regiões do país, as terras das populações indígenas sofrem grandes ameaças. Veja, a seguir, alguns exemplos de como isso tem ocorrido.

  • muitas das estradas que começaram a ser implantadas na região Amazônica a partir da década de 1970 foram traçadas em terras indígenas, levando doenças. O povo indígena , no estado de Roraima, por exemplo, sofreu uma forte redução populacional após a construção da estrada que liga Manaus a Boa Vista.
  • epidemias que vitimaram muitos dêsses povos;
  • muitas terras indígenas, sobretudo as que ainda não foram demarcadas pêlo govêrno, continuam sendo invadidas pêla atividade ilegal de madeireiros;
  • atraídos pêla existência de ouro e outros metais preciosos, muitos garimpos clandestinos se formaram em terras indígenas, gerando violentos conflitos entre garimpeiros e indígenas;

Terra indígena Waimiri Atroari

Mapa. Terra indígena Waimiri Atroari. 
O território está localizado na região nordeste do Amazonas, próxima a Represa de Balbina, com o Rio Alalau e a B R 174. À direita, mapa de localização, destacando o sudeste do país. À esquerda, a rosa dos ventos, no canto inferior direito, a escala: 35 quilômetros por centímetro.

Fonte de pesquisa: INSTITUTO Socioambiental. Terra indígena . Disponível em: https://oeds.link/AIivKr. Acesso em: 19 abril 2022.

Fotografia. Vista de cima. Área de terra com alguma cabanas e partes alagadas. Ao fundo, floresta.
Área de antigo garimpo ilegal localizado no município de Jacareacanga, Pará, em 2020.

nas áreas de fronteira agrícola da Amazônia, extensas áreas de pastagens e lavouras monocultoras, sobretudo de soja e milho, têm avançado sôbre terras indígenas.

Fotografia. Vista aérea. Áreas amplas de plantio. Há uma via entre elas e um caminhão trafegando. Ao fundo, floresta.
Vista aérea de área desmatada para agropecuária no limite com o Parque Indígena do Utiariti, no município de Campo Novo do Parecis, Mato Grosso, em 2021.
Ícone ‘Em grupo’.

Questão 1.

Diante dos exemplos destacados anteriormente, você considera importante que os povos indígenas tenham seus territórios reconhecidos e sua identidade cultural preservada? Por quê? Pense a respeito e, depois, converse com os colegas para conhecer a opinião deles sôbre êsse assunto.

Outras comunidades tradicionais que vivem na Amazônia, como populações ribeirinhas e comunidades extrativistas, como a dos seringueiros, por exemplo, também sofrem constantes ameaças. A construção de grandes hidrelétricas, por exemplo, inunda extensas áreas de florestas, desalojando populações ribeirinhas e comunidades de pescadores que vivem nas margens dos rios.

Fotografia. Vista de cima. Uma comunidade na margem de um rio. Há casas espalhadas em áreas desmatadas e ao fundo, floresta.
Comunidade de seringueiros em Novo Aripuaña, Amazonas, em 2020.

Extrativismo

Uma atividade de grande importância econômica para a Região Norte é o extrativismo. Faz parte dêsse ramo, por exemplo, a extração de madeira, comercializada no Brasil e no exterior para a fabricação de móveis ou para ser utilizada em construções.

Na floresta Amazônica, a exploração de mogno e cedro, por exemplo, é regulada pêlo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (ibâma), porém essa atividade acaba se tornando alvo de desmatamento ilegal pêlo seu grande valor comercial. As áreas de maior exploração de madeira localizam-se próximas às rodovias, devido à facilidade de transporte.

Desde o final do século dezenove até os dias de hoje, as seringueiras são muito exploradas para a extração do látex, material destinado à fabricação de borracha. Além disso, da floresta são extraídos frutos de importante comercialização, como guaraná, açaí, cupuaçu e castanha-do-pará.

O extrativismo mineral é uma das atividades mais lucrativas da Região Norte. Os principais minerais extraídos são ferro, bauxita, manganês, cassiterita, níquel, cobre e ouro. êsse tipo de extração ocorre principalmente na serra do Carajás, no Pará, responsável por grande parte da produção mineral do país. Seu escoamento ocorre por meio da Estrada de Ferro do Carajás, que chega até o Pôrto do Itaqui, na cidade de São Luís, capital do Maranhão.

Fotografia. Vista de cima. Um trator em uma área desmatada com diversos troncos espalhados. Ao fundo, uma floresta.
Área de extração de madeira, no município de Itacoatiara, Amazonas, em 2019.
Fotografia. Um homem escalando o tronco de uma palmeira com palha amarrada em seus pés. Ele segura um galho com frutos. Ao redor há mais palmeiras.
Trabalhador coletando açaí, no município de Mocajuba, Pará, em 2020.

Indústria

A atividade industrial da Região Norte é representada principalmente pêlo parque industrial localizado próximo à cidade de Manaus, capital do Amazonas, chamado Zona Franca de Manaus. A criação dessa área industrial foi incentivada por políticas do govêrno federal a partir do final da década de 1960 com a intenção de incentivar o desenvolvimento econômico e o maior povoamento dessa região.

Boxe complementar

Leia o texto a seguir.

Zona Franca de Manaus

     A Zona Franca de Manaus () começou a ser implementada de maneira mais efetiva na década de 1960, tendo sido criada com o objetivo de se tornar um polo industrial para promover o desenvolvimento econômico na Amazônia. Para atrair os investimentos, o govêrno concedeu benefícios e incentivos fiscais para que empresas nacionais e estrangeiras ali se instalassem.

     Aproveitando-se dessas vantagens e também da existência de mão de obra barata e abundante, muitas fábricas do Centro-Sul do país transferiram ou ergueram novas plantas nos distritos industriais da Zona Franca. Entre essas indústrias, destacam-se as montadoras de aparelhos eletrônicos, de motocicletas, bicicletas, brinquedos, entre outras. Atualmente, as mais de quinhentas indústrias instaladas nessa área geram milhares de empregos diretos e respondem por grande parte da produção econômica regional.

     Como os produtos fabricados na Zona Franca abastecem principalmente o mercado interno, o govêrno federal prorrogou a concessão dos incentivos fiscais até o ano de 2073 com o objetivo de também transformar a área em um grande centro exportador.

     Alguns críticos questionam a continuidade dessa política com a justificativa de que os incentivos fiscais concedidos por tempo tão longo afetam a arrecadação de impostos, comprometendo as contas do govêrno.

Texto elaborado pelos autores.

Fotografia. Diversas pessoas de uniformes azuis com toucas, máscaras e fones de ouvido. Elas estão sentadas em frente a bancadas com conteúdo empilhado ao lado delas.
Vista panorâmica do interior de fábrica de seringa no distrito industrial da Zona Franca de Manaus, na cidade de Manaus, Amazonas, em 2021.

A devastação da floresta Amazônica

A ocupação mais efetiva e a exploração realizada pêlas atividades econômicas cada vez mais intensas na floresta Amazônica vêm resultando em uma rápida e progressiva devastação dessa formação. Entre as atividades econômicas predatórias e incompatíveis com sua preservação, destacam-se:

  • a agropecuária, que ocasiona a queimada de extensas áreas de floresta para a formação de lavouras ou de pastagens para a criação de gado bovino;
  • a ação predatória de muitas madeireiras, nacionais e estrangeiras, que praticam a exploração descontrolada da floresta, derrubando espécies já ameaçadas de extinção ou extraindo árvores sem valor comercial, as quais acabam sendo abandonadas no meio da floresta;
  • a atividade mineradora e a construção de grandes usinas hidrelétricas, que inundam vastas áreas da floresta para a formação de reservatórios.

De acôrdo com cálculos do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Pródes) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ínpi), cêrca de 17% da floresta já foi devastada, o que corresponde a aproximadamente 729 mil quilômetros quadrados.

Além de toda essa devastação, a derrubada da floresta prossegue em ritmo acelerado. A cada ano, ainda de acôrdo com o Pródes, cêrca de 10 mil quilômetros quadrados da floresta são perdidos.

Fotografia. Vista aérea. Área desmatada em meio a uma floresta. Ao fundo, morros.
Área de desmatamento para formação de pastagem, no município de Pacaraima, Roraima, em 2019.

O avanço do desmatamento na Amazônia

A devastação da floresta Amazônica não tem ocorrido com a mesma intensidade em toda a sua extensão. Ela predomina nas áreas de expansão da fronteira econômica e demográfica que se desloca do Centro-Oeste e do Sudeste e avança pêla Amazônia, acompanhando principalmente o traçado das estradas abertas na região.

dêsse modo, podemos verificar que a devastação configura certa distribuição geográfica, estendendo-se pêla área conhecida como “arco do desmatamento”. êsse arco estende-se desde o Maranhão, passa por Pará e Tocantins, pêlo norte do Mato Grosso, por Rondônia e chega ao Acre.

De maneira geral, a devastação acompanha os projetos de ocupação implantados pêlo govêrno federal na região. No Tocantins e no Maranhão, ela é mais intensa ao longo da rodovia Belém-Brasília; no Pará, nas proximidades da usina hidrelétrica de Tucuruí e do Projeto Grande Carajás e na região da cidade de Paragominas, onde foram implantados vários projetos agropecuários; no norte do Mato Grosso, ocorre principalmente nas áreas ocupadas pêla expansão da monocultura da soja e da pecuária extensiva; estende-se até Rondônia, ao longo da rodovia Cuiabá-Pôrto Velho, e alcança os arredores de Rio Branco, capital do Acre.

Observe, no mapa, o arco do desmatamento na Amazônia.

O arco do desmatamento na Amazônia (2015)

Mapa. O arco do desmatamento na Amazônia (2015). Floresta Amazônica: ocupando grande parte do território do Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. Mata Atlântica: pequena área no norte do Maranhão. Mata dos Cocais: área no norte e nordeste do Maranhão. Cerrado: áreas no nordeste de Roraima, norte do Amapá, sul do Amazonas, norte, nordeste e sudoeste do Pará, faixa no sul de Rondônia, áreas no oeste e sul do Mato Grosso, centro-leste do Tocantins e sudeste do Maranhão. Pantanal: sul do Mato Grosso. Formações litorâneas: faixa na costa nordeste do Pará e Maranhão, e na costa norte do Amapá. Campos: faixa no norte do Amapá, Pará e Maranhão. Áreas alteradas: áreas dispersas no Amazonas, com maior incidência no nordeste do estado, faixa no leste de Roraima, áreas dispersas no oeste e porção leste do Acre, Rondônia, faixas no norte, oeste e leste do Pará, nordeste do Amapá, Tocantins e do Maranhão. Arco do desmatamento: Área que abrange o oeste do Pará, noroeste do Tocantins, leste e sul do Pará, norte do Mato Grosso, sul do Amazonas e norte de Rondônia. Estradas pavimentadas: há estradas pavimentadas em toda a região, em maior quantidade nos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Estradas sem pavimentação: presente em maior quantidade no Pará. No canto inferior esquerdo, mapa de localização destacando a região descrita. No canto superior direito, a rosa dos ventos e na parte inferior, a escala: 90 quilômetros por centímetro.

Fontes de pesquisa: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 34. edição São Paulo: Ática, 2013. página 121, 123. REFERENCE atlas of the world. 11. edição Lôndon: dórlin quínderslei, 2021. página 53. ATLAS geográfico escolar. 8. edição Rio de Janeiro: í bê gê É, 2018. página 143.

O manejo florestal sustentável

O modêlo de ocupação e de exploração econômica da Amazônia, sobretudo a partir da década de 1960, esteve apoiado, majoritariamente, no desenvolvimento de atividades incompatíveis com a conservação da floresta.

Fatores como solo raso e pouco fértil, com deficiência de nutrientes, e a ocorrência de muitas chuvas na região limitam o desenvolvimento da agropecuária em grande parte da Amazônia.

Com toda essa situação, como é possível promover o desenvolvimento de atividades que garantam a geração de trabalho e a renda para os milhões de habitantes que vivem na região sem impactar a floresta? A solução seria explorar a floresta de maneira sustentável, encontrando meios de racionalizar a extração dos recursos com a intenção de conservar a mata e até garantir as explorações futuras.

Práticas sustentáveis de exploração garantem o desenvolvimento de atividades econômicas e conservam a biodiversidade da floresta. Dos recursos florestais é possível obter produtos como óleos, resinas, fibras, castanhas, frutos, raízes, entre outros.

No caso da exploração madeireira, o ideal é que seja feita com base em um rigoroso plano de manejo, técnica que consiste em derrubar apenas as árvores adultas, após atingirem determinado tamanho (que pode variar de acôrdo com a espécie), e que realmente podem ser aproveitadas para fins comerciais. Agindo dessa fórma, evita-se a derrubada das árvores mais jovens, que poderiam ser exploradas futuramente.

Fotografia. Um homem de capacete e fone cortando o tronco de uma árvore com uma serra elétrica. Há mais árvores ao redor.
córte de madeira para manejo florestal sustentável, no município de Itacoatiara, Amazonas, em 2019.

Veja como funciona o manejo florestal sustentável

Representação com elementos não proporcionais entre si. côres-fantasia.

1.

A área de manejo é dividida em lotes. A cada ano, apenas um lote é explorado. Após a exploração do último lote, repete-se o ciclo.

Ilustração 1. Solo dividido em faixas com árvores e solo com vegetação rasteira.

2.

Técnicos planejam a abertura de estradas de modo a causar o menor dano possível à floresta.

Ilustração 2. Área com uma estrada de terra entre árvores.

3.

Trabalhadores identificam as espécies de árvores para o córte, selecionando apenas as árvores adultas.

Ilustração 3. Uma árvore com destaque para seu tronco. Ao lado, símbolo de uma pasta com a inscrição: PROJETO, seguido pelo desenho de uma árvore.

4.

O córte de cada árvore é planejado para evitar a derrubada de árvores vizinhas.

Ilustração 4. Ao centro uma árvore com um círculo ao redor e setas indicando posições ao lado. Ao redor sombras de outras quatro árvores.

5.

Depois do corte, os troncos são serrados em toras, que recebem um número de identificação e são retirados da mata por um trator.

Ilustração 5. Destaque para uma ferramenta segurando um tronco com o número: 1 2 3 4 5.

6.

Caminhões levam as toras para a serraria, onde serão cortadas e preparadas para a comercialização.

Ilustração 6. À esquerda, caçamba de um caminhão com toras de árvore. À direita, tábuas empilhadas em frente a um galpão

7.

Órgãos credenciados conferem o método de exploração e fornecem o sêlo de certificação de manejo florestal, o .

Ilustração 7. À esquerda, um documento com selo e uma árvore. Ao lado destaque para o selo F S C com uma árvore.

8.

O comprador pode rastrear a procedência da madeira por meio de um código que identifica a origem de cada árvore explorada.

Ilustração 8. Notebook com texto e desenho de uma árvore. Ao lado, setas ligam uma árvore, à troncos ao site.

Fonte de pesquisa: PEREIRA, José Alberto Gonçalves. Lucro verde na floresta. Revista Globo Rural, 6 março 2012. Disponível em: https://oeds.link/TWYvw6. Acesso em: 19 abril 2022.

A exploração sustentável do açaí

     O desmatamento é um problema grave na Amazônia. Contudo, é possível realizar o manejo sustentável dos recursos naturais, desde que haja conscientização da população e incentivos governamentais.

     Um exemplo de iniciativa que envolve o manejo sustentável dos recursos da floresta Amazônica é o extrativismo sustentável do açaí, realizado por alguns habitantes de áreas rurais localizadas na Região Norte do país.

Nessa região, vários pequenos agricultores, que, durante muitos anos, cultivavam lavouras, sobretudo de milho e de feijão, em áreas desmatadas da Amazônia, tomaram a iniciativa de desenvolver o extrativismo sustentável do açaí.

Apoiados por grupos ambientalistas, trabalhadores do campo perceberam que essa iniciativa, além de evitar o desmatamento da floresta Amazônica, gera uma boa renda com a venda do açaí. O açaí é o fruto de uma palmeira que cresce naturalmente na floresta. Por isso, sua extração depende da manutenção da floresta. Nos últimos anos, o consumo dêsse fruto vem se ampliando em outras regiões do país, além da Norte, onde tradicionalmente sempre foi consumido.

Fotografia. Destaque para cachos de açaí com diversos frutos.
Detalhe do cacho de açaí.
Fotografia. Um homem caminhando por uma floresta, carregando um cacho de açaí sobre seu ombro.
Pessoa com cacho de açaí na floresta Amazônica, no município de Carauari, Amazonas, em 2021.

Atividades

Faça as atividades no caderno.

Organizando os conhecimentos

  1. Cite quatro produtos agrícolas cultivados na Região Norte.
  2. Escreva como se caracteriza a pecuária praticada na Região Norte.
  3. O que é grilagem? Por que tal prática recebeu êsse nome?
  4. Quais são os principais produtos do extrativismo na Região Norte?
  5. Qual o objetivo da criação da Zona Franca de Manaus?
  6. Qual foi a influência do processo de povoamento na devastação da floresta Amazônica desde a década de 1960?
  7. Os desmatamentos na Amazônia ocorrem com a mesma intensidade em toda a região? Justifique a sua resposta.

Aprofundando os conhecimentos

8. Observe a foto referente a uma ação contra o desmatamento das florestas. Depois, responda no caderno às questões que seguem.

Fotografia. Vista aérea. Área desmatada, de terra com uma faixa com a inscrição: A FALTA DE ÁGUA COMEÇA AQUI. Ao lado há áreas queimadas e ao fundo, uma floresta.
A foto retrata a ação de ativistas do Greenpeace a 50 quilômetros da cidade de Boa Vista, Roraima, 2015.

a . Analise a foto e descreva a mensagem que a ação está transmitindo.

  1. A foto da página anterior nos revela que a exploração das florestas, como a da floresta Amazônica, ocorre de maneira adequada? Exemplifique como a exploração deveria ser feita.
  2. Converse com os colegas sôbre a importância da preservação da floresta Amazônica e escreva, no caderno, três frases que sintetizem suas principais ideias sôbre êsse assunto.

9. A foto desta página retrata um tipo de agressão ambiental que frequentemente ocorre na Amazônia. Que tipo de agressão é essa?

Fotografia. Toras de madeira dispostas sobre o solo. Ao redor há uma floresta e ao fundo, carros.
Toras de madeira, extraídas de maneira ilegal, em área de floresta Amazônica no município de Pacajá, Pará, em 2021.

10. Leia a manchete.

Reserva no Amazonas zera desmatamento e é considerada modêlo no país e no mundo

Disponível em: https://oeds.link/FExHlH. Acesso em: 20 2022.

Com base na manchete e no que foi apresentado neste capítulo, produza um texto expondo a importância de explorar a floresta Amazônica de modo sustentável.